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Sundance 2022 | After Yang, em análise

Kogonada pode ser mais conhecido pelos seus vídeos e contribuições para a revista Sight & Sound e The Criterion Collection, mas desde a sua estreia na realização em 2017 com “Columbus”, cinéfilos ficaram ansiosos pelo seu próximo projeto. “After Yang” é mais um sucesso do cineasta.

After Yang
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Inevitavelmente receberá aqueles comentários “é apenas mais um filme da A24 com Colin Farrell“, mas a sua atmosfera imersiva fará com que a maioria dos espetadores entre num estado mental meditativo. Num mundo tecnologicamente avançado, onde o novo (fútil) normal consiste em pais comprarem robôs para serem babysitters educacionais ou clones para constituir uma família inteira, temas sensíveis são lindamente desenvolvidos ao longo do tempo de execução.

Se pudessem gravar e guardar apenas alguns segundos da vossa vida por dia, ficariam com que memórias? O que vale a pena lembrar para sempre? Eventos enormes, impactantes, que viram a vida de pernas para o ar? Ou os simples e pequenos detalhes da vida que nós, humanos, entendemos por garantidos? Tópicos filosóficos mais comuns como o verdadeiro significado de amor, família e ser humano são tratados com um cuidado requintado e uma perspetiva honesta. Identidade cultural e racial, as nossas origens e até discriminação também são estudados de uma maneira fascinante e emocional. Todos os diálogos, todos os planos, todas as memórias são organizados e reorganizados de forma a deixar a maioria do público a pensar genuinamente nas suas próprias vidas.

A belíssima cinematografia de Benjamin Loeb estabelece o ambiente pensativo perfeito através de planos estáticos sem muito a acontecer para além das personagens a conversar ou a passear. No entanto, o elemento técnico estelar que eleva drasticamente a obra geral é a banda sonora emocionalmente poderosa e contemplativa de ASKA. “After Yang” é um daqueles filmes que não resultaria tão bem sem a sua música única. Esta praticamente funciona como um componente hipnotizante, transformando todas as cenas em sequências incrivelmente cativantes e inexplicavelmente emotivas.

Colin Farrell oferece uma das suas melhores e mais subtis prestações até hoje. O ator respira o ar meditativo gerado por um storytelling impressionante como se este fosse o seu habitat natural. Jodie Turner-Smith, Justin H. Min e até a criança atriz, Malek Emma Tjandrawidjaja, são todos notáveis. Infelizmente, “After Yang” possui um ritmo lento (propositado) que não é capaz de manter o interesse geral a um nível alto constantemente. Kogonada depende em demasia de imagens permanecedoras e sequências desprovidas de quaisquer eventos, acabando por prejudicar o seu passo e dar a sensação de um filme muito longo.

Sundance 2022 | After Yang, em análise
Sundance Film Festival

Movie title: After Yang

Movie description: When Yang (Justin H. Min) - a lifelike, artificially intelligent android that Jake and Kyra (Jodie Turner-Smith) buy as a companion for their adopted daughter - abruptly stops functioning, Jake (Colin Farrell) just wants him repaired quickly and cheaply. But having purchased Yang “certified refurbished” from a now-defunct store, he’s led first to a conspiracy theorist technician and then a technology museum curator, who discovers that Yang was actually recording memories. Jake’s quest eventually becomes one of existential introspection and contemplating his own life, as it passes him by.

Date published: 21 de January de 2022

Country: EUA

Duration: 96'

Director(s): Kogonada

Actor(s): Colin Farrell, Jodie Turner-Smith, Justin H. Min, Malea Emma Tjandrawidjaja, Haley Lu Richardson

Genre: Drama, Sci-Fi

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  • Manuel São Bento - 70
70

CONCLUSÃO

“After Yang” pode ter alguns problemas de ritmo, mas a narrativa hipnotizantemente pensativa de Kogonada e a banda sonora inesquecível e indutora de lágrimas de ASKA transformam esta obra numa experiência cinemática contemplativa e inspiradora. Um estudo profundo e sincero do que significa ser uma família, ser amado e o quão importante é nos lembrarmos das nossas origens. Um olhar fascinante para o núcleo da humanidade através do coração de um robô (literalmente). Prestações excecionais, mas Colin Farrell destaca-se com uma interpretação subtil, mas potente. Ocasionalmente, perde-se no meio dos seus planos amplos e estáticos admitidamente deslumbrantes. Memorável, independentemente de tudo.

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Manuel São Bento

Um jovem engenheiro de 28 anos com uma paixão tremenda por cinema, televisão e a arte de filmmaking. Opiniões baseadas numa perspetiva imparcial de quem não vê trailers desde 2016. Membro de associações de críticos internacionais como GFCA, IFSC e OFTA. Aprovado no Banana Meter. Redes sociais através de @msbreviews.

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