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“One Night Only” é quiçá a comédia romântica deste verão, estreada num ambiente pautado por uma presença progressivamente mais pequena deste género. A obra chega-nos pela mão de Will Gluck, nome sinónimo da romcom, que nos trouxe títulos como o recente “Anyone But You” ou o clássico adolescente “Easy A”.

O que distingue One Night Only de outros títulos?

Pautado por uma premissa extremamente invulgar e até disruptiva, “Apenas Uma Noite” é a história de amor improvável entre Allie (Monica Barbaro, “Top Gun: Maverick”) e Owen (Callum Turner, “Eternity”), um par extremamente atraente mas que, na boa tradição das comédias românticas, não é abençoado com a maior das sortes no amor. Em particular no desafiante clima social em que vivem desde há três anos atrás.

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Em inglês intitulado como um “high concept movie”, “One Night Only” surge-nos a partir de uma premissa fora da norma, facilmente resumível, e que conduz toda a narrativa. Encontramo-nos num mundo paralelo, nuns Estados Unidos da América parecidos aos existentes na realidade, mas que se pautam por uma diferença significativa: recentemente, o governo americano decretou a proibição de sexo casual entre solteiros.

A única excepção a esta regra debilitante para a socialização humana é “A Noite” – as 12 horas por ano em que pessoas solteiras vêm o seu sensor de pulso virar de vermelho para verde para que, durante esta breve janela, possam envolver-se em relações sexuais. Relações estas ainda assim monitorizadas e apenas permitidas com a devida proteção contraceptiva.

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Callum Turner Monica Barbaro One Night Only
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Na realidade, a premissa de “One Night Only” acaba por nos conduzir para um mundo distópico, situando-nos numa espécie de “terra de ninguém”. Ao fim de contas, não há muitas comédias românticas distópicas. E se tal dá ao filme um ângulo único, também nos pede para aceitar muito, mesmo muito, enquanto espectadores.

Temos de aceitar a premissa, temos de aceitar que alguma vez povo algum se fosse conformar perante tal resolução e temos de aceitar, também, a espécie de paz sexual que reina nesta noite.

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Ou seja, nesta noite da “purga sexual” do filme de Will Gluck, quando chegada a hora, todas as pessoas solteiras procuram um par romântico para este dia especial, mas fazem-no sempre com consenso e um certo grau de respeito. Colocando uma lente mais céptica e realista, privar a humanidade (ou os humanos dos Estados Unidos) de relações íntimas durante 364 dias do ano resultaria certamente em muita violência e abusos nesta noite de levantamento da punição.

Claro que tal visão negra da raça humana está 100% ausente em “One Night Only”, um filme que parte desta realidade extrema para nos entregar uma comédia romântica que na realidade acaba por ser bastante convencional e até por romantizar, de certa forma, o seu conceito.

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Os charmosos Callum Turner e Monica Barbaro em ação

Vemos esta noite devassa através dos olhos de dois românticos incuráveis: Allie, uma cantora de anúncios comerciais solteira e à procura do amor na noite menos romântica do ano e ainda Owen, um dono de pizzaria preparado para pedir a namorada em casamento quando a mesma anuncia que pretende ter relações com outra pessoa durante esta noite de libertinagem.

Allie e Owen vão-se encontrando pela noite adentro, decorrendo o filme maioritariamente durante o período de um único dia. As suas interações, como mandam as regras do género, vão-se pautando por uma espécie de inevitabilidade do encontro, uma e outra vez e, embora interajam com diversos outros pretendentes românticos ao longo da narrativa, existe uma espécie de fio invisível que os continua a juntar.

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Apenas Uma Noite (2026)
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Comparativamente com “Anyone But You” (2023), comédia romântica prévia de Will Gluck, protagonizada por Sydney Sweeney (“Euphoria”) e Glen Powell (“The Running Man”), há que dizer que “One Night Only” constitui uma melhoria significativa.  “Anyone But You” tinha situações românticas mais inverosímeis e pautava-se por uma química pouco palpável entre os seus protagonistas, que embarcaram numa viagem de “enemies to lovers” (inimigos a amantes) sem que efectivamente existisse grande razão para tal.

Em “Apenas Um Noite” vivemos menos de clichés como este e progredimos filme fora dependendo em grande parte do charme e carisma dos seus dois protagonistas, que além de serem muito atraentes, têm química para dar e vender. Além disso, têm uma diferença de idades inexistente e sentem-se, organicamente, como um par romântico mais adequado e realista. Além disso, o seu charme baseia-se acima de tudo em interações positivas, o que é bem mais recompensante para quem vê.

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Will Gluck cortou bastante a versão original de “One Night Only”, de acordo com o próprio, alegando que o público não gosta de ver demasiada pele ou relações íntimas no cinema. Para um filme que se centra numa premissa tão “escaldante”, a longa-metragem final é bastante domada e mostra pouquíssimas situações concretas de cariz sexual – fica-se pela sugestão.

Uma premissa arrojada sem fruição

De certa forma acaba por se coadunar com a sua premissa – a mesma vergonha sexual que levou a que o mandato existisse é a contenção sexual que sequer permite que o filme fosse sequer escrito por Travis Braun. No também em exibição “I Want Your Sex”, Gregg Araki tecia uma crítica à falta de liberdade sexual característica da nova geração. E, talvez, “One Night Only” só possa existir neste mesmo clima. Neste mundo em que as interações humanas começam a afrouxar, onde todos temos os olhos fixados em ecrãs e no virtual, sacrificando relações mais reais.

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Paira por aí, algures, um comentário acídico sobre o estado das relações humanas, mas não é “Apenas Uma Noite” que é capaz de desbravar caminho por aí fora. Não, o filme entrega-nos um mundo alternativo drástico, onde o totalitarismo é reconhecido pelo público, mas onde ninguém nada faz para mudar seja o que for. Um mundo até ligeiramente higienizado.

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Ligeiramente problemática, a história não se preocupa em dar corpo e credibilidade ao seu ponto de partida louco. É só uma artimanha para incutir alguma disrupção, para depois nos deliciarmos com a química entre os atraentes Callum Turner ( o novo homem ideal da comédia romântica) e Monica Barbaro.

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Perante o actual vazio na criação de romcoms, “One Night Only” pode não ser uma produção verdadeiramente valorosa mas é uma entrada no género capaz de entreter (sem nunca provocar). Está nas salas de cinema portuguesas desde 13 de agosto.

One Night Only, a Crítica

Conclusão

  • Com uma premissa inquietante e de difícil assimilação e uma progressão naturalmente caótica, “One Night Only” resulta na medida em que depende largamente do grandíssimo charme dos seus dois protagonistas – Monica Barbaro e Callum Turner.
Overall
6/10
6/10
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