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Mundo Jurássico: Domínio, em análise

“Mundo Jurássico: Domínio” já chegou às salas de cinema antecipando uma há muito esperada reunião, mas será isso suficiente para conquistar os fãs?

O último capítulo da trilogia “Mundo Jurássico” estreou no passado dia 9 de junho, dividindo a crítica dos fãs. Será “Mundo Jurássico: Domínio” o final digno para a saga criada por Colin Trevorrow? É o que iremos analisar. Passaram-se 29 anos anos desde que Steven Spielberg nos transportou para “Parque Jurássico”, a adaptação do best-seller de Michael Crichton com o mesmo título. O filme, aplaudido pela crítica e pelo público, acabou por conquistar três Óscares da Academia nas categorias técnicas de Melhores Efeitos Especiais, Melhor Som e Sonoplastia.

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Chris Pratt e Omar Sy com o realizador Colin Trevorrow | © 2022 Universal Studios. All Rights Reserved.

Quando em 2015, o praticamente desconhecido Trevorrow foi apontado como o realizador de “Mundo Jurássico”, um misto de receio e expectativa emergiu. Afinal, a longa-metragem de Spielberg fazia parte do imaginário de miúdos e graúdos por todo o mundo. O filme, apesar de não ter sido capaz de trazer o misticismo do clássico de 93, serviu para apresentar o mundo imaginado por Crichton às novas gerações. O elenco também contribuo largamente para esse fim ao apresentar Chris Pratt, que na altura tinha acabado de estrear “Guardiões da Galáxia,” enquanto o protagonista Owen Grady. E a filha do cineasta Ron Howard, Bryce Dallas Howard, que até então não contava com grandes blockbusters no seu currículo – à exceção da saga “Twilight” -, como Claire Dearing, a coprotagonista desta nova aventura jurássica.

“Mundo Jurássico” repetiu um tanto ao pouco a fórmula de “Parque Jurássico,” com a (grande) diferença de que agora o famoso parque temático já se encontrava, de facto, aberto ao público geral. A primeira aventura vinha recheada de easter eggs, algo que impera em “Mundo Jurássico: Domínio,” mas que acaba por ser um dos seus calcanhares de Aquiles. E aqui começa o grave problema deste último capítulo: o esforço por ligar “Parque Jurássico” a “Mundo Jurássico.” 

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Com um guião um pouco feito aos tropeções, a história de “Domínio” decorre quatro anos após a destruição da Isla Nublar, num mundo onde os Dinossauros agora vivem – e caçam – lado a lado com os humanos. Este equilíbrio frágil irá redefinir o futuro e determinar, de uma vez por todas, se os humanos aprenderam coexistir com outra espécie dominante. Lógico que não existira melhor personagem do que o Dr. Ian Malcolm, interpretado uma vez mais por Jeff Goldblum, para debater o tema. Aliás, a voz de Malcolm foi a escolhida para aguçar a curiosidade dos fãs ao narrar o trailer oficial de “Mundo Jurássico: Domínio.” No entanto, e ao contrário de “Reino Caído,” desta vez o famoso Dr. não veio sozinho.

Um dos grandes trunfos deste derradeiro capítulo, e que estava a gerar grandes ondas de nostalgia e expetativa entre os fãs, era o regresso de Laura Dern e Sam Neill aos seus papéis de Dr. Ellie Sattler e Dr. Alan Grant, respetivamente, refazendo o trio original de 1993. Tendo jogado as cartas certas, Colin Trevorrow poderia ter dado um final épico à saga. Contudo o resultado final acabou por ser (bastante) trapalhão, vivendo maioritariamente das cenas de ação e dos dinossauros que vai exibindo. A aguardada reunião entre as duas gerações quase que dá origem a dois filmes diferentes, cuja história se interliga de forma caótica.

Atenção – a partir daqui existem spoilers!

Se por um lado a história de “Domínio” retoma onde “Reino Caído” terminou, com a ‘libertação’ dos dinossauros para o mundo, por outro também entramos numa nova trama, onde gafanhotos geneticamente modificados substituem os dinossauros. É verdade que o tema da genética sempre foi subjacente aos filmes, mas neste último capítulo é ele que domina, ao contrário das perigosas criaturas que habitaram a Terra há mais de 65 milhões de anos. Assim, gafanhotos gigantes são os culpados pelo fim iminente da raça humana, logo o novo inimigo. E é para o derrotar que Dr. Ellie Sattler e Dr. Alan Grant regressam, 21 anos após “Parque Jurássico III.”

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Laura Dern e Sam Neill com um pequeno Triceratops, a primeira espécie que Ellie viu em “Parque Jurássico” | © 2022 Universal Studios. All Rights Reserved.

Por trás desta experiência está a Biosyn, uma empresa construída para estudos genéticos e santuário de dinossauros. Enquanto líder da investigação está uma cara familiar de todos: Dr. Henry Wu, novamente interpretado por BD Wong, que ganha aqui a sua hipótese de redenção. Wu, agora sob o comando de Lewis Dodgson (ele próprio um easter egg, mas já lá vamos), é o criador da praga de gafanhotos mutantes, cuja solução reside no ADN de Maisie Lockwood (Isabella Sermon) e de Beta, a cria de Blue – a velociraptor de Owen (Pratt). Entretantos à parte, a Biosyn consegue raptar Maisie, o que faz com que Owen e Claire iniciem o resgate da sua ‘filha,’ desencadeando o segundo argumento de “Mundo Jurássico: Domínio.” Ou seja, recapitulando, temos Sattler e Grant a tentar desmascarar a Biosyn, e os últimos a tentar entrar dentro da mesma. É neste cenário que os seus caminhos se cruzam, e em que os homólogos são reconhecidos, uma cena fugaz que merecia maior destaque do que o dado.

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Retomando a personagem Lewis Dodgson, é possível que o nome te soe familiar. Se tal aconteceu, descobriste um dos easter eggs mais bem escondidos de “Domínio.” O agora dono da Biosyn foi na realidade o responsável por desencadear o caos, ainda que indiretamente, de “Parque Jurássico.” Recuando até ao filme de Spielberg, é com Dodgson que Dennis Nedry (Wayne Knight) se encontra na praia de Costa Rica para receber a icónica lata da Barbasol contendo os embriões de dinossauro. Lata que volta a figurar neste terceiro capítulo. A diferença entre capítulos reside apenas no ator, Cameron Thor desempenhou-o em 93 e Campbell Scott assume agora o papel do vilão. Outra oportunidade desperdiçada por Trevorrow, que parece que se limitou a despejar referências à trilogia original.

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Sam Neill com o seu homólogo Chris Pratt e a jovem Isabella Sermon | © 2022 Universal Studios. All Rights Reserved.

Ainda assim, o realizador conseguiu fechar o ciclo tanto das personagens mais recentes, como as anteriores. Um dos pontos a favor do filme e que de certeza que fez o deleite a muitos fãs de “Parque Jurássico.” Falamos da união oficial e tardia de Sattler e Grant, que finalmente decidiu abandonar as suas escavações para estar com Ellie – motivo que os impediu de acabar juntos na saga original. Já Owen e Claire também permanecem juntos, assumindo agora a mais descansada paternidade de Maisie. E, à semelhança dos humanos, também os temíveis dinossauros têm finalmente direito a um final feliz, coexistindo livremente com o pior predador de todos os tempos. Correndo o risco de soarmos como o Dr. Malcolm, não iremos mergulhar a fundo nesta discussão. Vamos limitarmos apenas a aplaudir esta tomada de decisão, e esperando que o conceito de “coexistir” – tão necessário nos dias que correm – transpareça para além do grande ecrã.

Em suma, “Mundo Jurássico: Domínio” reunia todos os ingredientes para assegurar um final épico a esta saga jurássica. A reunião de gerações, que tão bem resultou em filmes como “Caça-Fantasmas: O Legado,” acaba por apenas criar entropia no argumento. A nostalgia que é ver Dern, Neill e Goldblum juntos uma vez mais não é suficiente, ainda que bastante divertida, para salvar este terceiro capítulo.

TRAILER | MUNDO JURÁSSICO: DOMÍNIO ENCERRA A SAGA DE COLIN TREVORROW

Já viste “Domínio”? Partilhas da nossa opinião?

Mundo Jurássico: Domínio, em análise

Movie title: Jurassic World: Dominion

Movie description: A história de "Domínio" decorre quatro anos após a destruição da Isla Nublar. Os Dinossauros agora vivem – e caçam – lado a lado com os humanos e por todo o mundo. Este equilíbrio frágil irá redefinir o futuro e determinar, de uma vez por todas, se os humanos se manterão no vértice dos predadores, num planeta que agora partilham com as criaturas mais perigosas da História…

Date published: 19 de June de 2022

Director(s): Colin Trevorrow

Actor(s): Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Laura Dern, Jeff Goldblum, Sam Neill, DeWanda Wise, BD Wong, Omar Sy, Isabella Sermon, Campbell Scott, Justice Smith

Genre: Aventura, 2022, 147min

  • Inês Serra - 63
63

Conclusão:

Infelizmente, “Mundo Jurássico: Domínio” acaba por ter o mesmo fatídico destino que “Parque Jurássico III”, ao ser considerado por muitos como o pior filme da saga criada por Colin Trevorrow. A aventura tinha tudo a seu favor, mas não conseguiu pôr em prática a fórmula alcançada por outras reuniões. A ação e a nostalgia são os únicos elementos que salvam “Domínio.”

Pros

  • O regresso de Laura Dern e Sam Neill
  • Cenas de ação dinâmicas
  • O desfecho tanto para os humanos, como para os dinossauros

Cons

  • Argumento trapalhão: duas narrativas que se interligam de forma desordeira
  • O aguardado regresso de Dr. Ellie Sattler e Dr. Alan Grant acaba por causar entropia na narrativa
  • Excesso de referências/easter eggs que não permitem que “Domínio” tenha a sua própria história
  • A antecipada reunião entre gerações acaba por ser uma cena fugaz
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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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