Melhores Guarda-Roupas de TV

TOP 2018 | Os melhores guarda-roupas da TV

De dramas de época requintados a hediondas distopias, o panorama da televisão mundial raramente foi mais rico em séries de qualidade e guarda-roupas a condizer.

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10. PICNIC AT HANGING ROCK

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Figurinos de Edie Kurzer.

Em 1900, no dia de S. Valentim, um grupo de estudantes de um requintado colégio interno desaparecem misteriosamente em Hanging Rock, na Austrália. Assim é a história do romance de Joan Lindsay “Picnic at Hanging Rock“, originalmente publicado em 1967, que viria a servir de inspiração a um filme de Peter Weir, estreado em 1975, que ainda hoje é considerado como um dos grandes píncaros artísticos na História do Cinema Australiano. 43 anos depois, a história voltou a ser dramatizada no ecrã, mas desta vez sob a forma de minissérie.

Se o filme dos anos 70 se baseou numa estética de verismo histórico a diluir-se em impressionismo imersivo, uma espécie de mistério sonhador construído com mecanismos realistas, o projeto televisivo recorre a técnicas de estilização mais abrasivas. Não é que a figurinista Edie Kurzer tenha virado as costas por completo ao facto histórico. No entanto, os seus desenhos, especialmente para a figura imperiosa da Sra. Appleyard, interpretada por Natalie Dormer, tendem a sublinhar os temas e dramatismo da narrativa através de contrastes extremos e alguns exageros notórios.

No final, esta é uma história sobre uma procura por um sentido de identidade por parte de uma nação fundada sobre os excessos sanguinários do colonialismo. A natureza meio absurda de algumas das confeções de renda e seda em contraste com a paisagem desértica é uma das muitas manifestações da fricção entre os colonos ingleses e esta terra que não lhes pertence. As diferenças de silhueta, por seu lado, revelam como a rapidez de chegada das modas europeias é ditada pelas posses monetárias de cada pessoa, uma dinâmica mesquinha que nos mostra como a infeção do classismo inglês se expande além-fronteiras. Este é um guarda-roupa concebido à ordem do princípio do constante desconforto, entre as atrizes e o cenário, entre as personagens para consigo mesmas e entre a faustosa história de época e o olho crítico de um espectador atento.

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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