Top 10 Tarantino | 3. O fato azul de Django

 

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Apesar da sua fúria justiceira, o mais memorável figurino de Jamie Foxx em Django Libertado é também o seu mais ridículo, um gritante traje de pajem azul.

 

Filme em que apareceu: Django Libertado (2012)

Ator que vestiu: Jamie Foxx

Figurinista: Sharen Davis

 

quentin tarantino django libertado jamie foxx

Apesar de claramente estilizado, este figurino é bastante baseado em volta de fontes históricas, sendo que em termos de silhueta este figurino é uma admirável reprodução de certos estilos de traje de pajem que são poucas vezes vislumbrados em filmes de época. É claro que a esta base histórica se acrescentou uma multitude outras escolhas estilísticas tornando Django numa visão de exuberante pastiche inspirada pelos spaghetti westerns dos anos 60 e 70.

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Mesmo que levemente inspirado pela pintura “O Rapaz de Azul” de Thomas Gainsborough e descrito no guião como azul-pálido, Sharen Davis decidiu criar este memorável figurino numa cor bastante mais intensa, recorrendo a um tecido vintage dos anos 70 que, ao absorver a luz, aparece com uma formidável intensidade quando capturado em filme, fazendo com que Django se destaque em cada plano, como uma joia luminosa de fúria justiceira e levemente ridícula na sua aparência.

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Segundo as próprias palavras da figurinista, este foi, curiosamente, o figurino mais fácil de desenhar e acabou por se tornar no favorito de Jamie Foxx. É difícil discordar com o gosto do ator quando confrontados com a glória de Django a chicotear um esclavagista enquanto aparece vestido com as primeiras roupas que pode escolher para si mesmo desde que foi libertado. Neste gritante traje, Jamie Foxx torna-se o anjo vingativo de Django Libertado de Quentin Tarantino e consegue tornar-se numa das mais memoráveis presenças e imagens em toda a filmografia deste celebrado autor.

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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