Muzz

Muzz é o novo projecto de Paul Banks, dos Interpol

O vocalista dos Interpol formou o super-grupo Muzz com membros dos Walkmen e Bonny Light Horseman. A apresentação ao mundo fez-se com o single “Bad Feeling”.

Os fãs dos Interpol já sabem como é. Um intervalo em média de quatro anos entre cada álbum da banda e um projecto a solo de Paul Banks no entretanto. Passados quase dois anos desde o lançamento de Marauder em 2018, seguido da usual longa digressão e de um (esse inédito) EP, a expectativa adensava. Seria a continuação de um dos vários projectos anteriores? São diversos e distintos (por vezes embaraçosos, como a malfadada mixtape): Julian Plenti em 2009, Paul Banks em 2012, a colaboração com RZA no duo Banks And Steelz em 2016 (da qual se sabe haver um segundo álbum na gaveta). Ou um novo projecto? A resposta chegou hoje e pode ser ouvida mais abaixo. E que bem que soa. Tão bem que esperamos que haja um álbum inteiro de canções de onde esta veio.

Muzz - Paul Banks - Bad Feeling

Os Muzz são um super-grupo que reúne o vocalista, guitarrista e baixista dos Interpol, Paul Banks, o baterista dos Walkmen, Matt Barrick (que tem participado no material a solo de Matt Berninger, dos National), e o nómada multi-instrumentista Josh Kaufman, mais conhecido pelo seu outro, recentemente criado, super-grupo, os Bonny Light Horsemen. No decorrer da última semana, a banda foi disseminando insinuações de que “something Muzzy this way comes…” Imagens numa conta de Instagram, placares no metro de Nova Iorque, clipe de vídeo no estúdio e agora a partilha de uma canção, “Bad Feeling”.

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A canção encontra a voz dos Interpol no seu registo mais folk, mas desta vez o contexto não é tanto o do grupo de rock, replicado por Banks em casa, quanto o da banda de jazz. Este registo não só não lhe é estranho como se pode mesmo defender que lhe é o mais natural. É pelo menos, seguramente, o mais antigo, anterior ainda ao pós-punk dos Interpol. Mas desde que começou a gravar as suas canções – quer as que tinha guardadas no cofre e lançou sob o nome de Julian Plenti, quer as que compôs e editou mais tarde já sob o próprio nome de Paul Banks – a tentativa foi sempre a de preencher o espaço livre da melodia vocal com uma textura densa, psicadélica ou pós-punk.

Agora, em “Bad Feeling”, encontramos uma textura minimalista, de suave beleza, que deixa ouvir a voz com todas as suas subtilezas, quase fragilidades, até desvanecer na voz feminina de fundo e na coda jazzística. O mais próximo deste quase conversacional intimismo que ouvimos aqui talvez ainda sejam os covers de “Stephanie Says” e “Cowgirl in the Sand”, onde nada protege a voz do proverbialmente introvertido Paul Banks. Liricamente, Banks regressa à sua obsessiva consciência do erro e necessidade de redenção: “We all just need a little kindness/ to reach back from those mistakes/ before they can find us”. Tudo para poder dizer adeus a este “bad feeling”, que a melodia tão atraente, mas escorregadia, difícil de agarrar e reconstituir, parece querer exorcizar.

MUZZ | “BAD FEELING”

 

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Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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