Mindy Kaling e Justin Noble | © HBO MAX

The Sex Lives of College Girls | Entrevista aos criadores, Mindy Kaling e Justin Noble

“The Sex Lives of College Girls” estreou recentemente a sua segunda temporada e a MHD aproveitou a oportunidade para conversar com os seus criadores.

A série de comédia Max Original, que conquistou os fãs e a crítica, já está de volta a HBO Max. “The Sex Lives of College Girls” acompanha quatro colegas de quarto da faculdade aquando a sua chegada ao prestigioso Essex College, na Nova Inglaterra. Os novos episódios têm início com o regresso dos estudantes após o intervalo de Outono, enfrentando os desafios lançados no final da primeira temporada, e enfrentando o próximo semestre cheio de novas caras, festas e dificuldades.

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Os vários cliffhangers foi precisamente um dos tópicos que abordados pelos criadores da série, Mindy Kaling e Justin Noble, durante a nossa conversa. Após o feedback que estavam a ter, a dupla confessou-nos que tinha bastante esperança de que “The Sex Lives of College Girls” recebesse luz verde para continuar. De igual forma, falamos sobre a importância dos vários temas sobre a sexualidade que a série toca. Ah e ainda descobrimos quais as personagens favoritas de Kaling e Noble, curios@? Eis o resultado final.

MHD: O que achou da reação dos espetadores à primeira temporada?

Mindy Kaling: É como um prazer. A resposta à série tem sido absolutamente fantástica. O maior elogio que as pessoas nos fazem é que não existe outro conteúdo como o nosso na televisão. E creio que isso é ótimo, porque deveriam existir mais. Adoramos trabalhar com esta faixa étaria feminina, e é realmente gratificante.

Justin Noble: Totalmente, concordo com a Mindy. Simplesmente ainda não tínhamos terminado a história destas personagens. Existe uma vulnerabilidade engraçada com o final de uma temporada, quando adicionamos vários cliffhangers e pensamos “Bom, espero que não seja assim que termine.” Soube muito bem saber que conseguimos cumprir algumas das promessas que apresentamos no final.

MHD: Como souberam que a série tinha sido renovada?

Mindy Kaling: Adoramos os nossos parceiros da HBO Max e o que mais gostamos neles é que eles realmente gostaram mesmo muito da série e de colaborar connosco. Soubemos que estavam bastante entusiasmados. Casey Bloys é um dos melhores parceiros para “The Sex Lives of College Girls,” tem-nos apoiado bastante desde o início. Por isso, tínhamos um bom presentimento porque tínhamos bom feedback. Ficamos esperançosos durante algumas semanas. Quase que soubemos antes de saber, não achas Justin?

Justin Noble: Sim.

Mindy Kaling: Tínhamos essa sensação, mas sem estarmos demasiado confiantes. Quando recebemos oficialmente a luz verde, foi espetacular, claro. E depois tivemos de o manter em segredo durante uns tempos, o que é bastante difícil para alguém como eu.

Justin Noble: E eu sou igualmente mau a manter segredos [risos].

HBO Max Original
© HBO Max

MHD: As restrições à COVID reduziram bastante desde a primeira temporada, como foi filmar com uma maior liberdade?

Mindy Kaling: Vou ter de elogiar o Justin. Obviamente, ele era um dos principais guionistas na sala quando gravamos “Eu Nunca…”. Ele trabalhou em “Brooklyn Nine-Nine” antes disso, mas retirá-lo dessa posição, onde ele brilhava, e depois criar uma série com ele e simplesmente  observar enquanto ele lidera tem sido realmente fantástico. Era um objetivo meu, mentorar um homem branco [brinca].

Justin Noble: Oh Deus. É tão simpático da tua parte. Nunca recebemos esse tratamento. É tão agradável. [brinca]

Mindy Kaling: Obviamente que estou a brincar. Nunca me referi como tua mentora. É ridículo.

Bom, voltando a falar a sério, é simplesmente maravilhoso ver o fantástico trabalho que ele faz e todos os aspetos diferentes desta série. Para além disso, viajamos bastante juntos, o que acho que foi um bom teste para a nossa relação.

Justin Noble: E para te devolver o elogio… trabalhar com a Mindy é um sonho, ela é tão inteligente e divertida e boa em tudo. Por vezes, sentava-me e debatia-me sobre o que é que deveriamos fazer aqui. E depois dizia “Ok, Mindy, aqui estão três opções das minhas melhores ideias,” e a Mindy respondia “E que tal esta quarta?” e ela faz isso tão institivamente. E eu penso “Bolas, essa é a melhor,” por isso acabamos por seguir com essa.

Tem sido muito bom. Em “Eu Nunca…” trabalhamos juntos durante um curto período de tempo, tanto que sai a pensar “bolas, espero ter-me saído bem.” E depois  “The Sex Lives of College Girls” aconteceu. A série tem sido tão divertida de trabalhar em conjunto, e podemos ser muito mais marotos nesta.

MHD: “The Sex Lives of College Girls” tem sido elogiada por ser diversa no que toca à sexualidade, raça e até o nível socioeconómico. Por que é que estes temas são tão importantes para vocês?

Mindy Kaling: As diferenças socioeconómicas são uma realidade tão presente em tantos campus universitários. É também uma espécie de fricção, dado que os estudantes são emparelhados aleatoriamente no que diz respeito aos dormitórios. Não sabes qual será a sua cultura, o seu ambiente socioeconómico, crenças. Por isso, acabamos por sentir que desses conflitos era de onde viria a maior comédia. Recebemos um feedback tão bom de pessoas que não o poderam experienciar. A Universidade é algo tão inerente para as pessoas ricas. De modo que foi bastante gratificante poder mostrar mais representação.

Justin Noble: Sim, foi bastante importante para mim. Vim de uma família de muito média classe, nasci em Brooklyn e cresci em Jersey. Depois frequentei uma destas universidades e tinha tantos empréstimos, até os meus pais fizeram empréstimos. E todos os meus colegas de quarto eram de boas famílias, tinhas uma pessoa cujo pai era dono da Levis, ou outra marca conhecida. E eu ficava “wow,” estar rodeado deste nível de riqueza é chocante. Por isso, afeta bastante a Kimberly [protagonista da série].

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MHD: Que direção particular quiseram seguir com a segunda temporada?

Justin Noble: Creio que apenas queríamos cumprir com algumas promessas que deixamos no final da primeira temporada, e de seguida explorar as coisas que mais gostamos nela e fazê-las maior, melhor e mais atrevidas na segunda temporada.

Mindy Kaling: Para mim a beleza da segunda temporada é, mais uma vez, ter de escrever todos estes cliffhangers. No início desta temporada, existe esta tarefa, como o Justin disse, de respoder a todas estas questões. Penso que o que é realmente divertido em “The Sex Lives of College Girls” é que com um título como este, temos mesmo de ver o quão sexy a série é. Creio que isso é bastante divertido, descobrir pessoas engraçafas e interessantes que se interligam, e temos mesmo isso na segunda temporada.

Justin Noble: Ah, sim. Muitas novas ligações, muitos novos interesses amorosos, hobbies, novas festas e outras coisas, que são os aspetos que tenho mais dificuldade em escrever porque é onde a minha cabeça de meados dos 30 sai de jogo e entra a dos guionistas mais jovens. Eles dizem-me “este é o tipo de festas que existem hoje em dia nos campus universitários,” e a minha reação é “a sério? Os miúdos estão a fazer isso?” E depois tenho de arranjar forma de a representar, dentro dos possíveis.

MHD: Como é trabalhar novamente com a HBO?

Justin Noble: Como a Mindy disse, eles são os nossos parceiros de sonho, são tão entusiasmos com a série. E sentir o seu carinho motiva-nos a dar o melhor que humanamente conseguimos. Saber e sentir o seu apoio é primordial para o processo criativo. Eles foram simplesmente maravilhosos. Não tenho qualquer queixa.

Mindy Kaling: Adoro trabalhar com eles. O melhor de trabalhar para esta plataforma é o facto de realmente adorarmos as outras séries. Por isso, o que é bom é os nossos [produtores] executivos trabalharem noutros conteúdos que realmente admiramos.

Para além disso, só a forma como as séries HBO e HBO Max se apresentam é tão boa. De maneira que temos este strandard que temos de manter. E isso nem sempre é possível nas comédias, por isso é ótimo que eles queiramque as comédias sejam bonitas.

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© HBO MAX PORTUGAL

MHD: Que personagens cresceram nesta segunda temporada? Quais estavam mais entusiasmados por escrever?

Mindy Kaling: Adoro a Kimberly, acho-a tão doce e divertida e incrivelmente naive. Gosto mesmo muito dela.

Justin Noble: Sim, sem surpresas, com o meu gigante casaco gay, vou ter de dizer que adoro escrever para a Leighton. Na primeira temporada, senti que tinha este brinquedo na minha caixa com o qual não podia brincar ainda, porque queria contar esta história de “saída do armário” forma real e fazer com que ela parecesse real para a experiência queer.

E agora que ela se assumiu no final da primeira temporada, podemos aprofundar todos estes temas do que acontece quando uma pessoa reprime a sua sexualidade durante a vida inteira e de repente se vê num campus universitário cheio de pessoas bonitas e fixe da sua idade. Por isso, sim, tem sido uma viagem divertida nestes novos dez episódios.

Mindy Kaling: Também gostamos bastante de escrever para a Lila.

Justin Noble: Oh meu Deus, sim.

Mindy Kaling: A Lila é muito divertida. Ela tem determinadas areas que são as suas areas de refúgio. Mas esta temporada o que tem sido divertido é encontrar sítios em que ela nos consegue surpreender. Por exemplo, quais são as suas vontades e as suas vulnerabilidades. Tem sido particularmente ótimo ver a atriz Ilia Isorelýs Paulino a voar. Ela foi recentemente a protagonista de um filme ao lado de Mark Wahlberg e Kevin Hart. Tem estado numa verdadeira ascensão. E é realmente divertida nas filmagens.

Justin Noble: Também adicionaria a amizade de Whitney e Willow. É bastante divertida de escrever, mas por vezes também se revela um desafio. Demo-nos a nós próprios uma temporada para definir que elas eram amigas do futebol. Perguntavamo-nos como iriamos manter a amizade viva agora que acabamos firmemente com o desporto na primeira temporada. Por isso, foi divertido encontrar novas formas da sua ligação continuar, e ver como se podem ajudar a crescer ao longo da temporada.

MHD: Retomando a Leighton, como referiram, ela assume-se e a sua experiência é bonita. Porque é que foi importante mostrá-lo em televisão?

Justin Noble: Foi muito importante para mim, a parte que creio que é mais incompreendida no mundo criativo quando alguém se assume é que nunca vemos a luta interna. A forma como a vemos na televisão, pela forma como as histórias são apresentadas, é que é sempre um pai reprovador, ou a religião ou algo parecido. Mas, a questão é que todos estes pontos poderíam não ter necessariamente que ver com a tua sexualidade, embora isso não faz com que seja mais fácil dizer, bem, então estou bem com isso.

Ainda o estás a anunciar ao mundo. Esta é quem eu sou. E existe uma vulnerabilidade tão grande nisso que o torna difícil de fazer, independentemente das outras circunstâncias que possam existir na tua vida. Por isso, exteriorizar a viagem interna queer foi um grande objetivo meu para a primeira temporada. E estou muito orgulhoso do resultado final no ecrã.

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MHD: Qual o sentimento que querem que as pessoas tenham ao ver esta temporada?

Justin Noble: Diria que quero que absorvam a escrita e a produção durante a maior parte do tempo, estamos mesmo muito orgulhosos deste mundo divertido. Sinto que “The Sex Lives of College Girls” aborda temas com perspicácia, misturado-os com todas as coisas boas que os envolvem, e combinando-os numa comédia. Sempre foi a minha jogada favorita, queremos surpreender as pessoas com uma reviravolta quando do nada revelamos que alguém está a atravessar alguma coisa. E ter um vislumbre do que é realmente um campus universitário em 2022, da melhor forma que conseguimos.

Mindy Kaling: Creio que a série é realmente tão divertida. Acho que mostrarmos jovens amizades femininas desta forma é pouco comum. Estou muito contente que tenha estreado nesta altura do ano, em que nos podemos “aninhar” com os nossos amigos e ver dois episódios de seguida. Gostaría que mais pessoas fizessem séries sobre amizades no feminino. Acho que é realmente fantástico.

MHD: Com quais personagens se identificam mais?

Justin Noble: Diria que sou uma espécie de Canaan, pela forma como sou intresicamente fixe e a forma como as pessoas gravitam na minha direção. Não, estou a brincar, creio que sou mais como o Travis, um híbrido Tova infelizmente, com um toque de Carla da revista de comédia.

Mindy Kaling: Sim, revejo-me na Carla, esta nerd que tenta tudo e que os outros a deixam entrar no grupo a contragosto. No entanto, também vejo muito de mim na Bela, apesar de ela ser atrevida e confiante e eu ser mais crítica como a Leighton. Por isso, um mix entre as duas.

MHD: Muito obrigada!

TRAILER | THE SEX LIVES OF COLLEGE GIRLS JÁ ESTÁ DISPONÍVEL NA HBO MAX

Já acompanhas a série ou vais descobri-la? 🙂

Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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