Carlos Blanco em "A Unidade" © AXN Portugal

A Unidade | Entrevista exclusiva a Carlos Blanco da nova série do AXN

A partir do dia 22 de março, poderás ver “A Unidade” uma das melhores séries espanholas do último ano. Falamos com Carlos Blanco, um dos protagonistas da nova série do AXN. 

Carlos Blanco não é certamente uma estrela do cinema espanhol como Antonio Banderas, Penélope Cruz ou Javier Bardem. Carlos Blanco é um dos nossos, um dos atores mais humildes, com os pés bem assentes na terra. É um genuíno sonhador que sabe enfrentar os desafios da profissão com a sobriedade necessária e sem os devaneios próprios ao mundo do entretenimento.

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© 2021 AXN PORTUGAL

Se até ao momento era apenas conhecido do público espanhol, a partir do dia 22 de março irá entrar em todas as casas portuguesas através do Canal AXN Portugal. Na verdade, Carlos Blanco é um dos rostos de “A Unidade” (“La Unidad” no título original), uma das séries do país de nuestros hermanos mais intensas dos últimos tempos. “A Unidade” é mais um produto em terreno espanhol, onde cada vez mais há muito por explorar. ‘Espanha é um país de sol‘ é assim que se refere Carlos Blanco que esteve à conversa connosco via Zoom, insistindo nas potencialidades turístico-cinematográficas de um país que tem sabido desenvolver a sua diversificada indústria cultural.

A Unidade” é uma série original Movistar+, uma das plataformas mais curiosas do nosso país vizinho, onde todos os meses estreiam produções originais e que tem conseguido abraçar o talento dos atores, argumentistas e realizadores espanhóis. Aliás, Dani de la Torre (realizador do filme “O Desconhecido”, de 2015) foi o responsável pela realização desta série que explora o terrorismo, com Carlos Blanco num papel secundário de relevo. Como revelámos no nosso artigo de antevisão a “A Unidade”:

Os protagonistas da série “A Unidade” são heróis invisíveis que compõem uma das melhores equipas na área, liderada por Carla Torres. Esta unidade tem agora em mãos a missão secreta e em contrarrelógio de desmantelar uma conspiração, depois de o líder da jihad ter sido detido em Espanha, tornando o país num dos principais alvos para o grupo terrorista sem que a população tenha conhecimento do perigo que corre. Para garantirem a máxima eficácia, a equipa tem de permanecer invisível, o que acaba por ter grandes implicações na sua vida pessoal, especialmente nas suas relações.

A personagem a que Carlos Blanco dá vida chama-se Ramón e assume as funções do Inspetor do Grupo de Pesquisa. Mentor de toda a equipa, Ramón é um verdadeiro especialista, e sabe adaptar-se a várias situações, sobretudo porque o seu chefe é um jovem 15 anos mais novo. O respeito pela hierarquia é um dos pontos fortes da sua visão sobre o emprego.

Para além de Carlos Blanco fazem parte desta unidade policial Nathalie Poza, Michel Noher, Marian Álvarez, Luis Zahera, Raúl Fernández de Pablo, Fele Martínez, Alba Bernabé, Francesc Orellá, Pepo Oliva, Amina Leony, Miquel Insúa, Fariba Sheikhan, Mekki Kadiri, Hamid Krim , Omar Bentaleb, Mourad Ouani, Moussa Echarif, entre outros.

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Michel Noher (do lado esquerdo) e Carlos Blanco (do lado direito) em “A Unidade” © AXN Portugal

Carlos Blanco conta com um vasto currículo no teatro espanhol, tendo sido igualmente locutor da estação pública Radio Galega. Em 2018, recebeu o prémio Premio Rebulir da Cultura Galega, reconhecido feito pela sua região natal – a Galícia -, e nos últimos tempos participou em outras séries conceituadas como “Fariña“, uma série original da Netflix exibida pela AMC Portugal. Passemos agora para a entrevista exclusiva da MHD a Carlos Blanco.

MHD: Como descreveria a sua personagem na série “A Unidade”?

Carlos Blanco: O Ramón é um homem calmo. É a expressão plena da serenidade nos momentos mais complicados. É um homem que vem da época da luta anti-terrorista contra a ETA, o grupo terrorista basco. Ele tem a experiência profissional, é a calma e a unidade dentro da própria unidade. A unidade é um corpo muito especial que luta contra o terrorismo islamista. O Ramón traz consigo a experiência e trata de unir o grupo. Neste tipo de trabalhos é muito importante a confiança de uns entre os outros.

MHD: Na série “Fariña”, o Carlos dava a vida a um traficante de drogas, como é passar a dar a vida a um polícia em “A Unidade”?

Carlos Blanco: É boa esta mudança (risos). Eu acho muito interessante poder fazer dois trabalhos tão diferentes. Por um lado, temos um traficante de drogas como o Laureano Oubiña, um homem real, diria até um pouco fora de si, e por outro lado, o Ramón que é exatamente o contrário. Se calhar é um homem mais frio, com a frieza quando é necessário mantê-la. Eu adoro esta mudança, essa possibilidade de fazer dois extremos nestes trabalhos.

MHD: Atualmente acredita que em Espanha existe o fantasma do terrorismo islamista ou crê que a pandemia ajudou a minimizar este mundo? 

A Unidade

Carlos Blanco: É um pouco difícil responder a essa pergunta. O terrorismo islamista existe com absoluta certeza. Na série “A Unidade”, a equipa deverá adiar-se a que aconteça um determinado atentado.Devemos adiantar-nos para que não aconteça nada. Obviamente, a pandemia arrasou com tudo, mas os corpos de polícias, tais como aquele que vemos na série continuam a trabalhar, porque os terroristas também continuam a trabalhar, embora não se consigam deslocar com a facilidade que existia antes.

MHD: No cinema e na televisão espanholas existem cada vez mais projetos. Acredita que este crescimento a produção deste conteúdos foi algo repentino ou algo originado sobretudo pelo crescimento de novas plataformas como a Movistar+, a casa da “A Unidade”, ou a HBO e a Netflix, por exemplo? 

Carlos Blanco: Este é um fenómeno mundial, não há como negá-lo e há um consumo muito alto de produtos televisivos. “A Unidade” é uma série indicada para quem procura entretenimento, tem um ritmo certo e o espectador ficará prendido. Eu acho que o surgimento da Movistar+, da Netflix, da HBO, da Amazon Prime e de outras plataformas permitiu atingir mais qualidade nos produtos. O resultado final de “A Unidade” é realmente impressionante. O trabalho do realizador,  o Dani de la Torre, e de toda a equipa de exteriores é incrível… Temos uma sequência de atentado, na qual os espectadores ficarão completamente espantados. Como foi feita essa sequência é de arrepiar.

Temos atualmente mais meios para trabalhar e isso nota-se no produto final, no tempo para fazer as coisas e no cuidado como se apresentam as produções. Estas plataformas permitiu-nos a nós atores ter mais trabalho, trabalho que é cada vez mais visto internacionalmente. Para mim é muito importante a estreia de “A Unidade” em Portugal. Para mim Portugal é a minha segunda casa… Isto permite-nos chegar a um público que, de outra maneira, seria bastante difícil. Eu tenho tantas amigos portugueses que estão ansiosos pela estreia no Canal AXN e eu adoro que isso aconteça.

MHD: O que Espanha oferece de diferente em relação à produção de filmes e séries, nacionais e internacionais? Afinal tem sido um espaço de rodagem de produtos internacionais…

Carlos Blanco: Espanha oferece uma equipa técnica altamente qualificada, muito experiente e provavelmente alguns benefícios económicos, pois é um país barato, se compararmos com a França, a Inglaterra ou a Alemanha. Por essa razão acho que acontecerá o mesmo em Portugal… O vosso país já tem equipas técnicas perfeitamente qualificadas, realizadores e realizadoras de nível internacional, além da geografia e do sol. As boas condições atmosféricas são importantes para as rodagens. É muito complicado rodar na Galiza, onde moro, porque está a chover constantemente.

Oferecemos isso: competitividade, equipamento técnico e pessoal com muitos anos de experiência e que uma série precisa. Suponho que seja essa a razão pelo sucesso internacional de séries feitas em Espanha.

Carlos Blanco
Carlos Blanco, Monti Castiñeiras, Antonio Durán ‘Morris’, Manuel Lourenzo, Xúlio Abonjo, Alfonso Agra, Javier Rey, e Iván Marcos em “Fariña” (2018) © Netflix

MHD: Gostaríamos de saber sobre qual a importância que a sua participação em “Voltar” de Pedro Almodóvar teve na sua carreira?

Carlos Blanco: Teve muito pouca relevância porque tratava-se de um papel pequeno num filme maravilhoso como “Voltar“. Consegues imaginar aquele dia em eu fui fazer a prova de casting com Almodóvar e a Penélope Cruz longo ali ao meu lado. Eu estava no meio de duas estrelas (risos).

Teve mais importância “Fariña”, que permitiu a muitos atores da Galiza dar o salto a Madrid. Eu atingi isso já com uma idade avançada. Tenho 62 anos e mais de 30 anos de carreira nos palcos, nas séries da Galiza, algumas vistas até em Portugal. Eu atinge este status, que adoro, pois permite-me fazer trabalhos importantes. Agora mesmo estou a rodar a segunda temporada de “A Unidade” que promete ser tão ou mais apaixonante do que a primeira.

Estreia em breve outra série da qual participo, uma comédia intitulada “Los reyes de la noche“, baseado no rádio…. Enfim, trabalhar com Almodóvar permitiu-me colocar esse trabalho no meu currículo. Almodóvar é uma estrela mundial e representa todo o novo cinema espanhol.

MHD: Para além da rodagem da segunda temporada de “A Unidade” quais são os seus próximos projetos?

Carlos Blanco: Neste momento participou numa peça de teatro em Madrid, depois devo ir até à Galiza estrear uma peça da minha autoria e claro tenho a segunda temporada de “A Unidade”. Em setembro, irei começar a rodar a segunda temporada de “Los reyes de la noche”. São os meus projetos. Espero que a pandemia e as suas variantes não me atrapalharem, porque como sabemos é bastante complicado planificar as nossas vidas neste momento.

MHD: Muito obrigado Carlos por esta conversa. 

Se gostas de série de televisão não percas a estreia de “A Unidade”, a série espanhola que te promete deixar agarrado ao ecrã do princípio ao fim. Durante os seus seis episódios, a trama consegue criar momentos de realismo puro, e até situações que criam alguma surpresa ao espectador. De que estás à espera? “A Unidade” chega ao AXN Portugal no próximo dia 22 de março, às 22h50.

Abaixo podes ver a conversa divertida (e inesperadamente feita em português) entre Carlos Blanco e Virgílio Jesus, o Coordenador de Cinema e Streaming da MHD. Não estávamos nada à espera que a conversa com Carlos Blanco corresse tão bem, tendo sido um prazer partilhar este pequeno momento com o talentoso ator espanhol.

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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