MONSTRA

MONSTRA ’18 | Lista de Vencedores e Balanço Final

Chegado o fim de mais uma edição da MONSTRA, há que se listar os vencedores votados pelos júris oficiais do festival e ponderar o balanço final destes dias em que se celebrou o melhor do cinema de animação internacional.

 

MONSTRA A sonolenta
“A Sonolenta”

Ao fim de 10 dias durante os quais a MONSTRA trouxe aos cinemas de Lisboa alguns dos maiores triunfos do cinema de animação recente, os diferentes júris do festival anunciaram os seus vencedores numa cerimónia que decorreu no passado sábado, dia 17 de março, pelas 21h30. No que diz respeito à competição portuguesa, por exemplo, o júri composto por  Priit Pärn, Olivier Catherin e João Paulo Cotrim escolheu “A Sonolenta” da realizadora Marta Monteiro como a Melhor Curta-Metragem portuguesa do festival. “Água Mole” de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires teve ainda direito a uma Menção Honrosa, enquanto “Surpresa” de Paulo Patrício ficou com o Prémio atribuído pelo voto do público.

No panorama das longas-metragens em competição, Andrea Basílio, Mauro Carraro, Priit Tender, Takashi Namiki e Tó Trips atribuíram ao filme italiano “Gata Cinderela” os prémios de Melhor Longa e Melhor Banda-Sonora. É difícil discordar com o prémio musical pois, de facto, o filme de Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Alessandro Rak e Dario Sansone tem uma das bandas-sonoras mais fascinantes da competição, mesclando tonalidades apocalípticas, enfaticamente dramáticas e levemente futuristas com sons retro, uma dinâmica que também se repete no design do filme, cujas paisagens distópicas são a sua mais valia.

MONSTRA Gata Cinderela
“Gata Cinderela”

Infelizmente, comparado com os restantes seis filmes em competição, “Gata Cinderela” destaca-se como o pior exemplo de animação de personagens para não falar do seu niilismo venenoso ou da misoginia inerente à sua reimaginação do conto-de-fadas tradicional de Charles Perrault. “Tem um Bom Dia” de Liu Jian, que recebeu o Prémio Especial do Júri, e “A Ganha-Pão” de Nora Twomey, que ganhou o Prémio do Público, também lidam com temas adultos em estéticas elegantes e vistosas, sem caírem na podridão ideológica que trespassa todos os fotogramas do grande vencedor.

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Enfim, essas foram as escolhas desse júri. É triste, no entanto, que algumas obras específicas tenham sido completamente ignoradas. Falamos “Ethel & Ernest”, um hino de modéstia cinematográfica que funciona também como uma elegia, tão nostálgica como perturbadoramente franca, da vida dos pais de Raymond Briggs, o autor de cujo livro este filme foi adaptado. Referimo-nos também à mais recente jóia dos estúdios Kino Animation, “Uma Voz Silenciosa”.

MONSTRA Uma Voz Silenciosa
“Uma Voz Silenciosa”

Esse melodrama adolescente foi um dos grandes filmes japoneses em exibição nesta edição da MONSTRA, que também inclui uma sessão especial dedicada a “Neste Canto do Mundo” assim como retrospetivas dedicadas às filmografias de Mamoru Hosoda, Koji Yamamura e Kunio Kato. Uma coisa é certa, em toda a competição de longas-metragens da MONSTRA, não houve imagem mais assombrosa que uma cena neste filme, em que uma tentativa de suicídio se torna numa explosão de impressionismo sensorial sob a luz festiva de fogos-de-artifício. Vindo de um país em que, não obstante os níveis quase epidémicos de suicídio, discussões sobre depressão e problemas psicológicos são assunto tabu, “Uma Voz Silenciosa” e sua sinceridade emocional, por muito exagerada que possa parecer, é algo com o seu quê de revoltoso e politicamente galvanizante.

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Menos poderoso, mas não menos rico em imagens memoráveis foi “Tabu de Teerão”, outro filme exibido numa sessão especial. A obra de Ali Soozandeh assume-se como um estudo dos paradoxos que assombram o Irão dos nossos dias, onde os ditames de um regime fundamentalista islâmico parecem ir contra a própria condição de se ser humano. Infelizmente, o que este pesadelo em feio Rotoscope tem de sobra em audácia e fúria panfletária, falta-lhe em termos de subtileza ou nuance.

MONSTRA Tabu de Teerao
“Tabu de Teerão”

Isto resulta num filme onde as críticas sociais extremamente válidas do seu texto se perdem no encadeamento incessante de choques lúridos e sensacionalistas. Pelo menos, em passagens mais calmas, “Tabu de Teerão” ainda consegue desencantar alguns tableaux poderosos, como é o caso de uma vista elevada da paisagem urbana, onde todos os prédios estão coroados por antenas parabólicas, um dos objetos que as personagens do filme constantemente apontam como ilegais.

Voltando ao assunto dos prémios, na competição de curtas-metragens internacionais, o francês “Espaço Negativo” valeu ao realizador David Coquart-Dassault o galardão para Melhor Curta e o Prémio do Público. Entre os filmes da secção Curtíssimas, para obras com menos de dois minutos, “CNN Colorscope Black” do britânico Matt Abbiss foi o grande vencedor. “Uma Manhã na Feira” dos alunos da Escola Superior de Media Artes e Design do Porto foi premiado com a honra de Melhor Curtíssima Portuguesa, enquanto “Penelope” de Heta Jäälinoja foi considerada a Melhor Curta de Estudantes e “The Voyager” de João Gonzalez foi a Melhor Curta de Estudantes Portuguesa. O Grande Prémio Monstrinha foi para “The Box”, de Merve Cirisoglu.

 

Para o ano haverá mais MONSTRA. Entretanto, não percas a cobertura de muitos outros festivais de cinema aqui na Magazine.HD, incluindo celebrações internacionais como a Berlinale e festivais em solo português como o prestigiado IndieLisboa.



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