"The End of Medicine" (2022) ©Lockwood Film

The End of Medicine, em análise

O vencedor do BAFTA Alex Lockwood e o mediático produtor Keegan Kuhn exploram as causas das pandemias e da resistência a antibióticos no seu novo documentário “The End of Medicine”.

“Tudo o que é verdadeiro é sustentável. As mentiras não são sustentáveis.”

Imagina o chão mais sujo possível, algo mesmo horrendo, tirado de um filme gore que nos dá a volta ao estômago. Serias capaz de comer desse chão? E se te dissessem que, não só tinhas de comer desse chão, como os medicamentos que serviriam para te curar das doenças que apanharias ao comer de forma tão insalubre já não funcionam. Já estás a imaginar bem o cenário macabro? O mais deprimente em tudo isto é que na realidade não nos obrigam a isso, mas mesmo assim nós escolhemos comer dessa maneira. Cético? Curioso? Então este documentário é mesmo para ti.

De onde surgem as pandemias? Como podemos evitá-las? Qual é o tempo de falar sobre isso? A resposta à última pergunta é: agora! E todas as outras e mais são o assunto sobre o qual o documentário “The End of Medicine” se debruça.

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The End of Medicine”, ou “O Fim da Medicina”, como a conhecemos é um documentário de 2022 realizado pelo vencedor do BAFTA em 2019 (com “73 Cows”), Alex Lockwood. O cineasta é ainda conhecido pela curta-metragem também premiada, “Test Subjects”. O inovador documentário conta com a inigualável presença de Keegan Kuhn como produtor, sendo o seu trabalho mundialmente conhecido através das produções “What the Health”, “Cowspiracy” e mais recentemente “Slay“. Rooney Mara e Joaquin Phoenix atuaram como produtores executivos. A produção esteve ao encargo da First Spark Media e da Lockwood Film, com a Gravitas Ventures na distribuição.

O documentário contou com a colaboração de cineastas como Michael Alfuso (Outpost Digital Media) e Kelly Guerin (We Animals Media), assim como com a fotógrafa Joanne Mcarthur (We Animals Media).

Dividido em quatro partes: Part I – Washing Our Hands; Part II- The Resistance Problem; Part II – Patching Over; Part IV – Going Upstream. O documentário de Lockwood leva-nos numa viagem didática, ligando diferentes temáticas e sugerindo como podemos alcançar uma vida e um planeta mais sustentáveis.

The End of Medicine
“The End of Medicine” (2022) ©Lockwood Film

Agropecuária, deflorestação e consumismo, muitas das principais causas da crise climática são as mesmas de uma outra crise em construção, uma silenciosa pandemia. Segundo muitos especialistas, a humanidade estará em risco de extinção por causa da resistência a antibióticos ainda antes de sentirmos os efeitos devastadores das alterações no clima. Atualmente esta resistência é a terceira causa de morte a nível mundial. Qual o verdadeiro impacto de uma completa resistência antimicrobiana? Será o de chegarmos ao hospital ou levarmos alguém que amamos e nos dizerem que não há nada a fazer, apenas esperar pelo pior.

Quando surgem os problemas tendemos a apontar o dedo e achar alguém para culpar. Seria mais produtivo arranjarmos primeiro um espelho e depois de a cabeça esfriar informarmo-nos sobre o que precisa primeiro de ser feito nos “nossos quintais”. Este é um dos pontos que “The End of Medicine” nos tenta ensinar, assim como vários dados impressionantes:

  • 75% das pandemias têm origem da exploração animal;
  • 70% dos antibióticos a nível mundial são usados na agropecuária;
  • 76% menos terrenos seriam necessários se os humanos se alimentassem diretamente das plantações.
“The End of Medicine” (2022) ©Lockwood Film

The End of Medicine” junta-se ao leque de importantes documentários de consciencialização, destacando-se por uma abordagem ampla, com conhecimento de causa e onde todas as peças encaixam intuitivamente. As entrevistas a especialistas em várias disciplinas é um pesado ponto positivo na credibilidade da produção, onde se sobressaem as vozes da Dr. Aysha Akhtar, Dr. Priyumvada Naik, Dr. Sailesh Rao, Prof Andrew Cunningham e Dra. Alice Brough.

Esta longa-metragem faz lembrar uma outra produção de 2021, “They’re Trying to Kill Us”, que é altamente recomendada, sendo esse um dos melhores documentários do género dos últimos anos. Relativamente a “The End of Medicine” a sua receção também tem sido bastante positiva, estando até na lista da Variety de possíveis candidatos aos Óscares de 2023.

Segundo os produtores, um dos maiores desafios do documentário foram as dificuldades técnicas de “produzir um filme sobre pandemias, durante uma pandemia”. Lockwood e Kuhn conseguiram um filme solidamente informativo, mas que beneficiaria de uma duração mais extensa e de um maior impacto emocional. Apesar de tudo, o maior contra do documentário é o seu alcance não ser muito superior, pois deveria ter uma exibição em massa, incluindo nas escolas e universidades, pois a humanidade não aguenta muito mais tempo a ignorar este gigante problema.

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Haverá vida para os bebés que nascem hoje? Continuamos no meio de uma pandemia, pelo que não há melhor momento para despertarmos, encararmos os fatos e revertermos a situação. O futuro está nas mãos de cada um de nós e temos de parar de esperar que resolvam as coisas por nós. “The End of Medicine” pode ser tanto um abrir de olhos como um reforçar de convicções. O documentário está disponível para visualização na Prime Video.

TRAILER | O QUE TEM A AGROPECUÁRIA A VER COM RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA?

Qual o documentário de consciencialização que mais costumas recomendar?

The End of Medicine, em análise
The End of Medicine

Movie title: The End of Medicine

Movie description: “The End of Medicine” pretende destacar as ligações entre a maneira como consumimos e tratamos os animais e de que forma isso impulsiona o surgimento de ameaças existenciais à saúde, como doenças zoonóticas, doenças crónicas e, talvez ainda mais preocupante, resistência antimicrobiana.

Date published: 9 de June de 2022

Country: EUA, Reino Unido

Duration: 70 minutos

Director(s): Alex Lockwood

Genre: Documentário

  • Emanuel Candeias - 82
82

CONCLUSÃO

Na lista de previsões aos Óscares 2023 da Variety, a relevância de “The End of Medicine” é inegável e é um dos documentários de consciencialização mais importantes de 2022. Mais do que apenas visualizado por quem procura por ele, esta produção de Alex Lockwood e Keegan Kuhn deveria ser exibida nas escolas e usada como ferramenta didática por todos, já que a educação é algo que nunca termina.

Pros

  • Muito informativo e com todas as ligações bem explicadas;
  • Tema denso bem resumido;
  • Presença de diversos especialistas.

Cons

  • Duração um pouco curta;
  • Pouco impacto emotivo;
  • O alcance do documentário tem sido pouco extenso.
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Emanuel Candeias

Graduado em Hogwarts, foi head-boy de Ravenclaw. Aventurou-se durante uns tempos pela Middle-Earth e por Westeros, tendo feito grandes amizades na House Stark e com os elfos de Lothlórien. De forma a aprofundar os seus conhecimentos contactou grandes mentes como Doctor Banner, Doctor Strange e chegou mesmo a viajar com Doctor Who. Dedicou-se durante uma temporada a fortalecer a sua espiritualidade em Konoha, onde aprendeu com os mestres Goku e Naruto. Neste momento encontra-se perdido no Matrix. O seu sonho é vir a ingressar na Starfleet.

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