The Killers

Rock in Rio Lisboa | No terceiro dia chuvoso os The Killers foram reis

No dia de homenagem a Zé Pedro, a chuva foi uma constante no Rock in Rio Lisboa. Mas nem o tempo ameaçou o espetáculo protagonizado pelos The Killers e, mais tarde, continuado pelos The Chemical Brothers.

No terceiro dia do Rock in Rio Lisboa a chuva foi o elemento constante. Embora os alertas meteorológicos tenham antecipado um cenário bastante diferente do vivido no primeiro fim de semana do festival, a chuva não deu tréguas durante o final da tarde do dia em que menos pessoas se deslocarem ao evento.

A multidão era menor, mas as 55 mil pessoas presentes no recinto estavam entusiasmadas o suficiente para aproveitar o dia mais dedicado ao rock e eletrónica. É certo que poucos resistiam nas filas da frente para o Palco Mundo, mas eram muitos os que aproveitavam as atividades disponíveis na Cidade do Rock. A sexta-feira foi o dia perfeito para quem quisesse andar na roda gigante ou experimentar o slide, assim como visitar os modelos de dinossauros do Dino Parque da Lourinhã ou ganhar os brindes dos diversos stands presentes no recinto.

Rock in Rio Lisboa

Se nos dias anteriores não faltavam camisolas referentes aos artistas que subiriam ao palco, na sexta as t-shirts estavam escondidas pelas capas da chuva que pintavam a audiência. Mas o que não faltou foi o entusiasmo dos presentes que cantavam com James.

Os britânicos, que já fazem parte da família portuguesa, abriram o Palco Mundo num concerto em que ninguém ficou indiferente à energia contagiante de Tim Booth. Se os fãs fiéis choravam nas primeiras filas, os espectadores que desconheciam as músicas não ficaram indiferentes e cantaram os êxitos da banda, como “Sit Down” e “Getting Away With It (All Messed Up)” e “Laid” (que, por insistência de Booth, teve de ser recomeçada por problemas de som). No espetáculo houve também espaço para uma “tirada” política e uma chamada de atenção ao público: “I want to see your faces, not your Samnsungs or iPhones. Do you want to live in the memory or do you want to live in the moment?”.

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Depois de James, aguardava-se um dos concertos mais esperados desta edição do Rock in Rio Lisboa. A oitava vez que os Xutos e Pontapés subiriam ao Palco Mundo seria a primeira após a morte de Zé Pedro. Mas o emblemático guitarrista não foi esquecido pelos fãs, que envergavam cachecóis com o nome do artista, nem pela banda que foi recordado em diversos temas, principalmente em “Não sou o Único”. Na nova canção “Mar de Outono” foram apresentadas fotografias da juventude da banda e na “Para ti, Maria” foi exibido um vídeo de Zé Pedro numa das atuações no Estádio do Restelo.

No entanto, a homenagem maior ficou para o final. Quando a chuva caía sem cessar e os milhares de pessoas continuavam a celebrar as décadas de carreira dos Xutos & Pontapés, Tim agradeceu a Marcelo Rebelo de Sousa (que já se encontrava na plateia a assistir ao concerto) pelo apoio e aproveitou para chamar ao palco familiares, amigos e convidados especiais para cantarem “Minha Casinha”. Das dezenas de convidados figuravam Catarina Martins, António Costa, Raquel Tavares, Júlia Pinheiro, Maria Rueff e Pauleta.

Rock in Rio Lisboa

Com a chuva a começar a dar tréguas, começavam também a juntar-se mais pessoas no Palco Mundo para assistir aos  cabeças de cartaz. E os The Killers não desapontaram com um extraordinário espetáculo, fazendo valer a espera de quem guardava lugar nas filas de frente.

Se “The Man”, primeiro single do mais recente álbum “Wonderful, Wonderful”, abriu as hostes do espetáculo, foram com as músicas seguintes – “Somebody Told Me” e “Spaceman” – que a Cidade do Rock começou a vibrar. Mas a festa fez-se valer muito pelo seu protagonista: Brandon Flowers. O vocalista cantou, dançou, falou português, e ainda reconheceu que a banda demorou muito tempo para regressar a Portugal.

O alinhamento foi escolhido a dedo com um reportório que inclua os hits dos primeiros álbuns juntamente com os mais recentes singles: “Shot at the Night”, “Read My Mind”, “Run for Cover”, e “For Reasons Unknown”. O público acolheu o espetáculo sempre a cantar em uníssono, principalmente nos refrões de “Runaway” e “All These Things That I’ve Done”, no qual “I got soul, but I’m not a soldier” se tornou no mote da noite. Mas o ponto alto do espetáculo estava guardado para o encore, quando os 55 mil presentes no recinto cantaram numa só voz “Human” e “Mr. Brightside”.

Rock in Rio Lisboa

Já sem chuva, a dupla Ed Simons e Tom Rowlands foi responsável por levar a música eletrónica ao Palco Mundo. E os britânicos foram a escolha certa para encerrar o terceiro dia do festival. Com um espetáculo visualmente ambicioso, os The Chemical Brothers apresentaram-se como “uma máquina bem oleada”, puxando sempre pelo público que, embora em menor público, ainda continuava no recinto.

As luzes, as músicas e as imagens e vídeos rodopiantes e sempre diferentes apresentados por trás da dupla assaltavam os sentidos do público, que dançavam ao som dos seus temas remisturados. Além das mais recentes “Go” e “Swoon”, não faltaram as populares “Do It Again”, “Hey Boy Hey Girl”, “Galvanize” ou “Saturate”. Temas que funcionaram como um antídoto para a emoção e chuva que se viveu no terceiro dia do Rock in Rio Lisboa.

Fotografias: Rock in Rio Lisboa

A edição deste ano do Rock in Rio Lisboa decorreu nos dias 23, 24, 29 e 30 de junho, no Parque da Bela Vista em Lisboa. 

Catarina Fernandes

Mestre em Ciências da Comunicação e fotógrafa amadora. Seriófila compulsiva e apaixonada por literatura, assim como pelo cinema e pela sua história. (Extremamente) Viciada em música e concertos.

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