John Barrymore foi uma das maiores estrelas do palco e do ecrã no início do século XX. Interpretou Hamlet e Ricardo III, papéis muito elogiados nos anos 1920 e que conquistaram Hollywood. No entanto, o álcool pesou mais do que o talento.
Quem foi John Barrymore?

John Barrymore nasceu em 1882. Era o mais novo de três irmãos, todos ligados à representação. Aliás, a profissão corria nos dois lados da família. O pai, Maurice Barrymore, foi galã da Broadway, mas o álcool e a sífilis destruíram-lhe a carreira.
Os três filhos não sonhavam com a ribalta. Ainda assim, o apelido abriu-lhes muitas portas. Lionel, o Sr. Potter de “It’s a Wonderful Life”, e Ethel ganharam Óscares. John nunca chegou sequer a uma nomeação. O próprio brincava com isso e dizia que a Academia temia vê-lo bêbedo na cerimónia.
John Barrymore, de ilustrador a ator

John queria ser ilustrador. Tinha jeito para o desenho e vários trabalhos seus sobreviveram em revistas da época. Contudo, o destino levou-o para o palco.
A estreia na Broadway, em 1904, correu mal. Ainda assim, o charme natural e a preparação rigorosa salvaram-lhe a carreira. Desenhou até a armadura e a espada de “Ricardo III”. Nos anos 1920, os seus Ricardo III e Hamlet deram-lhe fama internacional.
Segundo o biógrafo Terry Chester Shulman, John terá absorvido ideias de Stanislavski, provavelmente por ouvir falar delas. Por isso, o autor aproxima-o de Brando, Clift e Dean.
Que filmes marcaram a carreira de John Barrymore?

O cinema chegou cedo. John fez a primeira curta-metragem em 1912. Em 1920, protagonizou “Dr. Jekyll and Mr. Hyde”, um marco do terror americano. Shulman desfaz o mito de que não usou maquilhagem. Segundo o biógrafo, o ator maquilhou-se sozinho e provavelmente criou as próteses.
Depois, a Warner contratou-o para “Beau Brummel” (1924). O sucesso pagou um estilo de vida luxuoso, com uma mansão de 55 divisões nas colinas de Hollywood. Com o cinema sonoro, a voz poderosa reforçou-lhe o encanto. Surgiram então “Grand Hotel”, “Dinner at Eight” e “A Bill of Divorcement”.
Contudo, o papel mais célebre é outro. Em “Twentieth Century” (1934), de Howard Hawks, contracena com Carole Lombard. Interpreta um ator excêntrico, dividido entre a arte e o dinheiro. Também brilha nas comédias “Midnight” e “The Great Man Votes”.
Como terminou a vida de John Barrymore?

O alcoolismo foi implacável. Os estúdios hesitavam em contratá-lo. Quando o faziam, davam-lhe papéis de bêbedos ou de glórias decadentes. Nos sets, os cartões com as falas tornaram-se indispensáveis, pois a memória falhava.
Além disso, a vida pessoal desmoronou-se. Casou quatro vezes. A filha, Diana Barrymore – que também conquistou Hollywood -, suicidou-se aos 38 anos. O filho, John, e a neta, Drew Barrymore, lutaram contra a toxicodependência.
John morreu a 29 de maio de 1942, aos 60 anos, com cirrose hepática. Reza a lenda que os amigos levaram o corpo da agência funerária e o sentaram em casa de Errol Flynn. Nenhuma fonte a confirma, mas a história ilustra bem a sua fama.
Drew Barrymore, a herdeira da dinastia

Drew nasceu a 22 de fevereiro de 1975, em Culver City, Califórnia. Estreou-se no cinema com cinco anos, em “Altered States” (1980), e tornou-se famosa aos sete com “E.T. – Extra-Terrestrial” (1982), de Steven Spielberg. Seguiu-se “Firestarter” (1984).
A fama precoce teve um custo. Aos 13 anos, Drew entrou em reabilitação, e contou a experiência no livro “Little Girl Lost” (1990). Mais tarde, recuperou a carreira com filmes como “The Wedding Singer” (1998) e “Never Been Kissed” (1999). Entretanto, fundou a produtora Flower Films, em 1995, com Nancy Juvonen. Produziu e protagonizou “Charlie’s Angels” (2000) e “50 First Dates” (2004).
Em 2010, ganhou um Globo de Ouro por “Grey Gardens”. Desde 2020, apresenta The Drew Barrymore Show.

