Royal Abbott (Josh Brolin) © Prime Video

Outer Range | Entrevista ao criador da série Brian Watkins

Falámos com Brian Watkins, o criador da nova série da Prime Video “Outer Range” protagonizada por Josh Brolin e Imogen Poots. 

A Amazon Prime Video continua a apresentar as melhores séries de entretenimento. Para 2022, um dos grandes destaques é “Outer Range“, uma série produzida pela Plan B Entertainment. Ou seja, falamos de um projeto que tem Brad Pitt, Dede Gardner e Jeremy Kleiner como produtores, os mesmos nomes por detrás de “12 Anos Escravo” (Steve McQueen, 2013) e “Moonlight” (Barry Jenkins, 2016), ambos vencedores do Óscar de Melhor Filme.

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Trailer de Outer Range

Com “Outer Range”, os produtores pegaram num dos géneros mais amados nos Estados Unidos e que fará os espectadores pensar sobre a terra e a família. “Outer Range” é, na realidade, uma série de western sobrenatural, que muitos espectadores encontrarão aproximações a “Westworld” ou a “Yellowstone”. O protagonista desta série é nada mais nada menos que Josh Brolin, que dá vida ao patriarca da família Abbott, abalada pela desaparecimento da sua nora. A ele juntam-se Imogen Poots (“I Know This Much is True”), Lili Taylor (“Perry Mason”), Tamara Podemski (“Four Sheets to the Wind”), Lewis Pullman (“Top Gun: Maverick”), Tom Pelphrey (“Ozark”), Noah Reid (“Schitt’s Creek”), Shaun Sipos (“Krypton”), Isabel Arraiza (“The Little Things”), Olive Abercrombie (“The Haunting of Hill House”), e Will Patton (“Yellowstone”). Para conhecermos mais sobre este projeto o melhor que tínhamos a fazer era entrevistar Brian Watkins, criador, argumentista e produtor deste projeto que promete conquistar os fãs do género e os amantes das melhores séries da televisão.

Brian Watkins é um nome relativamente desconhecido nos EUA e em Portugal e “Outer Range” é efetivamente o seu primeiro projeto. Curioso como alguém como Watkins sem nenhum currículo em Hollywood é capaz de chegar longe com este projeto. Pega no género e transporta-nos para a América nos dias de hoje, com comentários interessantes sobre família, religião, comunidade, sexualidade e etnias. “Outer Range” é um dos projetos que certamente mais ouviremos falar ao longo de 2022. Segue com a leitura da nossa entrevista com o cineasta.

Brian Watkins
Billy Tillerson (Noah Reid), Luke Tillerson (Shaun Sipos), Rhett Abbott ( Lewis Pullman), Perry Abbott (Tom Pelphrey), Royal Abbott (Josh Brolin) © Prime Video

MHD: Como é que tiveste a ideia para “Outer Range” e de onde partiste até ela chegar à série que veremos a partir do dia 15 de abril na Prime Video?

Brian Watkins: Claro. Para mim o Oeste sempre foi um lugar refleto de histórias onde podes caminhar até junto das árvores e contemplar o interior de uma floresta, sentindo que estás a entrar noutro mundo. Para mim o western funciona muito dessa maneira, um lugar onde os exteriores realmente informam os interiores.

A partir daí surgiu a ideia de uma história de um dono de uma fazenda em Wyoming, que se depara com um vazio metafísico na sua propriedade e põe em movimento uma cadeia eventos catastróficos. E a partir desses eventos, vemos como os vazios de dentro da sua alma são revelados e, portanto, da sua família também. Foi assim que desenvolvi a minha ideia e sentia que a tinha de colocar em prática. Acho que a história foi, pouco a pouco, ganhando forma a partir de cada página. Considero que “Outer Range” é uma história muito pessoal nesse sentido. Mas acho que também é uma trama sobre pessoas reais a lutar contra o desconhecido.

MHD: As personagens encontram este vazio num sítio remoto. Os espectadores mais familiarizados com a série “Twin Peaks” de David Lynch sentirão essa energia?

Brian WatkinsSim, sem dúvida. Acho que enquanto criador de uma série tenho a tarefa de atuar num plano desconhecido, mas sem dizer que aquilo que será contado é de um universo extraterreste. Tomo em consideração que tudo é terrestre, que tudo faz parte do Planeta Terra, e que ganha vida entre os nossos pés.

Acho que encontrar o outro mundo neste mundo, pode abranger desde um humor irónico, até um thriller de mistério à tragédia mais operística. Às vezes são todas essas coisas ao mesmo tempo. Aquilo que as famílias estão a passar na série é tão absurda e hilário quanto operacionalmente, trágico. A série realmente faz grandes esforços para ir de um lugar que é um thriller de mistério apertado que se transforma em um lugar operístico.

Brian Watkins
Royal Abbott (Josh Brolin) © Prime Video

Eu acho que, que a ficção científica ou os elementos estranhos do género, também têm um coração pulsante por trás deles, que há algo profundamente pessoal. E com alguma sorte, “Outer Range” será também um drama que fará as pessoas sorrirem. Acredito que é isso que tentei alcançar nestas proporções mais estranhos e arejadas da série. Claramente, o David Lynch é uma referência maravilhosa e acho que se deve principalmente a essa atmosfera enigmática de “Twin Peaks”.

MHD: Aquilo que vemos na série é sobretudo espaços praticamente infinitos, que deve muito o seu trabalho à direção de fotografia. Como é que aproveitou a paisagem para brincar com os segredos do enredo?

Brian Watkins:Sinto que o caminho numa floresta ou numa fazenda é mesmo como entrar noutra dimensão. Acho que esse é o sentimento imponente do Oeste, onde filmamos no Novo México é na verdade conhecida como a “Terra dos Feitiços”. “Outer Range” faz essa pergunta para si mesmo, do que aconteceria se um mundo mundo desencantado tropeçasse entre os feitiços. A paisagem revela-o. A paisagem respira-o. Para as personagens, o buraco que vão encontrar no meio do nada é uma força que vai querer ser libertada, é algo que vai querer influenciá-los e eles farão de tudo para não se deixarem moldar.

A paisagem vai sempre evocar mais profundidade e mistério à vida do que a explica. Dá essa perspetiva de que tudo é grande e amplo, que é ainda o esperamos que aconteça com os aspectos emocionais de “Outer Range”.

MHD: Nesta primeira temporada existe um fim específico para a história que será contada? Poderemos esperar por novos desenlaces?

Outer Range
Royal Abbott (Josh Brolin) © Prime Video

Brian Watkins: Por enquanto vamos aproveitar a primeira temporada. Com alguma sorte ela fará efeito no público, que é aquilo que esperamos que aconteça. Estamos empolgados por finalmente revelar a série para o mundo. Vamos ter que esperar e ver qual a reação do público antes sequer de decidir continuar com uma possível segunda temporada.

MHD: Do ponto de vista do escritor, quão difícil foi equilibrar esses dois elementos principais entre o que é do domínio do terreno e aquilo que pode ser do domínio do desconhecido, senão mesmo do metafísico?

Brian Watkins: Procurei escrever os momentos em que ambas temáticas se agarraram uma à outra. Queria que se tornassem na mesma coisa. Para mim a sensação de estar no oeste é tão emocionante quanto aterrorizante. Mas também são partes iguais. maravilhoso e estranho. O oeste é o tipo de lugar que pareces conhecer totalmente, mas é também um lugar onde facilmente te poderás perder, como acontece com as montanhas do Parque Nacional de Grand Teton em Wyoming. É um lugar tão surreal que, podes até estar perdido, mas se olhares bem vais perceber um bar. Vais entrar ali e conhecer a pessoa mais peculiar e fascinante.

Enquanto estava no processo de pré-produção para “Outer Range” isso aconteceu comigo. Estava lá em Wyoming, a conhecer pessoas, a ver amigos. Uma vez entrei num bar às 11h e a única pessoa que ali encontrei foi um cowboy muito velho com uma garrafa de cerveja e um cupcake na frente. Conversei um pouco com ele e ele acabou por se transformar numa personagem da série, e o nome dele é cupcake. Portanto, o Oeste pode ser esse lugar que é igualmente árido, estranho e seco, como também engraçado, bonito. É dessa forma que espero que “Outer Range” se conecte com o público. Se é que faz algum sentido.

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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