Steve Jobs, em análise

 

Steve Jobs, que versa sobre um rosto revolucionário da Era tecnológica, nunca perde fôlego e encaminha-nos para uma intensa ópera digital, num dos melhores filmes do ano.

Steve Jobs Título Original: Steve Jobs
Realizador: Danny Boyle
Elenco: Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen e Jeff Daniels
Género: Biografia, Drama
NOS Audiovisuais | 2015 | 122 min[starreviewmulti id=18 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’]

 

Realizado por Danny Boyle, após Transe (2013) e 127 Horas (2010), este não é um filme sobre a vida completa de Steve Jobs, que percorre sua infância até ao seus últimos dias. A nova biografia cinematográfica do génio da tecnologia moderna – após o fracassado Jobs (2013), realizado por Joshua Michael Stern, com Ashton Kutcher no principal papel – é baseada no livro de Walter Isaacson e centraliza-se na envolvente e contagiante história dos bastidores dos auditórios onde foram lançados três produtos que mudariam para sempre a sua carreira – o Macintosh, o NeXT e o iMac.

Este é um filme desenrolado na Califórnia (no primeiro ato em Cupertino e no segundo e terceiro atos em São Francisco), no qual encontramos Steve Jobs (Michael Fassbender) enquanto frenético e ansioso génio por detrás das cortinas e da plateia repetidamente confrontado, como o próprio reconhece, com verdades que lhe são atiradas à cara através de conversas e discussões com diversos elementos da sua equipa, entre os quais contam-se a diretora de marketing Joanna Hoffman (Kate Winslet), o seu amigo e co-fundador da Apple Steve Wozniak (Seth Rogen), o antigo CEO da empresa John Sculley (Jeff Daniels), a ex-namorada e mãe da sua filha, Chrisann Brennan (Katherine Waterston) e ainda um dos membros originais da equipa do Macintosh, Andy Hertzfeld (Michael Stuhlbarg).

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Steve Jobs

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Diante do eclodir do digital começamos com Jobs a tentar obrigar o seu computador a dizer “Hello”, depois apresenta-nos a inútil caixa negra NeXT e no fim regressa como uma espécie de filho pródigo. Mesmo que a narrativa se desenrole num curto espaço de tempo (até 1998) consegue revelar detalhadamente as intenções das personagens, enclausuradas num ambiente teatral, o palco das suas vidas.

Semelhantes a marionetas, desesperam em satisfazer o consumidor mais exigente quando o novo produto é apresentado, no qual Steve Jobs não é apenas um revolucionário criador mas o maestro que coordena a orquestra. Responsável pela criação de dispositivos mais utilizados na indústria cinematográfica, Jobs não é totalmente um herói, porque tem falhas – ocorre aqui uma proximidade ao melodrama, sendo um ser humano tal como os outros -, cobarde em não reconhecer a paternidade da sua filha. No momento posterior deduzimos a conturbada infância pelo facto de nunca ter contacto próximo com os seus pais biológicos, esse choque do passado está também percetível nos seus tiques nervosos.

Steve Jobs

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A história contradiz de alguma forma os problemas que próprio o computador acarreta – sabemos os males que provoca, mas para Steve Jobs o dispositivo mudaria formas de pensar e estaria disponível a todo um mundo. Aquilo Jobs que espera alcançar é garantido pela estrondosa transformação de Michael Fassbender, revelando-nos o que é lutar (teimosamente) pela concretização dos seus sonhos. Destaque também para Kate Winslet que trabalha a sua dicção e nunca se rebaixa perante o desempenho de Fassbender. Quando juntos oferecem uma boa química, porque só em Hoffman é que Jobs deposita total confiança – tal ocorre quando a diretora de marketing intervém na sua vida pessoal como pai.

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Steve Jobs

A revolução tecnológica que o filme perpassa é evidente nos três segmentos, filmados com diferentes formatos – em 1984 é utilizada a película de 16 mm, em 1988 a película de 35 mm e em 1998 o formato digital -, algo transmite a conjuga na evolução do cinema à evolução digital do novo media. O mesmo acontece com a banda-sonora de Daniel Pemberton por nos colocar a ouvir ópera aliando ruídos do teclado do computador, com magníficos ritmos transcendentes.

Steve Jobs faz ainda lembrar o mais recente vencedor do Óscar de melhor filme Birdman, por ser montado numa espécie de falso plano-sequência. Plano a plano tudo é articulado da forma mais elementar possível, no conciliar da montagem de Elliot Graham com o argumento de Aaron Sorkin (A Rede Social) – constituído por um vasto dicionário em conceitos digitais. Enfim, entre iMac’s, iPhone’s e iPad’s, Steve Jobs convoca essencialmente uma experiência cinematográfica e permite vibrar com este tão revolucionário produto.

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VJ

 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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One thought on “Steve Jobs, em análise

  • Steve Jobs: 5*

    “Steve Jobs” é um excelente filme e tem um argumento bastante coerente e isso é uma mais-valia, recomendo que o vejam.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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