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Caça-Fantasmas: O Legado, em análise

“Caça-Fantasmas: O Legado” transporta o legado de “Ghostbusters” para o novo milénio. Será certamente um deleite para os fãs mais dedicados, capaz de atualizar a imagem visual e a narrativa sem perder os ecos do original e prestando forte homenagem ao elenco e enredo do filme dos anos 80. 

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Com todos os “caça-fantasmas” originais de volta para cameos capazes de deliciar os mais dedicados cinéfilos, inclusive com Sigourney Weaver (“Alien”) também de volta para uma pequena participação e até com o realizador do filme de 1984, Ivan Reitman, a regressar como produtor, “Caça-Fantasmas: O Legado” parecia, desde logo, bem mais promissor do que a reinterpretação feminina, “Caça-Fantasmas”, que em 2016 apenas conseguiu atingir consenso no sentido mais negativo da palavra.

Ao leme desta verdadeira sequela, eis que encontramos um nome pouco comum (ou aliás inédito) no universo da ficção científica: Jason Reitman, realizador nomeado a quatro Óscares da Academia e filho do autor do original, mais conhecido pelas suas incursões no reino da comédia dramática, em obras como “Juno”, “Tully” ou “Jovem Adulta”. A missão de Jason aqui era muito evidente, atualizar o universo Ghostbusters, trazendo “Caça-Fantasmas: O Legado” para o presente sem nunca deixar a obra do passado secundarizada.

“O Legado” é na realidade um sub-título que encaixa na perfeição no espírito deste “Ghostbusters: Afterlife”. Profundamente ligada à narrativa dos caça-fantasmas originais, esta é a história familiar de uma mãe, Callie (Carrie Coon de “The Leftovers”), e dos seus dois filhos, a precoce e inteligente pré-adolescente Phoebe (Mckenna Grace, que fez recentemente um brilharete como uma jovem esposa na série “The Handmaid’s Tale”) e o incansável Trevor (Finn Wolfhard, que passa de fingir que é um “ghostbuster” em “Stranger Things” para ser um na realidade).

Caça-Fantasmas: O Legado protagnistas

Quando Callie, Phoebe e Trevor chegam a uma pequena povoação, empobrecidos e com as raízes arrancadas, descobrir uma quinta obscura e mal-tratada não é a melhor herança do seu recém-falecido pai e respetivamente avô. E quem é ele se não, nada mais nada menos, do que um dos “caça-fantasmas” originais. Aqui se traça uma das mais evidentes marcas de homenagem a um herói caído. Harold Ramis, que interpretou o “ghostbuster” Egon Spengler faleceu em 2014. A sua personagem faleceu também no filme, e foi precisamente esse o mote para o arranque da acção.

Ao longo da trama, os dois filhos, especialmente Phoebe, que assume sempre mais protagonismo devido à sua paixão por ciências, vão compreendendo a sua ligação com este caça-fantasmas e Callie vai começando a compreender que talvez o seu pai não a tenha abandonado, antes tendo deixado a família para lutar pela própria sobrevivência da raça humana contra uma ameaça vinda do “outro lado”. Ameaça esta que está a espreitar ao virar da esquina…

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O legado secreto de Egon Spengler é explorado ao longo no filme, nesta aventura que acaba por provar ser energética, divertida e bem ritmada. Aqui, a nostalgia é palavra de honra e um valor máximo sempre presente. Os heróis podem ser outros, mas os “ghostbusters” originais estão todos de volta para abrilhantar o ecrã e esta nova jornada do herói. Quanto aos vilões, são basicamente os mesmos, não fosse esta uma narrativa profundamente influenciada pela de 1984 e que vive, talvez até de mais, do chamado “fan service” – histórias feitas especialmente para fãs e ao serviço dos seus desejos e referências concretas.

O valor de nostalgia acaba, ao fim de contas, por prejudicar ligeiramente este “Caça Fantasmas: o Legado”, tornando-o estranhamente mais interessante para quem nunca tenha visto a obra original. Isto porque a originalidade não é, de todo, um dos valores basilares deste trabalho. Por outro lado, todos os pontos estão alinhados ao longo das duas horas de filme, com sidekickspersonagens secundárias – apelativas e afáveis, como os miúdos com nomes sugestivos Podcast (Logan Kim) ou Lucky (Celeste O’Connor) ou ainda Paul Rudd como o sempre agradável professor de companhia  Grooberson. 

Ghostbusters_Afterlife
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Quanto à estética de “Caça-Fantasmas: O Legado”, esta mantém-se também bastante fiel à “vibe” dos anos 80 (sim, retro é uma palavra justa neste caso). Aliás, com os efeitos especiais da atualidade, pode-se até dizer que os fantasmas têm um aspecto algo tosco ou pitoresco, mas sem dúvida que o mesmo é intencional, uma vez que toda a imagética da obra evoca o passado, as obras de Spielberg e os grandes clássicos fantásticos – de “E.T” a “The Goonies”, passando por tantos outros que marcaram várias gerações.

Os grandes fãs deste franchise podem ainda aproveitar para ler a nossa entrevista exclusiva com o realizador Jason Reitman. 

“Caça-Fantasmas: O Legado” invade os cinemas nacionais a 25 de novembro de 2021 e é uma das mais aliciantes propostas para sessões de cinema familiares no Natal. 

Caça-Fantasmas: O Legado, em análise
Caça-Fantasmas_ O Legado poster

Movie title: Caça-Fantasmas: O Legado

Movie description: Caça-fantasmas: O Legado” conta a história duma mãe solteira e dos seus dois filhos quando estes chegam a uma pequena cidade. Após a chegada, as crianças começam a descobrir a sua ligação com os caça-fantasmas originais e o legado secreto que o seu avô deixou para trás.

Date published: 24 de November de 2021

Country: EUA

Duration: 124'

Director(s): Jason Reitman

Actor(s): Carrie Coon, Paul Rudd, Finn Wolfhard, Mckenna Grace

Genre: Comédia, Aventura, Sobrenatural, Fantasia

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  • Maggie Silva - 75
  • Inês Serra - 80
78

CONCLUSÃO

“Caça-Fantasmas: O Legado” é uma adição válida a este mundo de comédia sobrenatural familiar, particularmente valoroso para mega-fãs que estejam interessados em “Easter Eggs” – literalmente do início aos créditos finais do filme. É também uma sólida e divertida introdução ao universo para os mais jovens, sendo a faixa etário de “ouro” da obra, sem dúvida, a pré-adolescência.

Pros

  • A junção do novo e do antigo elenco.
  • O forte valor familiar.
  • Os mesmos fantasmas com melhores gráficos.
  • Uma aventura com uma protagonista feminina, mas que para isso não precisa de rejeitar os ghostbusters dos anos 80, criando assim um equilíbrio entre o original e a versão feminina de 2016.

Cons

  • O maior pecado de “Caça-Fantasmas: O Legado”” é que se assemelha mais a um reboot do que a uma continuação do clássico de culto dos anos 80. A tecnologia está tão pouco evidenciada que os 37 anos volvidos parecem não ter acontecido, e todos os vilões centrais são os mesmos que haviam atormentado Nova Iorque em 1984. Há, em suma, um tremendo sentimento de déjà vu. 
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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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