Theo James e Rose Leslie em "The Time Traveler's Wife" © HBO Max

The Time Traveler’s Wife | Entrevista a Sue Vertue e Brian Minchin

The Time Traveler’s Wife volta a ganhar vida para além das páginas, desta vez enquanto adaptação televisiva com o selo da HBO. A Magazine.HD conversou com os produtores, Sue Vertue e Brian Minchin, sobre o projeto.

O romance de estreia da autora americana, Audrey Niffenegger, despertou desde o início a atenção de produtoras. Em concreto da de Brad Pitt, a Plan B Entertainment que, em associação à New Line Cinema, adquiriram os direitos de “The Time Traveler’s Wife”, antes do romance chegar sequer às prateleiras. O filme, protagonizado por Rachel McAdams e Eric Bana, estreou no grande ecrã em 2009 e o livro 6 anos antes, em 2003.

Rose Leslie
Rose Leslie em “The Time Traveler’s Wife” © HBO Max

Agora, quase 20 anos depois do seu lançamento, a HBO Max convida-nos a reviver esta história de amor intemporal. Criada pelo vencedor de dois Emmy, Steven Moffat (“Doctor Who”; “Sherlock”), e realizada por David Nutter (“Game of Thrones“), “The Time Traveler’s Wife” conta a história de Clare e Henry e de um casamento com um problema… viagens no tempo. Rose Leslie (“Downton Abbey”) e o Theo James (“Castlevania“) interpretam o casal, nesta série que visa mostrar precisamente isso: uma relação matrimonial; como explica a dupla de produtores Sue Vertue e Brian Minchin, com quem a Magazine.HD conversou a convite da HBO Max Portugal.

MHD: Qual foi o processo de criação de “The Time Traveler’s Wife”?

Sue Vertue: Bom, a origem de todo o projeto deve-se ao amor de muitos, muitos anos de Steven [Moffat] pelo livro. Ele escreveu uma história inspirada nele para o “Doctor Who,” que Audrey Niffenegger [autora do romance] viu e depois, eu penso, que a inclui num outro livro. Por isso, podemos dizer que, de um certo modo, eles estavam a brincar um com o outro. E depois creio que tu falaste com o Steven, não foi Brian?

Brian Minchin: Sim, estamos a chegar ao final do nosso tempo juntos em “Doctor Who” e eu queria muito fazer uma história de amor. Sabia que o Steven adorava este livro, de forma que comecei a analisar os possíveis direitos. O Steven estava mesmo muito motivado pela ideia. E penso que ele é simplesmente a pessoa perfeita para adaptar o material. Ele é brilhante com a forma como mistura comédia, drama e filosofia, e também é um perito a delinear sequências de histórias. Mas, foi principalmente pelo seu amor pelo material.

Sue Vertue: A acrescentar ao facto de que ele é bastante sentimental e romântico, porque como sabe, esta é uma linda história de amor.

Brian Minchin: [risos] Não ia dizer isso, mas sim, o Moffat é lamechas.

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MHD: A casa da Clare é muito importante para a narrativa. Como a encontraram e como criaram esse cenário?

Brian Minchin: Tínhamos David Nutter, o nosso incrível realizador, responsável pelos seis episódios. Creio que a primeira coisa que ele e o nosso designer, Henry Dunn, fizeram foi planear a clareira e a casa. Foi decidido bastante cedo que a clareira seria um cenário, porque passa por várias e diferentes estações do ano, e nós tínhamos de ter controlo sobre elas – chuva, neve e as aparições de Theo (por vezes, nu!). Já para as gravações no exterior, descobriram uma casa linda a norte de Nova Iorque.

Essa foi a primeira grande pesquisa, e depois o Henry construiu todos os interiores. Foi o sítio por onde começamos e acaba por ser o coração desta temporada, uma vez que como a Claire o visualiza como este fantástico lugar idílico de infância que ela explora; é onde ela conhece o viajante no tempo, por isso sabíamos que tínhamos de ter tudo certo.

Sue Vertue: O que eu adoro neste cenário também é o facto de cada sequência ser ligeiramente diferente da anterior, com os sapatos e a roupa. Provavelmente não o deveria dizer antes de o verem [risos], mas gostei bastante desse aspeto.

Theo James
Theo James em “The Time Traveler’s Wife” © HBO Max

MHD: Como descreveriam esta história de amor?

Sue Vertue: Penso que o que atraiu Steven foi o facto de, na vida real, muitas pessoas acabarem felizes casadas. E, no entanto, não existem assim tantas séries que o demonstrem. Limitam-se a explorar a relação até ao casamento e depois ficam por ai. Creio que o que o Steven queria realmente explorar era o que vem depois e, claro, uma história de amor sem precedentes. Mas, atenção, esta não é de todo uma série cínica – é um conteúdo feelgood.

Brian Minchin: E foi isso que realmente nos atraiu – o amor verdadeiro existe nesta série. O que é bom.

MHD: O que torna “The Time Traveler’s Wife” uma história intemporal?

Brian Minchin: É uma história sobre duas pessoas que estavam destinadas e a forma como se mantém um casamento com um grande problema: viagens no tempo. Toca no coração de muitas histórias de pessoas, que é o facto de existir uma grande relação na sua vida, independentemente das voltas que a mesma der. É sobre como cada um de nós responde a isso e o ultrapassa. Também penso que é uma série tremendamente divertida e sexy, assustadora e aventurosa, bem como bastante entusiasmante. E creio que é um material ótimo, pois as viagens no tempo adiciona-lhe tantos elementos.

Sue Vertue: E a Rose [Leslie] e o Theo [James]… acho que a química deles é tão boa. É uma alegria ver os dois juntos.

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MHD: Como é que eles foram escolhidos? A Rose e o Theo?

Sue Vertue: Bom, o David Rubin, que é o nosso diretor de casting, foi brilhante. Não obstante, também pedimos a todos para ler as suas partes porque acreditamos que é realmente difícil de ver como essas palavras em particular seriam ditas, caso não fossem lidas. E, por isso, ambos o fizeram. Depois também fizemos uma ‘leitura de química’, porque podemos ter duas pessoas brilhantes e não existir química entre elas.

É essencial existir química nesta série, obviamente. E ela existiu instantaneamente, por isso foi muito entusiasmante quando os vimos juntos – embora por zoom, o que foi algo um pouco estranho [risos].

Brian Minchin: Na minha opinião, ambos trazem um detalhe e nuance extraordinários às suas interpretações. Desde o princípio que incorporaram Henry e Claire, e tornaram-nos seus. Lembro-me quando Audrey Niffenegger visitou as gravações em Chicago, e viu a cena perto da biblioteca. Ela disse “bom, vejam, ali está. A Claire e o Henry.” Foi assim que nos sentimos na audição. Foi simplesmente um desses grandes momentos, em que eles simplesmente o tinham. Eles são atores espetaculares e o que fizemos juntos foi mágico, eu creio.

Sue Vertue: É interessante, quando vemos o Theo a interpretar os dois Henrys de diferentes idades, ficamos com a ideia de que são duas pessoas diferentes a chatearem-se uma à outra. Esquecemo-nos de que são na realidade a mesma pessoa.

MHD: Tiveram de comprimir ou omitir muito do livro para fazer com que a série funcionasse?

Brian Minchin: A HBO foi um grande parceiro porque eles gostam de conteúdos que possam crescer. Gostam de séries que testem os limites. E, por isso, penso que para nós foi essencial não ter de tentar limitar o que queríamos fazer. Se uma série inclui viagens no tempo no seu título, é lógico que vamos querer mostrar lugares diferentes. Queríamos fazer justiça ao amor das pessoas por esta história e por estas personagens.

MHD: Muito obrigada!

TRAILER | VIAJA COM THE TIME TRAVELER’S WIFE NA HBO MAX

Já leste o romance de Audrey Niffenegger? Estás a acompanhar a série?

Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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