Judy Garland (1922-1969) foi uma das grandes estrelas em Hollywood. Atriz e cantora, ficou para sempre associada a Dorothy, a personagem de “O Feiticeiro de Oz”, e à canção “Over the Rainbow“.
Apesar de uma carreira enorme, nunca ganhou um Óscar competitivo, tendo somente recebido um Óscar Juvenil. Perdeu a estatueta de Melhor Atriz que quase todos lhe davam como certa e acabou por nos deixar cedo demais.
Décadas depois, a filha, Liza Minnelli, alcançou o que a mãe nunca conseguiu, e de uma forma que nenhuma outra família de Hollywood repetiu.
Judy Garland cresceu nos palcos
Judy Garland nasceu como Frances Ethel Gumm, a 10 de junho de 1922, em Grand Rapids, no Minnesota. Os pais tinham um teatro e a família representava nos intervalos das sessões de cinema. Frances entrou em cena aos dois anos e, mais tarde, juntou-se às irmãs num grupo, as Gumm Sisters.
Foi aí que a MGM reparou nela e a juntou a Mickey Rooney em vários filmes, entre eles capítulos da série “Andy Hardy”.
Dorothy e o Feiticeiro de Oz que mudou tudo
Foi em 1939 com “O Feiticeiro de Oz” que Garland saltou para os holofotes de Hollywood. Na pele de Dorothy Gale, a rapariga do Kansas que um temporal atira para a terra de Oz, levou tudo e todos às lágrimas com “Over the Rainbow”. A canção venceu o Óscar de Melhor Canção Original e o filme somou dois prémios da Academia. No entanto, Judy nem foi nomeada como Melhor Atriz.
Pelo desempenho no já referido musical e em “Babes in Arms”, Judy Garland foi agraciada com o Óscar juvenil aos 17 anos. Trata-se de um prémio honorário, não competitivo e já extinto.
A chegada de Vincente Minnelli e os grandes musicais
Na idade adulta, Judy provou que ia muito além de Dorothy. Em “Meet Me in St. Louis”, trabalhou pela primeira vez com Vincente Minnelli e cantou “Have Yourself a Merry Little Christmas“. O realizador e a atriz casaram em 1945 e, em 1946, nasceu a filha de ambos, Liza.
Seguiram-se mais dois musicais de referência. Em “Quando Danço Contigo”, Judy dançou com Fred Astaire. Em “Festa no Campo”, partilhou o palco com Gene Kelly. O casamento com Minnelli terminou em 1951.
1955 e o Óscar que estava mesmo no papo
O regresso ao cinema chegou com “Assim Nasce uma Estrela” (1954), de George Cukor. Judy ganhou o Globo de Ouro e entrou na corrida ao Óscar de Melhor Atriz como favorita. No entanto, Grace Kelly levou o prémio por “The Country Girl”.
Judy nem estava na sala, uma vez que tinha dado à luz o filho, Joey Luft, na véspera e continuava internada. A certeza de vitória era tanta, que a NBC instalou câmaras e microfones no quarto do hospital para transmitir em direto o discurso de agradecimento. Porém, quando o nome da futura princesa do Mónaco foi anunciado, a equipa desmontou tudo e foi-se embora.
Carnegie Hall e uma segunda nomeação
Na música, a grande consagração chegou a 23 de abril de 1961, com o concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque. A gravação, o álbum “Judy at Carnegie Hall”, passou 13 semanas no topo da Billboard. Além disso, rendeu-lhe o Grammy de Álbum do Ano, o primeiro entregue a uma mulher.
Nesse mesmo ano, a Academia voltou a nomeá-la, agora para Melhor Atriz Secundária, por “Julgamento de Nuremberga”, de Stanley Kramer. No filme, Judy interpretou uma mulher perseguida pelo regime nazi. Inclusive, perdeu para Rita Moreno num musical: “West Side Story“.
Judy Garland morreu a 22 de junho de 1969, em Londres, aos 47 anos. Duas nomeações, nenhuma vitória competitiva e uma carreira com mais de trinta filmes. A memória de Judy voltou aos Óscares em 2020, quando Renée Zellweger ganhou o prémio de Melhor Atriz por a interpretar em “Judy”.
Liza Minnelli, Cabaret e uma família de virtuosos

Judy deixou-nos, mas o seu legado continuou de outra forma. Liza Minnelli nasceu a 12 de março de 1946, filha de Judy e de Vincente Minnelli. Ganhou um Tony aos 19 anos e, em 1969, recebeu a primeira nomeação ao Óscar, por “The Sterile Cuckoo”.
Todavia, o grande momento chegou com “Cabaret” (1972), o musical de Bob Fosse. No papel de Sally Bowles, Liza fez o que a mãe nunca conseguiu e arrecadou o Óscar de Melhor Atriz. Uma vez que Garland tem uma estatueta juvenil e Vincente Minnelli triunfou como Melhor Realizador por “Gigi”, Liza é considerada a única filha de dois vencedores do Óscar que também ganhou uma estatueta.


