Óscares

10 filmes injustamente esquecidos pelos Óscares

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Muitos dos nomeados para os Óscares são triunfos cinematográficos do mais alto gabarito, mas isso não implica que não haja inúmeros filmes igualmente merecedores de atenção e que foram injustamente ignorados e esquecidos durante a mais recente temporada de prémios de cinema.

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Chegado o final da Awards Season, chega também a altura de olhar para trás, para o ano cinematográfico de 2017, e atestar quais foram as maiores glórias cinematográficas que, por uma infinidade de razões, se viram ignorados pela Academia de Hollywood, que dá os Óscares. Desde dramas políticos franceses a jubilantes cartas de amor aos museus de Nova-Iorque, estes são filmes que ora tiveram grandes prestações, sublimes execuções formais ou o toque genial de um realizador inspirado.

Como critérios de escolha, decidimos apenas contar com filmes estreados comercialmente em Portugal ou então em filmes que passaram diretamente para DVD no mercado nacional. Infelizmente, isso fez com que obras como “A Quiet Passion” com Cynthia Nixon não fossem considerados para a lista. Também tentámos evitar colocar aqui títulos de filmes que nem em sonhos estariam no radar da Academia dos Óscares. Referimo-nos a obras como o blockbuster de terror “It” ou a experimentação meio insana de “Personal Shopper” e “O Ornitólogo”, todos eles filmes tecnicamente elegíveis segundo as regras da votação dos Óscares.

personal shopper melhores guarda-roupas
Personal Shopper

Explora as próximas páginas, para descobrires os dez títulos que deviam ter sido considerados para várias categorias nos Óscares. Juntamente com um texto justificativo, poderás também encontrar uma breve lista das várias categorias individuais em que o filme se destacou.

 


120 BATIMENTOS POR MINUTO

120 batimentos por minuto oscares

Devia ter sido considerado para: Melhor Filme, Ator, Ator Secundário, Argumento Original, Montagem, Filme Estrangeiro

 

Uma das grandes surpresas dos Óscares deste ano foi a ausência de “120 Batimentos Por Minuto” de Robin Campillo na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Depois de ter recebido o Grande Prémio do Júri em Cannes, de ter levado Pedro Almodóvar a chorar publicamente e de ter arrecadado algumas das críticas mais aduladoras do ano passado, muitos peritos tinham assumido que o filme francês era o grande favorito para ganhar essa categoria. Infelizmente, o drama sobre ativistas gay durante a crise da SIDA na Paris dos anos 90 provou-se talvez demasiado político, demasiado cáustico ou demasiado sexual para o gosto da Academia.

Recentemente, o filme tomou de assalto os prémios César, ganhando quase tudo aquilo para que estava nomeado, inclusive o prémio máximo para Melhor Filme Francês do Ano. É uma pena que a Academia americana não tenha tido a mesma abertura para esta sublime obra de humanismo eletrizante, onde o heroísmo ativista é visto de uma perspetiva coletiva, onde o corpo e seus desejos são vistos como manifestações políticas e onde o realizador Robin Campillo leva a sua audiência a epítetos emocionais tão poderosos como necessários.

“120 Batimentos por Minuto”, ao contrário de muitos dos outros filmes selecionados para a corrida ao Óscar de melhor Filme Estrangeiro, estava também elegível para o resto dos principais prémios. Por isso mesmo, é uma tragédia que a prestação de Nahuel Pérez Biscayart como um ativista moribundo não tenha recebido grande atenção por parte das associações de prémios de cinema americanas. Um olhar, uns gestos dele valem como milhares de gritos indignados e quando ele deixa o filme, o seu espectro apunhala o coração do espectador ao mesmo tempo que o galvaniza.

 


ATOMIC BLONDE – AGENTE ESPECIAL

oscares atomic blonde

Devia ter sido considerado para: Melhor Filme, Realização, Montagem, Fotografia, Cenografia. Guarda-Roupa, Caracterização, Efeitos Visuais, Sonoplastia, Efeitos Sonoros

 

É raro para um filme de ação ganhar tração suficiente com críticos, público e profissionais de cinema de modo a conseguir entrar de rompante na Awards Season. No entanto, as categorias ditas “técnicas” usualmente têm espaço para um ou dois destes espetáculos cinéticos de violência e engenho, como podemos ver este ano com as três nomeações de “Baby Driver”. É portanto, uma tristeza que o melhor filme de ação do ano tenha sido quase totalmente esquecido durante esta temporada de prémios.

Tal como o último grande filme de ação protagonizado por Charlize Theron a conquistar a crítica internacional, “Atomic Blonde – Agente Especial” é uma orgástica mostra de virtuosismo técnico do mais alto gabarito, tendo uma elegância ostentosa e algumas sequências de cortar a respiração. Só que, neste caso, o cenário não é o deserto pós-apocalíptico, mas sim a Berlim de 1989, dias antes da queda do Muro, algo que os cineastas usam para mergulhar o filme no som e estilo do submundo berlinense desses dias de paranóia e tumulto cultural.

Ao som de David Bowie e sob a magistral direção de David Leitch, Theron pavoneia-se por cavernosos clubes noturnos num guarda-roupa monocromático de dar inveja antes de se atirar de cabeça para algumas das coreografias de luta mais brutais de que há memória. Uma batalha nas escadas de um prédio na zona leste da cidade que é filmado num aparente plano sequência é de particular destaque, sendo um triunfo de coreografia, realização, efeitos visuais, maquilhagem, trabalho de câmara e montagem que, num mundo justo, deveria ter valido à equipa de “Atomic Blonde” montanhas de galardões.

 


A CIDADE PERDIDA DE Z

oscares cidade perdida de z

Devia ter sido considerado para: Melhor Filme, Realização, Ator Secundário, Argumento Adaptado, Montagem. Fotografia, Cenografia, Guarda-Roupa, Caracterização, Sonoplastia, Efeitos Sonoros

 

James Gray é um cineasta invulgar, cujas explorações de géneros e estéticas passadas raramente são ao gosto das audiências generalistas ou mesmo da maior parte da crítica internacional. Mesmo assim, Gray persiste nas suas aventuras cinematográficas e continua a ser um dos autores mais estilisticamente obstinados do panorama americano atual. Desta vez foi o género de aventura e expedições pela selva que recebeu o tratamento típico de Gray e, como sempre, os resultados são assombrosos.

Adaptado de um livro de David Grann, “A Cidade Perdida de Z” conta a história verídica de Percy Fawcett e suas expedições amazónicas, incluindo aquela que ela fez com o filho mais velho nos anos 20 e terminou com o desaparecimento dos dois exploradores. O que tal discrição sumária pode não indicar é que “A Cidade Perdida de Z” é também uma das mais sagazes e complicadas dissecações do mito imperialista da superioridade civilizacional europeia, um testemunho aterrador da obsessão humana, uma comovente tragédia sobre os laços afetivos entre pai e filho, um hino enlutado a uma era perdida nos livros de História.

É também um dos filmes mais belos dos últimos anos, tendo sido filmado por Darius Khondji em película, usando filtros e saturações de cor para fazer da selva um paraíso misterioso e de Inglaterra um pesadelo acordado e inatural. O seu virtuosismo estende-se a todos os aspetos da construção fílmica, incluindo a montagem hipnoticamente fluida, os figurinos detalhados, a sonoplastia meio onírica e, é claro, uma coleção de exímias prestações de um elenco que inclui Robert Pattinson e Sienna Miller no seu melhor.

 


O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS

oscares The Beguiled

Devia ter sido considerado para: Melhor Realização, Atriz, Atriz Secundária, Argumento Adaptado, Montagem. Fotografia, Cenografia, Guarda-Roupa

 

Em maio do ano passado, Sofia Coppola tornou-se na segunda mulher a arrecadar o prémio de Melhor Realização do Festival de Cannes. Tal honra, grande atenção mediática, algumas polémicas justificadas e críticas positivas pareciam posicionar “O Estranho Que Nós Amamos” como o próximo grande sucesso da realizadora, mas tal triunfo nunca se materializou. Infelizmente, este filme já esquecido por muitos é uma das obras mais singulares, fascinantes e invulgares no luminoso repertório de Coppola.

Passado no meio do pesadelo que foi a Guerra da Secessão, “O Estranho Que Nós Amamos” mergulha o espectador na atmosfera húmida e opressiva da Virgínia oitocentista, onde um soldado unionista é encontrado e cuidado por um grupo de mulheres sulistas que habitam uma escola isolada em tempos de guerra. Num jogo contínuo de domínio, submissão, sedução e tirania, as habitantes da escola são enfermeiras, tentadoras, vítimas e assassinas nesta história tão contemplativa como ocasionalmente explosiva e cheia de inesperadas reviravoltas e humor desconcertante.

Através de uma construção formal exímia, de um texto sagaz e um elenco invejável, Coppola oferece uma visão intrinsecamente feminina, mas não por isso menos crítica, das mesmas personagens e história que já haviam sido trazidas ao grande ecrã por Don Siegel nos anos 70. Quando Nicole Kidman, numa sala fumarenta cheia de jovens vestidas em sedas pastéis de ar espectral, conta histórias glorificadas sobre o esplendor da alta sociedade sulista, apercebemo-nos que Coppola criou aqui um conto de horror e fantasmas. Os fantasmas vivem no vácuo da ausência e são os escravos e a opressão que deu poder e esplendor a esta casa abandonada e estas mulheres desamparadas. Não sendo um filme de teor histórico e político claro, “O Estranho Que Nós Amamos” é um cáustico documento de um pesadelo americano sobre opressão sistemática e venenosas hierarquias de poder social.

 


AS ESTRELAS NÃO MORREM EM LIVERPOOL

as estrelas nao moreem em liverpool oscares

Devia ter sido considerado para: Melhor Ator, Atriz, Atriz Secundária, Canção Original

 

Em 2017 as televisões foram abençoadas com o melodrama de “Feud”, onde Ryan Murphy compôs uma inebriada carta de amor a algumas das grandes divas da Velha Hollywood e em que Susan Sarandon e Jessica Lange interpretaram as lendárias Bette Davis e Joan Crawford sem, no entanto, se parecerem ou soarem minimamente como essas mesmas mulheres. Tal falta de mimetismo não lhes custou nomeações para prémios como os Emmys e os Globos de Ouro. Infelizmente para Annette Bening, o mundo do cinema e suas associações de prémios não parecem ser tão abertos a prestações desse género.

Em “As Estrelas Não Morrem em Liverpool”, Bening interpreta Gloria Grahame e, apesar de um grande esforço para capturar a cadência vocal dessa estrela Oscarizada de outros tempos, nunca desaparece no papel. Nada disso, contudo, impede a sua prestação de ser um pequeno milagre de vulnerabilidade cáustica, uma mistura de sensualidade e fragilidade que faz com que a audiência facilmente se apaixone por ela. Também essa combinação funciona para capturar o interesse do jovem ator Peter Turner, aqui interpretado por Jamie Bell, cuja relação amorosa com a atriz mais velha nos anos 70 é o foco deste comovente filme de Paul McGuigan.

Relações com grandes diferenças etárias são algo difícil de retratar em cinema com empatia e complexidade. Pelo menos, bons retratos destes casais são uma raridade, pelo que “As Estrelas Não Morrem Em Liverpool” se afirma como uma triste e quase trágica raridade. Sem limar em demasia as arestas da história real, o filme transpira sinceridade emocional, especialmente da parte de Bell, cujo trabalho é ainda mais impressionante que o de Bening. No entanto, nenhum dos membros do elenco conseguiu muito mais que nomeações para os BAFTAs, nem mesmo Bell ou Julie Walters, que dão aqui as suas melhores prestações desde “Billy Elliot”, ou Annette Bening que, por horrendo milagre, ainda não ganhou um Óscar.

 


GOOD TIME

oscares good time

Devia ter sido considerado para: Melhor Filme, Realização, Ator, Ator Secundário, Atriz Secundária, Argumento Original, Montagem, Fotografia, Caracterização, Banda-Sonora Original, Canção Original, Sonoplastia

 

Ao longo dos últimos anos, Kristen Stewart tem-se vindo a afirmar como uma das melhores atrizes da sua geração. Para quem siga a sua carreira de perto, especialmente o seu contingente de filmes de autor, a mediocridade arrasadora da saga “Twilight” já há muito foi esquecida e, de uma perspetiva global, parece uma anomalia maior na carreira de Stewart do que, por exemplo, as suas colaborações com o francês Olivier Assayas. A redenção de Robert Pattinson, outro veterano da saga de vampiros de Nancy Meyers, tem sido menos luminosa. Em 2017, contudo, ele finalmente conquistou a admiração da crítica, mesmo que os prémios ainda estejam longe do seu alcance.

Já anteriormente referimos a sua glória camaleónica em “A Cidade Perdida de Z”, mas foi em “Good Time” dos irmãos Safdie que Robert Pattinson se veio revelar como uma espécie de jovem Robert DeNiro para o século XXI. Certamente não lhe falta intensidade ou empenho, como se pode bem ver na sua interpretação de um criminoso reles que, ao tentar salvar o seu irmão das garras das autoridades, se emaranha numa noite infernal que parece não ter fim. Tão animalesco como asqueroso, Pattinson jamais esteve mais admirável que neste triunfo nova-iorquino.

O trabalho insuperável do ator não é a única qualidade de “Good Time”, um filme que está injustamente longe do radar dos Óscares. Piscando o olho às obras de realismo urbano da Nova Hollywood, os irmãos Safdie constroem aqui uma aventura granulosa e suja, tão feia como excitante. Entre monólogos drogados e invasões a casas assombradas e quedas aparatosas de prédios infelizes, “Good Time” é uma explosão de irreverência empolgante que não devia ser esquecido.

 


LADY MACBETH

oscares lady macbeth

Devia ter sido considerado para: Melhor Filme, Realização, Atriz, Atriz Secundária, Argumento Adaptado, Montagem, Fotografia, Cenografia, Guarda-Roupa, Banda-Sonora Original

 

Num ano em que tanto se falou de opressão contra mulheres, de abusos de poder e autoridade patriarcal, nenhum filme explorou de modo tão acutilante as complexas teias de poder inerentes à injusta hierarquia da nossa sociedade como “Lady Macbeth”. Nesta adaptação de um clássico russo do século XIX, o realizador britânico William Oldroy contou a história de uma mulher praticamente vendida em casamento, que, na sua infelicidade matrimonial, inicia um caso adúltero com um dos empregados na quinta do marido antes de resvalar na insanidade homicida para se libertar dos tiranos que a subjugam.

Com isso dito, “Lady Macbeth” não se trará de um simples conto de afirmação feminina face a opressão masculina. Pelo contrário, o filme depressa se desdobra num retrato da loucura da protagonista e o modo como ela usa a sua classe social e a cor da sua pele para se ilibar dos seus crimes e ilibar seus subalternos, com especial destaque para a criada preta que testemunha o envenenamento de uma das vítimas da anti-heroína titular.

A elevar o filme ainda mais está a inteligência do argumento de Alice Birch, o formalismo rígido e vagamente minimalista de Oldroy e, acima de tudo isso, a prestação aterradora de Florence Pugh. Sem sentimentalizar o sofrimento da sua personagem, a jovem atriz apresenta-nos aqui um retrato genuíno de loucura e vitimização tornada em monstruosidade destrutiva. Olhando para o seu trabalho, a audiência quase que vê sombras da Isabelle Huppert de outros anos, quando também essa titã francesa era somente uma atriz em início de carreira com uma capacidade sem igual para telegrafar as profundezas mais sombrias da alma das suas personagens.

 


MÃE!

oscares mae

Devia ter sido considerado para: Melhor Filme, Realização, Atriz Secundária, Montagem, Fotografia, Cenografia, Caracterização, Sonoplastia, Efeitos Sonoros

 

A mais recente provocação cinematográfica de Darren Aronofsky é também o mais controverso e divisivo dos seus filmes. Apoiando-se numa alegoria que mescla uma perversa história do artista e sua musa com iconografia do Antigo Testamento, “Mãe!” é um sufocante pesadelo em forma de filme, um grito de raiva contra a destruição da mãe natureza e o mais indulgente de um realizador que nunca foi particularmente económico ou contido nos seus devaneios estilísticos.

Uma das questões que o discurso crítico em volta de “Mãe!” foi precisamente até que ponto de pode dar valor a um filme que se trata de uma experiência horrível para o espectador. Afinal, se faz parte da premissa concetual de um filme mergulhar a audiência num poço sem fim de desconforto e terror, podemos criticar negativamente essa mesma obra por ser demasiado desconcertante ou bruta na sua asfixia do espectador? Uma coisa é certa, ninguém que viu “Mãe!” ficou indiferente.

Mesmo que o niilismo operático de Aronofsky não seja ao gosto de todos, é uma pena que os aspetos mais individualmente brilhantes do filme tenham sido ignorados pelos prémios de Hollywood. Em termos cenográficos, a casa onde todo o filme se passa é um triunfo do mais alto gabarito, parecendo conter toda a carga concetual de um universo em constante mutação na sua estrutura de madeira arranhada. O design de som é absolutamente monstruoso, quase que apunhalando os tímpanos da audiência com suas dissonâncias inesperadas. Por sua vez, Michelle Pfeiffer interpreta a perversão obscena da Eva do Antigo Testamento com um equilíbrio notável entre autenticidade humana e a estilização inerente ao desafio de se interpretar um símbolo de feminilidade bíblica.

 


MULHER MARAVILHA

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Devia ter sido considerado para: Melhor Filme, Realização, Atriz, Argumento Adaptado, Montagem, Cenografia, Guarda-Roupa, Caracterização, Banda-Sonora Original, Canção Original, Sonoplastia, Efeitos Sonoros

 

Por muito que o sucesso dos mais recentes filmes da Marvel e a desgraça entediante de “Liga da Justiça” terem envenenado algum do seu legado popular, “Mulher Maravilha” continua a ser o grande filme de super-heróis de 2017. Para além do mais, no auge to movimento #TimesUp, esta celebração do poder feminino em frente e atrás das câmaras parecia o blockbuster perfeito para marcar presença na Awards Season. No final, apesar de uma nomeação do Sindicato dos Produtores, o triunfo da realizadora Patty Jenkins foi quase totalmente ignorado.

Não querendo defender em demasia quão o filme merecia um lugar entre os nove nomeados para o Óscar de Melhor Filme, ou a glória do seu argumento e de Gal Gadot, foquemo-nos em alguns dos seus elementos mais singulares e “técnicos”. Veja-se, por exemplo, o guarda-roupa desenhado por Lindy Hemming que mescla História e fantasia sem objetificar ou masculinizar a super-heroína mais famosa de sempre. Os cenários históricos da Europa em plena 1ª Guerra Mundial, o design sonoro e sua potente energia e, acima disso, a banda-sonora gloriosa com os seus leitmotivs cuidadosamente planeados e seus toques de sonoridade elétrica por entre orquestrações mais clássicas.

Finalmente, temos o trabalho de Patty Jenkins. O génio da realizadora está no modo como ela não traiu os ditames estilísticos do universo cinematográfico da DC Comics, continuando a usar slow motion vistosa, uma paleta cromática sombria e cenas de ação que fetichizam a violência dos atos heroicos. No entanto, ao invés de cair na indulgência indisciplinada de Zach Snyder, Jenkins realizou “Mulher Maravilha” com punho de ferro, economia e precisão. No final, este é um dos filmes da DC com menos cenas eliminadas pois a realizadora sabia o que queria filmar e não se desviou do seu plano mestre.

 


WONDERSTRUCK: O MUSEU DAS MARAVILHAS

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Devia ter sido considerado para: Melhor Realização, Atriz Secundária, Argumento Adaptado, Montagem, Fotografia, Guarda-Roupa, Caracterização, Banda-Sonora Original, Sonoplastia

 

Depois do sucesso de “Carol”, assim como toda uma filmografia cheia de obras-primas, parecia que Todd Haynes estava no topo do mundo. Quando foi anunciado que ele traria o seu mais recente projeto a Cannes, começou-se logo a falar de como “O Museu das Maravilhas” estaria logo à partida a caminho de ganhar alguns dos prémios mais prestigiados do festival. Chegado o fim das celebrações, contudo, a fantasia infantil de Haynes foi recebida com ambivalência generalizada e acabou por cair nas águas do esquecimento, tanto crítico como popular.

Nada podia ser mais injusto. É certo que “O Museu das Maravilhas”, sendo um filme para crianças adaptado de um livro infantil, é uma anomalia na filmografia de Haynes, mas isso apenas lhe confere mais valor. Aliás, por muito sentimental que o conto de dois miúdos surdos perdidos em Nova Iorque e separados por cinquenta anos de História possa ser, o realizador e sua equipa tudo executaram com um nível de virtuosismo cinematográfico quase alienante na sua perfeição faustosa.

Figurinos, cenários, banda-sonora e fotografia são impecáveis e mostram criatividade sem igual, mas este não é um simples exercício técnico. O já referido sentimentalismo é apresentado sem ponta de ironia, o que é uma brisa de ar fresco no cinema atual, e uma prestação dupla de Julianne Moore traz ao filme uma âncora emocional capaz de trazer lágrimas aos olhos dos espectadores quando a narrativa chega ao seu glorioso final no meio de um diorama da Grande Maçã.

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O que pensas das nossas escolhas? Concordas que estes filmes mereciam mais atenção da Academia de Hollywood do que receberam? Deixa as tuas respostas nos comentários!

 

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One thought on “10 filmes injustamente esquecidos pelos Óscares

  • O Downsizing é um dos esquecidos a meu ver.

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