The Wheel of Time | © Amazon Prime Video

The Wheel of Time, primeira temporada em análise

O épico de fantasia de Robert Jordan, “The Wheel of Time”, ganha uma adaptação na Amazon Prime digna do top de estreias em 2021 e um lugar de pódio nas melhores séries de fantasia.

(começa a tocar “Concerning of Hobbits”). “Eu acho que estou mais que pronto para mais uma aventura, diz Bilbo Baggins”. E é com este sentimento restaurado de aventura que começamos a assistir a “The Wheel of Time”, a nova série de fantasia da Amazon Prime.

Robert Jordan (de verdadeiro nome James Oliver Rigney, Jr.) é um dos nomes de peso no mundo da fantasia. Jordan é um dos vários escritores que escreveram romances originais de “Conan, o Bárbaro”, sendo considerado pelos fãs um dos melhores contribuintes para esta saga além do criador a Robert E. Howard. Só isto já seria um feito digno de nota, mas o escritor é também o autor da série de fantasia épica e best-seller mundial “The Wheel of Time” (“A Roda do Tempo” em português), que compreende 14 livros e um romance prequela (após a morte de Jordan a série foi concluída pelo também talentoso e conhecido escritor Brandon Sanderson). O primeiro romance desta saga, “O Olho do Mundo”, foi lançado originalmente nos Estados Unidos em 1990.

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Raro é não encontrarmos a série de fantasia de Jordan numa lista de “Top melhores livros de fantasia de sempre”, nomeadamente o nome do escritor figura numa lista do género, da revista Time, ao lado de nomes como J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Sabaa Tahir, Tomi Adeyemi, J.K. Rowling, Diana Gabaldon, George R.R. Martin, Cassandra Clare e Marlon James, entre outros. A adaptação da saga é assim já um desejo antigo, vindo desde 2000 com a aquisição dos direitos de exibição do romance de fantasia pela NBC, passando para a produtora Red Eagle Entertainment em 2004, que em 2017, associando-se com a Radar Pictures e a Sony Pictures Television, começaram o desenvolvimento de uma adaptação em série televisiva. Rafe Judkins foi escolhido como showrunner e após um ano em produção, em 2018 a Amazon Studios aceitou produzir e distribuir a série através da Amazon Prime Video.

The Wheel of Time” estreou assim a 19 de Novembro de 2021 na Amazon Prime, com o lançamento dos três primeiros episódios, e o restante estreando semanalmente até o final da temporada, a 24 de Dezembro de 2021. A confiança e a aposta na série foi de tal forma, que os dois primeiros episódios chegaram a estrear antecipadamente, a 15 de Novembro, em salas de cinema de Londres, Reino Unido, e em algumas cidades dos Estados Unidos. Antes da estreia da série esta já estava renovada tendo a 2ª temporada sido confirmada em Maio de 2021.

The Wheel of Time
Rosamund Pike e Daniel Henney em “The Wheel Of Time” © Amazon

Rosamund Pike (“State of the Union”) nomeada ao Óscar de Melhor Atriz Principal com “Gone Girl” (2014) foi a escolhida como protagonista da série, dando vida à personagem de Moiraine Damodred. O resto do elenco principal é constituído pelas estrelas: Daniel Henney como al’Lan Mandragoran, Zoë Robins no papel de Nynaeve al’Meara, Madeleine Madden como Egwene al’Vere, Josha Stradowski a interpretar Rand al’Thor, Marcus Rutherford como Perrin Aybara e Barney Harris no papel de Mat Cauthon.

Na realização contámos com experientes cineastas como Uta Briesewitz (“Stranger Things”, “Westworld”), Ciaran Donnelly (“Vikings”, “The Tudors”), Salli Richardson-Whitfield (“Altered Carbon”, “Dear White People”), Wayne Yip (“Utopia” 2013, “Doctor Who”) e Sanaa Hamri (“Empire”, “Shameless”). Lorne Balfe, possuindo créditos em filmes de grande orçamento como “13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi”, “Terminator Genisys” e “Mission: Impossible – Fallout”, também em conhecidos videojogos, incluindo “Assassin’s Creed: Revelations” e a participação na franquia “Call of Duty”, e ainda em séries como “His Dark Materials” e “The Crown” foi o compositor da música para a série. O resultado foi mais que satisfatório, onde Balfe, fazendo uso da sua experiência em fantasia, utiliza música tanto épica como medieval com um toque de modernidade, e reforça a sua marca de excelência em bandas sonoras variadas.

The Wheel Of Time
The Wheel Of Time | © Amazon

Entre aprovações e avaliações mistas ou médias – 82% no Rotten Tomatoes e 55/100 no Metacritic, algum consenso encontrado é o de que a nova série da Amazon luta por encontrar o seu lugar de destaque entre outras sagas de fantasia, mas “consegue admiravelmente fazer o épico de Robert Jordan acessível para os não iniciados”.

É inevitável a recordação de “The Lord of the Rings” já que tantos elementos, embora claramente distintos, coincidem com a jornada da Irmandade do Anel. Se em Morraine vemos um Gandalf e em Mandragoran um Aragon, cada uma das personagens do elenco principal de “The Wheel of Time” apresenta características próprias e interessantes, possuindo a sua própria voz e traz algo diferente para a história. Outra comparação que tem sido feito é com outra estreia no mundo de fantasia de 2021, “Shadow and Bone” da Netflix. Apesar da produção fantástica da Netflix ser uma boa série com interessantes elementos, o calibre de toda a produção está num nível inferior ao da série da Amazon, justificando-se as diferenças de popularidade com as plataforma de streaming que as lançaram.

Entre uma convincente adaptação de uma narrativa mais que comprovada como cativante, ricas personagens apoiadas por performances sólidas e uma banda sonora envolvente, não podemos deixar de realçar o excelente trabalho ao nível da cinematografia. Com atraentes paisagens, vestuário e maquilhagem deslumbrantes e marcantes cenas de ação, a série é sem dúvida visualmente apelativa.

The Wheel of Time
“The Wheel Of Time” ©Amazon

Como em qualquer adaptação existiram algumas alterações relativamente ao material de origem, o que, como também é costume, não agradou a muitos fãs dos livros. Uma dessas alterações foi a da idade dos personagens principais de Emond’s Field, que foram envelhecidos em relação aos seus equivalentes nos livros, permitindo à equipa de produção um tom mais adulto e a exploração de cenas de ação mais negras e violentas.

Porém, aquilo que foi notado tanto por fãs dos livros, e mesmo por quem nunca antes tinha mergulhado neste universo, foi o ritmo demasiado acelerado em certas partes da narrativa. Não seria exagero dizer que esta temporada poderia facilmente, e no mínimo, ter sido dividida em duas temporadas. O peso deste aspeto destaca-se pela falta de afinação no desenvolvimento de certas características dos papéis principais, impedindo uma ligação mais forte da audiência às personagens.

Apesar do orçamento ser uma justificação válida – e todos nos lembramos que a primeira grande batalha, na 1ª temporada de “Game of Thrones”, passou com um desmaio de Tyrion Lannister – a verdade é que se observam inconsistências na qualidade dos efeitos especiais ao longo desta temporada de “The Wheel of Time”. Nomeadamente, no season finale, a contenda ao nível da Batalha de Helm’s Deep, de “The Lord of the Rings: The Two Towers”, foi desperdiçada com vislumbres relâmpagos de alguma ação. Ainda em relação ao episódio final, faltou emoção e imaginação para o embate mental entre o Dragon Reborn e o Dark One, sendo o resultado algo insípido e previsível (a equipa de produção poderia ter ido buscar ideias à serie “Legion” que se excedeu neste tipo de confrontos mentais).

The Wheel of Time
The Wheel of Time | © Amazon Studios

A Amazon prepara-se para abalar o mundo em 2022 com a estreia da série de “The Lord of the Rings”, no entanto, antes disso entrega-nos em 2021, “The Wheel of Time”, uma das mais épicas séries de fantasia desde “The Witcher”.

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Qual é para ti a melhor série de fantasia de 2021? 

The Wheel of Time, primeira temporada em análise

Name: The Wheel of Time

Description: A vida de cinco jovens aldeões muda para sempre quando a poderosa Aes Sedai, Moiraine, chega a Two Rivers à procura do Dragon Reborn, aquele com o poder de inclinar o equilíbrio entre a Luz e as Trevas para sempre. Conseguirão eles confiar nesta estranha e proteger-se uns aos outros antes que o Dark One saia da sua prisão e a Última Batalha comece?

  • Emanuel Candeias - 83
83

CONCLUSÃO

Os amantes de fantasia não podem perder esta adaptação da Amazon de “The Wheel of Time”, digna do excelente trabalho do autor Robert Jordan. Lembrando “The Lord of the Rings” e ao nível de “The Witcher” são algumas das comparações desta série que veio para ficar. A narrativa por vezes apressada e os efeitos especiais desequilibrados são mais que compensados pelos pontos positivos, incluindo a performance do elenco principal e o impacto da banda sonora.

Pros

  • Admirável adaptação da fantasia de Robert Jordan
  • Rosamund Pike e o restante elenco principal
  • Banda sonora de Lorne Balfe

Cons

  • Ritmo muito acelerado
  • Perda no aprofundamento das personagens, em alguns locais e em enredos
  • Efeitos especiais inconsistentes
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Emanuel Candeias

Graduado em Hogwarts, foi head-boy de Ravenclaw. Aventurou-se durante uns tempos pela Middle-Earth e por Westeros, tendo feito grandes amizades na House Stark e com os elfos de Lothlórien. De forma a aprofundar os seus conhecimentos contactou grandes mentes como Doctor Banner, Doctor Strange e chegou mesmo a viajar com Doctor Who. Dedicou-se durante uma temporada a fortalecer a sua espiritualidade em Konoha, onde aprendeu com os mestres Goku e Naruto. Neste momento encontra-se perdido no Matrix. O seu sonho é vir a ingressar na Starfleet.

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