Jodie Foster, convidada especial e Palma de Ouro de Carreira. | Cortesia de Festival de Cannes, © DR

Jodie Foster é a Rainha de Cannes 2021

A actriz norte-americana Jodie Foster será a convidada especial e honra da Cerimónia de Abertura e a Palma de Ouro de Carreira, do 74º Festival de Cinema de Cannes 2021, que se vai realizar-se presencialmente de 6 a 17 de julho próximo.

A poucas horas do anúncio da selecção oficial de Cannes 2021, amanhã às 11h hora de Paris, foi anunciada hoje e com sentido de oportunidade, a actriz-realizadora Jodie Foster como a convidada da Cerimónia de Abertura (e Palma de Ouro de Carreira ou de Honra) que acontecerá na terça-feira, 6 de julho, no palco do Palácio dos Festivais. A realizadora, atriz e produtora fará a abertura desta histórica 74ª edição que, encerrará no sábado, dia 17 de julho, já com as decisões em relação à Palma de Ouro 2021, anunciadas pelo júri presidido, pelo realizador norte-americano Spike Lee. Depois de outras tantas figuras da 7ª Arte entre elas, Jeanne Moreau, Bernardo Bertolucci, Jane Fonda, Jean-Paul Belmondo, Manoel de Oliveira, Jean-Pierre Léaud, Agnès Varda e Alain Delon, chegou agora a vez de Jodie Foster receber uma Palma de Ouro de Honra do Festival de Cannes, que procura destacar uma carreira artística brilhante, uma forte e rara personalidade e uma figura que tem assumido um compromisso discreto, mas assertivo com os grandes temas do nosso tempo. ‘Cannes é um festival ao qual devo muito e que mudou completamente a minha vida’, disse Jodie Foster,  a propósito da realização deste evento. A minha primeira visita à Croisette foi decisiva. Mostrar um dos meus filmes aqui, sempre foi o meu sonho. Já tive a oportunidade de fazê-lo, várias vezes (…) e Cannes é um festival de cinema de autores que homenageia os artistas. Sou muito sensível a isso’, concluiu uma das mulheres mais marcantes e influentes do nosso tempo e que há pouco tempo interpretou brilhantemente Nancy Holland, a advogada dos presos de Guantanamo, no filme ‘O Mauritano’.

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Jodie Foster em “O Mauritano” | © Cinemundo

Porém, em maio de 1976, com apenas 13 anos, Jodie Foster subiu os degraus do Palácio dos Festivais, na Croisette, para apresentar ‘Taxi Driver’, de Martin Scorsese, filme que ganhou a Palma de Ouro, desse ano. Quarenta e cinco anos depois, Jodie Foster regressa para levar mais uma Palma, mas desta vez para ela própria e de Carreira. Entretanto, Foster consegui conciliar várias aspectos na sua carreira que já dura há quarenta anos: uma filmografia de amplo espectro temático, uma aliança perfeita entre altos padrões de qualidade nos seus filmes e a popularidade, partilhada ainda entre interpretação (múltiplas, são quase 50 obras, em que participou, como actriz) e a realização (4 longas-metragens), dois Oscars (por ‘Os Acusados’ em 1989 e ‘O Silêncio dos Inocentes’, em 1992) e ainda lendários encontros cara a cara, com actores e actrizes, como: Robert de Niro, Anthony Hopkins, Mel Gibson, Kristen Stewart, Denzel Washington; e sob o olhar da câmera de grandes realizadores David Fincher, Robert Zemeckis, Spike Lee, Alan Parker e até o francês Claude Chabrol. Efectivamente Jodie Foster, com a maior das naturalidades, tem uma carreira que faz na perfeição a ponte, entre a indústria de Hollywood e o cinema de autor.  Sete dos seus filmes como atriz ou realizadora já foram exibidos no Festival de Cannes. O presidente Pierre Lescure está maravilhado por ela ter aceite ser a convidada de honra desta 74ª edição: Jodie Foster está-nos dando um belo presente ao vir comemorar o regresso do Festival  à Croisette. A sua aura é incomparável, pois ela encarna a modernidade, a inteligência radiante da independência e a procura da liberdade’. ‘Jodie está constantemente a reinventar-se’ complementou Thierry Frémaux, o Delegado-Geral (ou Director-Artístico) do Festival de Cannes, ‘vamos recebê-la com carinho e admiração!’

Jodie Foster
Pânico a Bordo | © Touchstone Pictures, All rights reserved

Jodie Foster é efectivamente uma estrela de dimensão galáctica, — há mesmo um asteroide que tem o seu nome, em memória, ao seu inesquecível papel em ‘Contacto’ (1997), de Robert Zemeckis.  Contudo, Foster é também uma entusiasta, erudita e apaixonada por cinema, evidenciado na sua activa contribuição para a restauração da obra muito pessoal de Dorothy Arzner (1897-1979), uma das poucas realizadoras, que fez carreira nos estúdios de Hollywood e que filmou mulheres corajosas expostas às lutas de classe e de género (ver a série As Mulheres Fazem Cinema’). Um compromisso que Foster também tem defendido, é precisamente esse sobre paridade na indústria cinematográfica, como aconteceu por exemplo, no Festival de Cannes 2016, durante o evento ‘Mulheres em Movimento’. O o seu activismo também ecoa por exemplo no documentário Be Natural: A História Não Contada de Alice Guy-Blaché’, de Pamela B. Green — que estreia esta semana, em Portugal — no qual Jodie Foster é produtora e narradora. O documentário dedicado à primeira cineasta da história do cinema, há muito apagada das memórias e das histórias da 7ª Arte, condiz com Jodie Foster e com a sua defesa do cinema feminino, por excelência. A 74ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes acontece de 6 a 17 de julho e o anúncio da Seleção Oficial de 2021 que será apresentada por por Pierre Lescure e Thierry Frémaux, pode ser seguido na quinta (amanhã), 3 de junho, a partir das 11h, ao vivo no YouTube, Dailymotion, Facebook, Twitter e  no www.festival-cannes.com

JVM

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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