Foto de David Passos | © MHD

NOS Alive 22 | Entrevista a Dino d’Santiago

Existem poucos artistas que tenham um enorme impacto além da música. Mas Dino d’Santiago é um desses artistas. A MHD teve à conversa com o músico no dia da sua estreia no NOS Alive 22. 

A música esteve sempre presente na vida de Dino d’Santiago, mas foi no programa de talentos da RTP “Operação Triunfo” (2003) que começou a chamar à atenção. Assim sendo, acabou por envolver-se cada vez mais na música, através do soul, R&B e hip-hop. Anteriormente conhecido como líder do grupo “Dino & The SoulMotion”, passa a chamar-se Dino d’Santiago, como é conhecido em Cabo Verde. Uma homenagem a terra natal dos pais, da ilha de Santiago. Anos mais tarde, em 2018, participa na Final da Eurovisão (em Lisboa), através de um momento criado por Branko. A partir daí, a sua carreira tomou um novo rumo, com o novo álbum “Mundu Nôbu” (2019), onde mistura afro-pop com funaná e batuku. O resultado desse álbum viu-se na primeira edição dos Prémios Play, com as conquistas nas categorias de “Melhor Artista Solo”, “Melhor Álbum” e “Prémio da Crítica”.

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Aliado à carreira musical, o artista luso-caboverdiano preocupa-se com diversos problemas sociais, sobretudo nas questões ligadas ao racismo. Para quem acompanha o trabalho de Dino d’Santiago, apercebe-se das mensagens que as suas músicas transmitem, onde a representatividade é um elemento chave.

No regresso do NOS Alive 22, o músico foi um dos nomes sonantes do Palco Heineken. Mas antes do início do concerto, a MHD teve à conversa com Dino d’Santiago, num dia que certamente recordará com carinho.

[para Dino d’Santiago] Como é que é estar no NOS Alive, na tua estreia absoluta?

DS: Antes de tudo, obrigado [redator] por estares aqui comigo, à Magazine.HD pelo trabalho que tem vindo a fazer e por não deixar a cultura morrer, mesmo quando todos nos achamos que ela vai cair. Para mim é uma honra gigante porque sonhei muito este concerto, foi a primeira peça do que diz respeito à nossa meta e objetivo quando iniciamos essa viagem desde do “Mundu Nôbu” até hoje, até ao “Badiu”. Depois de 2018, o Alive foi a primeira prioridade para nós carimbarmos o nosso som naquele que é o festival mais internacional do nosso país. Finalmente está a acontecer, estou muito feliz, porque sonhamos demais isto. Os meus produtores, um está em São Paulo, e outro está na Aústria, não poderão estar aqui presentes mas está aqui toda a minha estrutura da Sony, da Arruada. Então por eles, vai-me dar ainda mais gosto, porque foi muito tempo investido, este tempo todo foi um estágio até cá chegaremos. Sei que conquistamos muito, e agradeço por tudo que já foi até aqui, mas para mim vai ser um antes e depois deste dia.

NOS Alive 22
Foto de David Passos | © MHD

[para Dino d’Santiago] O que é que o público pode esperar do teu concerto, estando vários anos a ser planeado?

DS: Um concerto desenhado somente para aqui [NOS Alive 22], um concerto diferente de todos os outros que fiz até agora, estrear uma canção nova, mesmo no festival. Nunca tinha feito em lado nenhum, já vinha com as canções, tinham saído e apresentado. Aqui não, vou mesmo estrear uma canção aqui. Quero beber da energia das pessoas, e sinto que vou receber, porque já recebi mensagens de norte a sul do país, e tenho tido um feedback inacreditável. Hoje sinto que vai acontecer aqui aquilo que desejei durante este tempo todo. Para o ano faço vinte anos desta caminhada musical, e hoje sinto que é a grande confirmação que eu sempre quis fazer.

[para Dino d’Santiago] O que é seres um dos poucos artistas portugueses nos palcos principais, o que significa/representa?

DS: Representa que as pessoas realmente já olham para mim, não só como artista português, mas realmente como um artista afro-descendente que se expressa na língua portuguesa, e abraça todas essas nossas influências. Isso faz com que me sinta realmente mais pleno, sinta-me 100% português, como 100% cabo-verdiano, como 200% afro-descendente, que se expressa na língua portuguesa. Vou usar isso da melhor forma possível para que as pessoas também sintam que pertencem a este universo.

NOS Alive 22
Foto de David Passos | © MHD

Após a conversa que tivemos com o Dino d’Santiago, passamos pelo Palco Heineken para assistir ao seu concerto. A área estava “esgotada”, com diversas pessoas a assistirem ao concerto já fora da grande cobertura do palco. Qualquer das formas, ninguém saiu do lugar onde estava, muito por “culpa” do músico. Se o próprio Dino d’Santiago afirmou que queria beber a energia das pessoas, o público tinha toneladas de energia para oferecer. Desde do momento em que o músico sobe ao palco, as milhares de pessoas presentes fizeram-se ouvir o concerto inteiro. Sempre interativo, e sem nunca estar parado, cada música escolhida tinha uma mensagem importante a reter. Foi uma ode à representatividade e à cultura. Para quem decidiu ficar pelo palco principal, perdeu um dos melhores concertos do festival.

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