RTP2 estreia filme japonês vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival de Veneza
O cinema de grande qualidade está sempre na programação da RTP2. Assim, vai estrear no canal público dentro de dias um filme japonês vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival Internacional de Cinema de Veneza.
Do realizador Ryûsuke Hamaguchi – vencedor do Óscar de Melhor Filme Internacional com “Drive My Car” (2021) – chega-nos outro filme premiado ambientado numa aldeia perto de Tóquio: “Evil Does Not Exist – O Mal Não Está Aqui” (2023).
Qual a narrativa de Evil Does Not Exist – O Mal Não Está Aqui?

Está prestes a estrear na RTP2 o filme japonês “Evil Does Not Exist – O Mal Não Está Aqui”. A longa-metragem conta a história de um pai e da sua filha – Takumi e Hana – que vivem numa aldeia perto de Tóquio em harmonia com a natureza. Contudo, quando surge um projeto de construção de um parque de ‘glamping’ – campismo de luxo –, a comunidade fica preocupada. Esta obra irá, pois, interferir no abastecimento de água e alterar profundamente a vida de quem ali mora.
“Evil Does Not Exist – O Mal Não Está Aqui” é um filme contemporâneo sobre o preço que pagamos por desrespeitar a natureza, transmitindo uma mensagem familiar, mas de grande impacto.
A receção deste bonito filme foi enorme aquando da estreia no Festival de Veneza onde obteve uma ovação de pé de oito minutos. Viria a receber o Grande Prémio do Júri, o Prémio FIPRESCI (da federação dos críticos de cinema) e outras três menções especiais.
Quando estreia o filme na RTP2?
“Evil Does Not Exist – O Mal Não Está Aqui” vai estrear na RTP2 já este domingo 1 de março às 22h30, logo após a exibição de mais um episódio da série “Extra.” (2025, Jonathan Hazan e Matthieu Bernard).
Os protagonistas Takumi e Hana são interpretados por Hitoshi Omika e Ryo Nishikawa. A eles juntam-se ainda nomes como Ryuji Kosaka, Ayaka Shibutani, Hazuki Kikuchi, Hiroyuki Miura, Yûto Torii, Taijirô Tamura, entre outros.
O que disse o realizador do filme?
Antes do filme ter a sua estreia televisiva na RTP2 e a estreia comercial nas salas de cinema, “Evil Does Not Exist – O Mal Não Está Aqui” teve a sua antestreia no LEFFEST – Lisboa Film Festival. Nessa ocasião, o realizador Ryûsuke Hamaguchi esteve presente e falou à organização do evento. Podes ver a conversa na íntegra no vídeo acima e ler o excerto da conversa transcrita aqui.
Destacamos do discurso de Ryûsuke Hamaguchi: “Durante o período de pesquisa quis perceber o que estava a acontecer na vida real, ou seja, as pessoas da cidade a falar sobre o projecto de ‘glamping’ — foi assim que consegui a história, a partir de experiências reais. Cerca de 90% do argumento já estava pronto quando comecei a filmar. Uma coisa que mudei durante as filmagens foi quando o assistente de realização encontrou os ossos do veado bebé, então aí fiz algumas alterações. Depois de terminarmos as filmagens, a compositora, Eiko Ishibashi, fez a música da cena de abertura. Então acaba por ser uma espécie de correspondência que fiz com a Ishibashi, entre a música e o filme.”
O realizador abordou ainda o trabalho de som e música deste filme da RTP2: “O filme em si é filmado em pequenos movimentos, assim como a música de Eiko é sobreposta em pequenos sons. Então, convido o espectador a assistir ao filme, ouvir a música, deixar-se levar, e depois corto abruptamente. Assim a percepção dos espectadores aumenta, quando a música é cortada abruptamente. A capacidade de sentir o ruído ambiente, o som ambiente, fica muito aumentada por causa desse corte. Para dar vida a uma cena. Isto é o que fazia muitas vezes Godard.”
A opinião da Magazine.HD sobre este filme da RTP2
Sugerimos-te ainda a leitura da nossa crítica. João Garção Borges destaca: “Para sintetizar esta parábola socio-ecológica, Ryûsuke Hamaguchi empurra-nos para a pura abstracção, como quem deseja afirmar que nenhuma das suas personagens, quer as mais singelas quer as menos recomendáveis, prevalece intacta perante a força sublime mas bruta da Natureza. E aquele arfar que ouvimos na banda sonora? Será mesmo o respirar ansioso das personagens ou será o simulacro de uma potencial alucinação do espectador?”

