Camille Rowe em "The Deep House" (2021) |©Radar Films

MOTELX ’21 | The Deep House, em análise

Na Competição internacional do principal Prémio MOTELX – Melhor Longa de Terror Europeia / Méliès d’argent encontramos ainda “The Deep House”, obra exibida a 11 e 12 de setembro no Cinema São Jorge.

Esta obra francesa falada em língua inglesa resulta de uma nova colaboração entre a dupla recorrente  Julien Maury e Alexandre Bustillo (“Leatherface”). 

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“The Deep House”, um sucesso de bilheteira no seu país natal, França, pode ser encarada como um gracejo que ironiza e critica a obsessão com as redes sociais e a partilha de conteúdo por parte de youtubers e influencers. Não obstante, pode também ser interpretada de uma forma mais redutora mas justa: uma história de terror tradicional num setting bem improvável.

De Julien Maury & Alexandre Bustillo, a mais famosa dupla do terror francês, chega-nos um novo género de casa assombrada. Entram os nossos protagonistas: Tina (Camille Rowe) e Ben (James Jagger) . Ben é um jovem apaixonado pela exploração subaquática. Habituado a mergulhar em busca do próximo grande momento, tudo o que o youtuber mais quer é tornar-se famoso, chegar aos milhões de visualizações, e ganhar dinheiro com esta atividade.

Relutante, a sua namorada Tina acompanha-o nas suas aventuras, sejam elas em terra ou não. Um dia aventuram-se num lago francês. numa zona remota, depois de um local lhes transmitir que, no fundo do lago, existe uma casa imersa por explorar. 30 Metros abaixo do solo, Tina e Ben descobrem um grande casarão sombrio onde o tempo parece não passar.

house deep motelx
©MOTELX

Aqui começa o primeiro grande trunfo de “The Deep House”. Não sabemos o que esperar da casa – será uma espécie de “Saw” subaquático, tratar-se-á de um filme acerca de um predador aquático não anunciado na promoção, será uma invulgar e potencialmente única casa assombrada debaixo de água? As hipóteses são muitas, o que espicaça o interesse do espectador.

Eis que, vagarosamente, Tina e Ben exploram a casa até que as suas reservas de oxigénio começam a decair e depressa compreendem que não só estão presos, como não estão sozinhos…sem deixar spoilers relativos ao conteúdo narrativo, é importante reforçar que aqui entra o grande calcanhar de Aquiles de “The Deep House” – a banalidade da sua história central. 

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A casa, tão misteriosa, acaba por apresentar como história de origem uma lengalenga que soa demasiado familiar, fácil e desmontável. Contudo, a vaga trivialidade do enredo não deixa de ser contrabalançada pela particularidade única da localização. A gravação subaquática da vasta maioria das cenas torna este, que se tornou no filme de terror francês mais lucrativo de sempre no seu território, num capítulo na história do terror a não perder.

Por norma, água e terror é sinónimo de tubarões e outras criaturas temíveis. A inversão das expectativas torna “The Deep House” distinto e potencialmente verdadeiramente original – algo quase mítico no saturado campo do terror.

TRAILER | THE DEEP HOUSE NA COMPETIÇÃO DA 15ª EDIÇÃO DO MOTELX

The Deep House, em análise

Movie title: The Deep House

Movie description: Tina e Ben são um casal de jovens youtubers especializados em vídeos de exploração subaquática. Ao mergulhar num lago francês remoto, eles descobrem uma casa submersa em águas profundas. O que era inicialmente uma descoberta única rapidamente se transforma num pesadelo quando percebem que a casa foi palco de crimes atrozes.

Date published: 14 de September de 2021

Country: França

Duration: 85'

Director(s): Julien Maury, Alexandre Bustillo

Actor(s): Camille Rowe, James Jagger, Eric Savin

Genre: Terror, 2021,

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  • Maggie Silva - 72
72

CONCLUSÃO:

“The Deep House” apresenta uma história banal narrada numa localização perfeitamente inovadora. É este o seu grande triunfo.

O MELHOR:

O conceito distinto de qualquer outro no seio do terror.

A gravação subaquática.

O desfecho agridoce.

O PIOR:

A banalidade berrante e imperdoável da história da casa.

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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