Veneza 73 | Os Prémios e Balanço de um Festival

O filipino Lav Diaz ganhou o Leão de Ouro por ‘The Woman Who Left’, um belíssimo melodrama sobre uma mulher e o seu destino. O português Nuno Lopes,  ganhou o Prémio de Melhor Actor, com o seu pugilista angustiado de ‘São Jorge’, de Marco Martins, na secção Orizzonti.

Lav Dias

O júri de Veneza 73, presidido pelo realizador britânico Sam Mendes, atribuí o Leão de Ouro ao cineasta filipino Lav Diaz por The Woman Who Left, um dos melhores filmes da competição.

Vê trailer de The Woman Who Left

O vencedor The Woman Who Left, é um filme sobre uma mulher que passa trinta anos na prisão por um crime que não cometeu e que procura uma redenção. Apesar da longa duração (221 minutos, quase 4 horas), é um filme que agarra o espectador, do princípio ao fim. Diaz, esteve a concurso em Veneza 73, poucos meses depois de ter apresentado A Lullaby to the Sorrowful Mystery, um filme de oito horas de duração na competição da Berlinale, em fevereiro passado.

The Woman Who Left

O Leão de Prata do Grande Prémio do Júri foi para o elegante, formal e frio Nocturnal Animals, um filme do estilista-realizador norte-americano Tom Ford. Goste-se ou não, é um filme que esteve sempre na frente das tabelas de estrelas e das escolhas da crítica e público do festival. 

La Región Salvaje

Mais discutível foi a decisão do júri de atribuir o prémio de Melhor Realizador ex aequo ao jovem mexicano Amat Escalante, pelo seu La región salvaje — filme que dividiu opiniões, com o seu extraterrestre incansável em dar prazer sexual — e a Paradise, mais um filme sobre o Holocausto do mestre russo Andrei Konchalovsky. Polémico pode ser o Prémio Especial para The Bad Batch, de Ana Lily Amirpour (EUA), um filme confuso e sem nexo e uma pretensa metáfora sobre o fim do sonho americano.

La La Land

As Taças Volpi que premeiam as interpretações foram na categoria masculina para Óscar Martínez de El ciudadano ilustre, dos argentinos Mariano Cohn e Gastón Duprat, sobre o mal-estar de um escritor no seu regresso às origens; na categoria feminina a taça foi para a jovem norte-americana Emma Stone pela aspirante e depois actriz no belo musical La La Land. Noah Oppenheim, recebeu o prémio de Melhor Argumento, por Jackie, do chileno Pablo Larraín, um filme passado logo a seguir ao assassinato do Presidente Kennedy com a Nathalie Portman a por-se em bicos dos pés para interpretar um dos maiores ícones do século XX. A alemã Paula Beer, ganhou um merecido Prémio Marcello Mastroianni para a Melhor Actriz Revelação por Frantz, de François Ozon, igualmente um dos melhores filmes franceses a concurso.

São Jorge

Na secção Orizzonti é histórica para o cinema português a vitória de Nuno Lopes, no prémio de Melhor Actor pelo seu papel em São Jorge, de Marco Martins, numa secção que é dedicada às novas tendências do cinema mundial. Nunca nenhum actor português tinha arrecadado um prémio tão importante a nível internacional. Nuno Lopes em São Jorge interpreta, um jovem pugilista que no cume da crise financeira em Portugal em 2011 e da intervenção da troika, numa situação de desespero, sujeita-se a trabalhar para uma empresa de cobranças difíceis.

Vê trailer de São Jorge

Ele próprio está com dívidas por pagar, quer ficar com o filho e impedir que a mulher uma imigrante brasileira (a atriz brasileira Mariana Nunes), regresse ao Brasil. De cobrado passa a cobrador não sem que isso lhe cause uma enorme angústia, sofrimento e problemas de consciência.

Vê entrevista com Nuno Lopes

São Jorge é fruto de uma investigação, em que o actor teve mesmo que trabalhar o corpo, para se identificar fisicamente com a sua personagem de boxeur e conviver em pleno com as pessoas desses bairros problemáticos da Jamaica e Bela Vista, na Margem Sul de Lisboa.

PRÉMIOS VENEZA 73

Leão de Ouro

The Woman Who Left, de ­ Lav Diaz

Grande Prémio do Júri

Nocturnal Animals de ­ Tom Ford

Leão de Prata para Melhor Realizador

Ex aequo para Amat Escalante ­( La región salvaje) e  Andrei Konchalovsky ­ (Paradise)

Prémio Especial do Júri

The Bad Batch de ­ Ana Lily Amirpour

Taça Volpi para Melhor Actor

Óscar Martínez por­ El ciudadano ilustre

Taça Volpi para Melhor Actriz

Emma Stone por ­ La La Land

Premio Marcello Mastroianni Para Mejor Actor/Actriz Revelação

Paula Beer por­ Frantz 

Prémio de Melhor Argumento

Noah Oppenheim por ­Jackie


Leão do Futuro – Prémio Luigi de Laurentis  para Melhor Primeira Obra

The Last of Us, de ­Ala Eddine Slim

Orizzonti

Melhor Filme

Liberami, de ­Federica Di Giacomo

Melhor Realizador

Fien Troch ­ Home 

Prémio Especial do Júri

Big Big World, de Reha Erdem

Melhor Actriz

Ruth Díaz ­ por Tarde para la ira 

Melhor Actor

Nuno Lopes ­ por São Jorge

Mejor Argumento

Wang Bing por ­ Bitter Money

Melhor Curta metragem

La voz perdida, de ­Marcelo Martinessi

Venezia Classici

Melhor Filme Restaurado

Break Up ­ L’uomo dei cinque palloni, de ­Marco Ferreri

Melhor documentário sobre cinema

Le Concours, de Claire Simon

JVM (em Veneza)

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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