Julia Duarte e Markus Duffner © Spamflix

Spamflix | Entrevista aos fundadores Julia Duarte e Markus Duffner

A MHD apresenta uma conversa alternativa com Julia Duarte e Markus Duffner, os responsáveis pela plataforma de streaming Spamflix.  

Talvez não sejam os melhores dias para a distribuição em salas de cinema, mas o streaming e o video-on-demand continuam a ganhar algum terreno em Portugal, essencialmente algumas plataformas mais pequenas como é o caso da Spamflix. Nascida em 2018, pelas mãos de Julia Duarte e Markus Duffner, a Spamflix apresenta agora uma app para telemóveis, permitindo assim chegar aos diferentes públicos que gostam de ver filmes em “ecrãs mais pequenos”.

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Alguns dos títulos disponíveis na Spamflix © Spamflix

Na verdade, a plataforma de streaming Spamflix distingue-se, em quase tudo, daquelas já existentes como o caso da Netflix, da HBO Portugal ou da Filmin.

Primeiro, a maioria dos filmes que poderás assistir nesta plataforma são filmes de culto, avant-garde e bastante surreais. Todos os filmes no seu catálogo partilham esta distância do realismo e trabalham elementos com algo de non-sense e absurdo. Segundo, não exigem o pagamento de uma mensalidade fixa, e o espectador-utilizador paga apenas pelos filmes que quer efetivamente ver. Se estavas à procura de uma plataforma com estas características, então a Spamflix é para ti. Com ela, ampliarás o teu dicionário cinematográfico e conhecerás ainda mais o que significa ser ousada e inovador na tão diversa sétima arte.

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Enfim, para descobrires um pouco melhor a Spamflix, a Magazine.HD falou com os seus fundadores e responsáveis, a brasileira Julia Duarte e o italo-alemão Markus Duffner que procuram marcar a diferença no mercado. Ambos explicam como a funciona a oferta da plataforma VoD, presente em quase todos os países do mundo. As suas palavras nesta entrevista são tudo menos spam, por isso não passes ao lado e segue com a leitura.

MHD: O que distingue a Spamflix das restantes plataformas de streaming existentes no mercado português? Qual a razão do seu nome ser precisamente Spamflix?

A Spamflix é o que poderíamos chamar de uma plataforma de nicho, ela tem uma linha editorial bastante específica em torno do cinema de culto e acreditamos que esta é a sua principal diferenciação em relação às restantes. Ainda que o nome, à primeira vista, possa soar estranho, e talvez remeter aos tão conhecidos correios indesejados, a nossa intenção por um lado foi esta mesmo… de causar estranhamento. Mas acima de tudo, quisemos homenagear os Monty Python, evocando o SPAM sketch, em que um homem fica repetindo essa palavra sem parar. A ideologia nonsense por trás deste quadro humorístico é justamente o fio condutor da nossa plataforma.

Julia Duarte
Julia Duarte, a brasileira responsável pela Spamflix © Spamflix

MHD: Porque razão não há uma mensalidade obrigatória na Spamflix como acontece noutras plataformas de streaming como a Netflix, a HBO ou a Filmin?

Há duas razões para isso, a primeira tem a ver com uma questão logística, a outra mais ideológica. Somos uma plataforma bastante independente, com poucos títulos, o que dificulta criar um modelo de negócio por assinatura. Depois e acho que mais importante, acreditamos que o modelo de streaming de filmes chegou totalmente para ficar, mas as pessoas não vão assinar milhões de plataformas mensais. Talvez elas assinem uma ou duas com mais conteúdo, ou que se identifiquem mais, e depois vão atrás de filmes específicos, ou daquilo que mais lhes interessa. A nossa ideia não é fidelizar o nosso público, porque ele está “preso” ao nosso conteúdo, mas sim pela via da identificação com a nossa linha editorial.

MHD: Os filmes de culto e avant-garde são tradicionalmente exibidos em festivais de cinema e também projetados nas casas nacionais do cinema, como acontece em Portugal com a Cinemateca Portuguesa. Em que sentido pode a Spamflix ser uma alternativa para os espectadores desses estabelecimentos?

Nós, na realidade, não pretendemos ser uma alternativa a estes espaços, uma vez que a experiência de ir ao cinema é insubstituível, especialmente em cinematecas e em cineclubes, além de que a projeção no grande ecrã possui a vantagem de ser um ponto de encontro da cinefilia. Temos planos inclusivamente de trabalhar em parceria com as salas. O que pretendemos é ser um plataforma complementar. Como outrora havia os videoclubes, que os espectadores iam para ver os filmes clássicos, ou os filmes que haviam perdido no cinema, ou os filmes que nem sequer estreavam.

MHD: A Spamflix nasceu em 2018, mas só agora teve direito a uma app para dispositivos móveis. Podem contar-nos os motivos para o nascimento da app, além de todo o processo relacionado com esse trabalho?

Novamente tem a ver com o facto de sermos independentes e termos entrado num negócio que ainda é bastante incerto para muita gente. Atualmente, estão a surgir cada vez mais plataformas, mas quando começamos a idealizar a Spamflix, em 2014, não haviam tantas. Então passámos este primeiro ano e pouco, em que já estávamos online, mais focados na criação do nosso catálogo, para depois lançar a app e atingir um público maior.

MHD: Antes da Spamflix o vosso percurso profissional esteve relacionado com festivais de cinema. Qual são as vantagens e desvantagens de trabalhar em festivais em comparação com uma plataforma de streaming?

Markus Duffner
Markus Duffner, italo-alemão responsável pela Spamflix © Spamflix

A nossa trajetória em festivais passou pela parte de programação, mas também pela parte dos eventos relacionados com o mercado de cinema e à indústria. Isto, permitiu-nos estar em contacto com inúmeros distribuidores internacionais, agentes de venda, o que nos ajudou muito a criar a plataforma. O festival tem a vantagem e desvantagem ao mesmo tempo de ser um evento com data para c e terminar. Se, por um lado, dá a sensação de um trabalho realizado, por outro deixa também saudades do encontro com as pessoas, com o público, ou dos filmes ali exibidos…

Já uma plataforma é mais permanente, e mais abrangente também. Não vemos os rostos do nosso público, mas ao mesmo tempo pode ser qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. E os filmes também estão lá por um tempo indeterminado, então temos que cuidar deles como se fosse para sempre…

MHD: Que filmes consideram de visionamento obrigatório para os usuários da Spamflix?

Nós não gostamos de indicar filmes, pois como a Spamflix é uma plataforma com curadoria, acreditamos bastante em todos os nossos filmes. Mas talvez para entender o que queremos dizer com a ideologia nonsense e filmes de culto valha assistir “Symbol”, do Hitoshi Matsumoto, “The Legend of Kaspar Hauser”, de Davide Manuli ou “Wrong Cops”, de Quentin Dupieux ou ainda a retrospetivas como do cineasta britânico Alex Cox ou o núcleo brasileiro Filmes do Caixote, que contém filmes como “Boas Maneiras”, de Marco Dutra e Juliana Rojas, vencedor do prémio de melhor realização no Festival de Locarno.

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“The Fake” (2013), um dos títulos disponíveis na Spamflix © Spamflix

MHD: Que objetivos pretendem atingir, a longo prazo, com a Spamflix? Já têm novidades em linha?

O nosso objetivo é que cada vez mais tenhamos mais filmes disponíveis para o nosso público. Então, já temos planeado um lançamento por semana até ao final do ano. Também começamos a investir na parte de produção, temos já uma co-produção de um documentário de animação com Israel, que deve estar pronto em 2021.

Fica atento aos nossos artigos especiais sobre a Spamflix. Queres agora conhecer mais sobre os novos projetos cinematográficos em Portugal? Lê a nossa entrevista a Pedro Pão, responsável dos Screenings Funchal. 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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