Star Wars: Os Ultimos Jedi

Star Wars: Os Últimos Jedi | Os segredos no traje de Luke Skywalker

Para além de ilustrarem a sua evolução na narrativa do universo Star Wars, os figurinos de Luke em “Os Últimos Jedi” revelam algumas importantes pistas durante o clímax do filme.

 

[ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS!]

 

Apesar das suas roupas nunca serem muito ostentosas, Luke Skywalker é uma das personagens que mais se alterou em termos de traje durante a narrativa épica do universo Star Wars. Ao longo da trilogia original, o figurino de Luke foi evoluindo gradualmente. No primeiro “Star Wars”, Mark Hamill envergava tons de creme e bege, em tecidos leves que designavam tanto a sua ligação ao planeta desértico de Tatooine, como a sua inocência quando comparado à negrura ameaçadora de Vader ou à rigidez militarista dos Stormtroopers. Em “O Império Contra-Ataca”, o ator passou a usar uniformes militares dos Rebeldes, sempre em tons de bege, continuando a mesma lógica visual de oposição à monocromia rígida do Império.

A diferença temporal e narrativa entre o segundo e terceiro filme da primeira trilogia Star Wars representou um grande salto evolutivo no guarda-roupa deste herói. Apesar de agora se apresentar como um mestre Jedi, o seu figurino moveu-se numa direção completamente antitética à modéstia vagamente nipónica dos seus mentores, Yoda e Obi-wan. Em “Regresso do Jedi”, Luke é um cavaleiro pronto a enfrentar o imperador e o seu traje é o de um herói solitário, trajado de preto e com uma severidade quase eclesiástica que, novamente, recorda quão os Jedi são quase monges guerreiros.

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Chegado o sétimo episódio da saga, Luke teve mais uma alteração de visual. Quando, em “O Despertar da Força” Rey o encontra em autoexílio numa ilha sagrada dos Jedi, Luke já não parece o elegante guerreiro de negro que havia confrontado Vader e o Imperador. De facto, Luke parece ser a reencarnação de Obi-wan Kenobi com o seu traje modesto, em linhos creme, tons lamacentos e acinzentados. “Os Últimos Jedi” volta a mostrar este momento, incluindo a reação maravilhosamente seca e abrupta de Mark Hamill, mas o significado subjacente a tal visual mantém-se. Luke é agora um mentor envelhecido, pronto a sacrificar-se em nome da próxima geração na batalha contra o mal no universo Star Wars.

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Pelo menos, é esse o seu arco narrativo neste filme, mesmo que Luke se sinta relutante em aceitar tal papel. Os figurinos de Michael Kaplan estão sempre a trabalhar para contradizer as palavras do Jedi, desenhando-o como o perfeito par visual com Rey, ao mesmo tempo que o ligam harmoniosamente ao ambiente natural que o envolve. Tal como a jovem, ele veste as cores da ilha, ao mesmo tempo que prefere um traje utilitário e prático, em materiais ora quentes ora à prova de água para lidar com o crispar das ondas na falésia rochosa e com a chuva constante.

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Neste filme, há ainda que falar da relação entre Luke e o seu sobrinho e antigo aprendiz, Ben Solo mais conhecido como Kylo Ren. Também aí o figurino se manifesta de forma interessante, trajando Luke num estilo mais escuro, mas ainda reminiscente de Obi-wan, no flashback da terrível noite em que Kylo destruiu o santuário Jedi e chacinou parte dos seus colegas aprendizes. Este visual é particularmente importante pois, num maravilhoso gesto de figurino enquanto elemento narrativo, Kaplan traja Hamill com essa mesma roupa quando Luke aparece para confrontar diretamente Kylo Ren e assim o distrair dos rebeldes em fuga.

Para manipular e espicaçar o seu sobrinho, Luke não se apresenta como o velho cansado que habita uma ilha onde é servido pelo que parecem ser freiras alienígenas. Pelo contrário, ele projeta uma imagem de si como o mentor que, por segundos, se deixou seduzir pela violência e ponderou matar o jovem Ben Solo por nele ver o potencial para o mal. Para quem esteja atento ao figurino e caracterização das personagens, nem é preciso Rian Johnson mostrar os pés deste Luke imaterial, que não deixa marcas no chão salgado e bicolor do planeta Crait, para nos apercebermos logo que Kylo está a cair num engodo.

Se esta foi a última aparição de Luke Skywalker no universo Star Wars, pelo menos podemos contentar-nos em saber que a sua saída é tão iconograficamente poderosa como a sua primeira aparição. No próximo artigo desta série continuaremos a falar dos figurinos dos heróis de “Star Wars: Os Últimos Jedi”. Não percas!

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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