Nap Eyes (foto de Alex Blouin & Jodi Heartz)

“Mark Zuckerberg” é o novo single dos Nap Eyes

No tema principal de Snapshot of a Beginner, o próximo álbum dos Nap Eyes, a banda de Nigel Chapman questiona precisamente (mas não só) Mark Zuckerberg.

Os canadianos Nap Eyes anunciaram hoje o sucessor de I’m Bad Now (2018). O lançamento de Snapshot of a Beginner tem data marcada para 27 de Março, por via da conceituada Jagjaguwar. Para já podemos ouvir o seu tema principal “Mark Zuckerberg”, que seria satírico não fora o seu travo nostálgico. Um traço realçado pela fantasia do vídeo realizado por Techgod, com animação de Cole Kush.

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Segundo um comunicado de imprensa, o percurso artístico dos quatro álbuns que compõem a carreira dos Nap Eyes acompanha a prática de tai chi do seu líder e principal compositor Nigel Chapman. Os primeiros anos desta carreira são como as frias manhãs no parque com os seus movimentos calculados, as dores nas articulações, as dúvidas sobre si próprio. Mas cada novo lançamento corresponde igualmente “a um crescente e revigorante passo em frente”.

Quase todas as canções dos Nap Eyes começam com as ininterruptas improvisações de 20 minutos de voz e guitarra gravadas por Nigel Chapman. Estas estruturas idiossincráticas são depois desenvolvidas até à forma final pelos restantes membros da banda, o guitarrista Brad Loughead, o baixista Josh Salter e o baterista Seamus Dalton, que assim decidem o todo da sonoridade e o sentimento das canções. Se até à data este processo de composição final e a gravação tinham sido levados a cabo num quarto, o novo álbum Snapshot of a Beginner foi gravado nos estúdios Long Pond dos National, em Nova Iorque, com os produtores Jonathan Low (Big Red Machine, The National) e James Elkington (Steve Gunn, Joan Shelley). Este último contribuiu também com arranjos durante a pré-produção.

Nap Eyes - Mark Zuckerberg - Snapshot of a Beginner
Capa de Snapshot of a Beginner

Sob metáforas de mãos omnipresentes mas escondidas e toneladas de areia às quais não se consegue dar uso, o tema “Mark Zuckerberg” é atravessado por um tom ominoso de crítica sócio-económica mas não só. A alusão à mortalidade e irrelevância presente na comparação do magnata das redes sociais a um fantasma e a conversão das suas posses na areia em que tudo eventualmente se desfaz tele-transporta esta críptica história para a metafísica. O videoclipe rima bem com o mantra final de que “transcendence is all around us”, a fluída animação esvoaçante e etérea, algures entre o real e o imaginário, a lembrar o Waking Life (2001), de Richard Linklater, e os seus devaneios de (dúbia) filosofia cartesiana. Aqui, o contador de histórias cruza-se com o moralista na voz carismática de Nigel Chapman, reminiscente de John Darnielle no seu melhor, ao som de um instrumental que, apesar das melodias introspectivas, tudo desdramatiza com a sua palpitante percussão.

NAP EYES | “MARK ZUCKERBERG”

NAP EYES, SNAPSHOT OF A BEGINNER | Alinhamento

  1. “So Tired”
  2. “Primordial Soup”
  3. “Even Though I Can’t Read Your Mind”
  4. “Mark Zuckerberg”
  5. “Mystery Calling”
  6. “Fool Thinking Ways”
  7. “If You Were In Prison”
  8. “Real Thoughts”
  9. “Dark Link”
  10. “When I Struck Out On My Own”
  11. “Though I Wish I Could”

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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