I Am Easy to Find: vê o filme com música dos The National

É amanhã que sai o novo álbum I Am Easy to Find dos The National. Mas muitas das suas canções já podem ser ouvidas na homónima curta-metragem de Mike Mills.

I Am Easy to Find é o nome do filme que acompanha e é acompanhado pelo álbum I Am Easy to Find da tão querida banda The National. Este filme, de 24 minutos, com Alicia Vikander, não deve ser visto como um vídeo de promoção do novo álbum, mas como uma obra de arte de pleno direito que o realizador de 20th Century Women (2016) dirigiu em colaboração com a banda e uma série de pessoas na sua órbita, como Carin Besser.

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Tudo começou com a ideia de Mike Mills de acompanhar a banda no processo criativo deste longa duração, dando o seu contributo ao alterar o esboço das canções e ao transmitir ideias através de uma história. E assim foi feito. A curta-metragem é composta por fragmentos de versões diferentes de 7 canções e ainda 9 novas canções e está tão longe de constituir um videoclipe do álbum quanto o álbum de ser uma banda sonora para o filme. Segundo um comunicado de imprensa, “o filme foi composto como uma peça musical; a música editada como um filme, por um cineasta”. Ainda assim, as linhas centrais de uma e outra obra de arte viajam juntas, o que explica Matt Berninger ter cedido o seu lugar de foco natural da música dos National a uma variedade de vocalistas femininas, entre as quais Gail Ann Dorsey, Lisa Hannigan, Mina Tindle, Kate Stables e Sharon Van Etten. Bom, isso e o ego do vocalista.

I Am Easy to Find foi rodado perto de Pomona, na Califórnia, em apenas cinco dias, mas inclui cerca de 164 cenas. A cenografia é escassa, consistindo acima de tudo numa cadeira, uma cama, um tapete e um sofá, usados vezes sem conta no filme. A cinematografia esteve a cargo de Daniel Voldheim e a montagem, que durou cerca de oito meses, foi da responsabilidade de Aaron Beckum.

The National - Mike Mills - I Am Easy to Find
The National (©2018 Graham MacIndoe)

A história desenrola-se em torno de uma vida desde o nascimento até à morte. A estranheza aqui está talvez em ser a atriz Alicia Vikander, na imutabilidade do seu presente, a representar o papel de uma existência desde o seu início até ao seu término. Esta escolha artística sublinha a unidade humana da infância à morte. Os desejos que a criança tem, os problemas por que passa sendo mãe e o confronto com a morte que a devasta como filha e mulher, todas estas situações passam pela mesma pessoa, com o seu corpo sempre visivelmente o mesmo.

Outro fator a ter em conta é o filme ser a preto e branco, salvo a mudança de tempo indicada pela cor amarela. A ausência de cores, aliada a cenas minimalistas, despidas de adereços desnecessários, para além da expressão da ideia principal, dá-nos espaço para ouvir a música que não serve de fundo, mas antes de guia através desta vida.

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Quanto ao conteúdo em si, são muitos os temas abordados em I Am Easy to Find. A vida apresentada parece ser cíclica, no enredo desta mulher: as discussões dos pais, a incompreensão que sente, as histórias contadas e relembradas. No entanto, apesar da periodicidade dos eventos e das mesmas músicas, a mulher desenvolve as suas ideias. Por exemplo, a criança que passava muito tempo a sentir a energia à sua volta, deitada sobre a erva, percebe-se uma mulher já adulta, que sempre teve medo da natureza.

Apesar desta curta-metragem não apresentar exatamente as músicas do álbum, mas versões adaptadas, permite-nos inúmeros vislumbres do álbum, que poderá ser ouvido na integralidade já amanhã, dia 17 de maio, via 4AD.

MIKE MILLS | “I AM EASY TO FIND”

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