Rogue One: Uma História de Star Wars, em análise

Rogue One é um “Tour de Force”, que não precisa de seguir as pisadas do seu antecessor para brilhar por mérito próprio.

Parece impossível, que já tenha passado um ano desde “O Despertar da Força”, mas “Rogue One” ainda recua mais atrás na sua linha temporal, fixando-se mesmo na génese da sua criação. Os mais astutos, certamente que já acusaram a estranheza omissiva da habitual numerologia episódica que, de igual modo, apaga das estrelas o mítico texto introdutório que outrora discorria pelo espaço. Contudo, Rogue One não se quer desfasado da sua história, pese embora o seu cariz mais independente, camuflando-se aqui de episódio três e meio para suprir as lacunas de um enredo em constante mutação ideológica e cronológica. Não queremos com isto afirmar, que Rogue se perca numa tal idiossincrasia aparentemente desfavorável, mas quem estava à espera de acompanhar os novos destinos de Rey e companhia, bem pode esperar sentado.

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Mas nem tudo são más notícias, sobretudo para os fãs mais puristas, já que esta nova entrada na trama das Estrelas vem levantar o véu sobre a origem da poderosa máquina destrutiva do Império, a Estrela da Morte, preservando a heroína precursora destes novos ventos para o franchise. E ela é Jyn Erso (Felicity Jones), uma aguerrida rebelde que cresceu com o estigma de ser  filha do criador da arma imperial, Galen Erso (Mads Mikkelsen). Mas antes de Jyn ser dona do seu nariz, o prólogo remete-nos para a sua trágica infância, focalizando o dia fatídico em que o Diretor Krennic (Ben Mendesohn) levou o seu pai pelo braço direito da sua escolta negra.

Rogue One não se quer desfasado da sua história, camuflando-se aqui de episódio três e meio para suprir as lacunas de um enredo em constante mutação ideológica e cronológica.”

Anos mais tarde, Jyn é apanhada num desses campos de trabalhos forçados por uma fação da Aliança Rebelde, incumbindo-lhe a missão hercúlea de neutralizar a dantesca invenção do seu progenitor. Claro que, “a one woman show” seria abusar da boa vontade de um elenco já de si tão voluntarioso, que não se acanha na hora de reciclar um veterano “Han Solo” num arrojado espião insurgente como o Capitão Cassian Andor (Diego Luna); um fala barato C-3PO num corajoso e assertivo dróide na voz açucarada de Alan Tudik; ou um destemido “Starfighter” como Poe Dameron num trepidante piloto de Jedha, Bodhi Rook (Riz Ahmed).

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Mas a turma heterogénea não se fica por aqui, ainda conta com o líder de uma ala fanática da Resistência, Saw Guerrera (Forest Whitaker) e os seus acólitos: Chirrut Imwe (Donnie Yen), um monge invisual instruído em artes marciais e o seu guarda-costas de alta cilindrada, Baze Malbus (Wen Jiang). Estes são, os intérpretes da rebeldia de Jyn, a cauda da “Poeira Estelar” que o guião pretendeu unificar nesta incursão suicida tão complacente com aquele espírito familiar de camaradagem e lealdade.

“(…) A direção terrena de Gareth Edwards, que trás na bagagem de “Monsters” e “Godzilla” as ferramentas menos CGI, aquelas que conferem cheiro e textura a um universo já de si imaginário.”

E é neste ambiente altruísta, que as personagens transpiram toda a sua essência no campo de batalha, aonde emerge esta Jyn agressiva e desconfiada que, de repente, se deixa tocar por um robô valente de língua afiada, ou até por um Capitão, que instiga a uma certa fragrância de romance. Mas são estas dinâmicas representativas que alimentam o coração de Rogue, atiçado pelos deliciosos amoques megalómanos e ulteriormente frustrantes de Krennic.

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E se o domínio emocional parece tão palpável, em muito contribui a direção terrena de Gareth Edwards, que trás na bagagem de “Monsters” e “Godzilla” as ferramentas menos CGI, aquelas que conferem cheiro e textura a um universo já de si imaginário. Para o efeito, Edwards recorreu a este animal de lente usada no Ben-Hur original em justaposição com as IMAX topo de gama, que ajudam a captar aquela crueza das montanhas soturnas islandesas, aquela aspereza dos desertos jordanos, ou aquela luxúria verdejante das Maldivas. Mas se a fidelidade das paisagens não podia carecer de um certo filtro vintage, a praticalidade dos sets e as maquilhagens das criaturas, todas elas, concorrem para a credibilidade desta, cada vez mais, ópera espacial.

“(…) São estas dinâmicas representativas que alimentam o coração de Rogue, atiçado pelos deliciosos amoques megalómanos e ulteriormente frustrantes de Krennic”.

Ausentes estão os diálogos floreados e politiqueiros de cariz shakespiriano, que aqui privilegiam o tom belicista da dança dos lasers coloridos, Walkers com passada de elefante, X-Wings em looping, e tudo o que mexe com potencial para matar. E apesar de Edwards arrepiar caminho bombardeando-nos com os estilhaços dessa ação in loco, os atos continuam a sobrepor-se às palavras, levando-nos a marchar visualmente nesta corrida aventuresca de octanas elevadas ao som imperativo de Michael Giacchino.

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Rogue One é um filme intenso e robusto, que vem oferecer mais um “closure” antológico antes de embarcar para o futuro. Podemos, portanto, considera-lo um spin-off, já que encerra um capítulo isolado que, para variar, até possui um fim deveras satisfatório, ao invés de nos deixar sempre no precipício do suspense. Rogue One é um filme com alma, um que começa e só termina quando a poeira estelar assentar, e dizêmo-lo no sentido mais literal possível.

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P.S. – May The Force Be With You…

O MELHOR – As interpretações quentes, emotivas e gratificantes de Felicity Jones (Jyn), Diego Luna (Cassian), K-2SO (Alan Tudyk) e Ben Mendelsohn (Krennic); a intensidade da ação em cenários reais com uma cinematografia mais terrena e menos artificial; uma história com um final que não deixa o espetador pendurado.

O PIOR – Alguns problemas com a cadência da ação; sonoplastia por vezes dessincronizada ou com o timing errado; diálogos sem grande conteúdo.

 


Título Original: Rogue One: A Star Wars Story
Realizador:  Gareth Edwards
Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Alan Tudyk, Ben Mendelsohn, Forest Whitaker
NOS | Sci-fi | 2016 | 134 min

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MS

Miguel Simão

Jurista e Poeta em algumas horas vagas. Cinéfilo incurável com forte pancada pelo sci-fi, que se perde algures pelo vício noturno de umas quantas séries televisivas de renome; amaldiçoado pelo perfecionismo estético de uma resma de palavras mais ou menos caras. Podem encontrar-me a divagar entre a Terra e o Espaço no meu blogue premiado Última Transmissão Humana.

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