Antes de se tornar sinónimo de faroeste e do olhar mais intimidante de Hollywood, Clint Eastwood esteve a um passo de abandonar a representação para sempre. Corria o ano de 1958 e o ator, então com 27 anos, saiu de um cinema convencido de que a sua carreira tinha chegado ao fim.
Hollywood era um faroeste autêntico
Hollywood, nos anos 50, era um funil brutal. Milhares de jovens chegavam a Los Angeles todos os anos à procura de um lugar ao sol, e o género western.
Ou seja, dominado por figuras como John Wayne, não deixava muito espaço para caras novas. Assim sendo, para Clint Eastwood, apesar de ser praticamente um “local”, não escapava a essa realidade. Ou seja, o início da sua filmografia é uma sucessão de papéis pequenos e filmes B esquecíveis.
O ponto mais baixo chegou com “Ambush at Cimarron Pass”, rodado em apenas nove dias e descrito pelo próprio ator, décadas depois, como um trabalho feito “à pressa” e que preferia ter esquecido, segundo um relato de 1978 à Crawdaddy.
A noite em que Eastwood quase desistiu do cinema
Foi ao ver o resultado final, num cinema de bairro com a mulher, que Clint Eastwood percebeu a dimensão do desastre. O ator confessou que foi afundando cada vez mais na cadeira à medida que o filme avançava, decidido a desistir da representação e voltar a estudar.
Assim sendo, “disse à minha mulher, vou desistir, vou mesmo sair. Vou voltar à escola e fazer algo com a minha vida”.
O fracasso do filme não ajudou a abrir portas. O ator recordou que séries populares da época, como “Wagon Train”, nem sequer lhe davam hipótese de fazer um teste, o que o fazia questionar se simplesmente não tinha talento para o ofício.
A reviravolta surgiu com um convite da CBS para um novo western. O ator conseguiu o papel. No entanto o projeto ficou parado durante meses, sem data de estreia, depois de a rede decidir apostar em programas de meia-hora em vez de formatos mais longos.
Da televisão para o sucesso no cinema
Essa série viria a chamar-se “Rawhide”. Estreou em janeiro de 1959, tornou-se um sucesso imediato e deu a Eastwood seis anos de trabalho regular na televisão. Assim sendo foi a plataforma que o lançaria mais tarde para papéis icónicos como os de “The Good, the Bad and the Ugly”.
Se tivesse seguido o instinto daquela noite no cinema, talvez “Ambush at Cimarron Pass” tivesse sido o último filme da sua carreira.

