Os 25 Melhores Álbuns de 2017 | 5 – 1

Em tempos difíceis vem ao de cima a boa música que há em nós. Estes são os 25 Melhores Álbuns de 2017, que nos ajudaram, aqui na MHD, a ver como há sempre vida a latejar.

Chegados ao auge, damos a conhecer finalmente os grandes vencedores. Estes foram os discos que nos acompanharam, bem de perto, a cada um de nós particularmente e a todos nós conjuntamente. Foram fonte de entusiasmo, encheram as nossas conversas (de café e por email), musicaram o caminho para casa e entranharam-se nos nossos corações até já só poderem mesmo acabar aqui, nesta página. Rendemo-nos.

 

LCD Soundsystem, American Dream

5. LCD Soundsystem, American Dream (Columbia / DFA, 1 Setembro 2017)

Quando todos assistimos ao findar dos LCD Soundsystem – mais de perto (para os que estavam no Madison Square Garden nesse dia) ou de longe (os que, como eu, tiveram de aguardar pelo Shut Up and Play the Hits) – nunca esperámos isto. Talvez uma reunião da banda, alguns concertos para celebrar os hits do passado (“but we don’t do hits”, pois não?), na melhor (ou pior) das hipóteses, um álbum embaraçoso. Mas um dos discos do ano? Uma sofisticada paródia dos sons da década de 80, citações descaradas que se tornam subtil e enigmaticamente pessoais e contemporâneas, a envolver as meditações de um velho no meio de novos. Melhor, de um mundo que sempre foi dos novos, onde não se parece poder envelhecer. Até à data. E essa data é 2017.

Incontornáveis: “oh baby”, “how do you sleep” e “american dream”

 

Mount Eerie, A Crow Looked at Me

4. Mount Eerie, A Crow Looked at Me (P. W. Elverum & Sun, 24 Março 2017)

Phil Elverum é um dos grandes cantautores do nosso tempo, mesmo se muitos o desconhecem. O seu rosto e nome, escondidos por detrás de projectos que vai criando (The Microphones e Mount Eerie), raramente chegam às pessoas, mesmo àqueles de nós que lhe conhecemos bem a voz, a cadência recitativa, o tom desprendido de um contador de histórias acidental. Mas desta vez torna-se impossível não o ouvir, e a história é séria demais para que a ouçamos vezes demais. Basta fazê-lo de vez em quando, sentados a ouvir sem o interromper, letras à frente dos olhos. Estas percebem-se logo, porque como não perceber do que ele está a falar? E, no tempo, mesmo a aparente simplicidade das melodias e dos arranjos revela-se como isso mesmo: aparente.

Incontornáveis: “Real Death”, “Ravens”, “My Chasm” e “Soria Moria”

 

Broken Social Scene, Hug of Thunder

3. Broken Social Scene, Hug of Thunder (Arts & Crafts, 7 Julho 2017)

Uma das vantagens do Spotify (e afins) é que toda a gente pode ouvir toda a música. Uma das desvantagens é que ninguém pode ouvir este disco como deve ser. Poder, talvez até possa. Mas não o irá fazer. E é uma pena, porque um sistema de som como um daqueles que o nosso Rui Ribeiro aprecia revelaria as complexas harmonias, as melodias enterradas e a sua dinâmica, os vários timbres que dão substância e sentimento à textura densa destas canções. A tribo canadiana (alguns deles já responsáveis pelo nosso #24) excedeu-se e presenteou-nos com um disco que por aqui consideramos estar mais do que à altura dos seus clássicos da década passada. Longa vida aos BSS!

Incontornáveis: “Halfway Home”, “Protest Song” e “Hug of Thunder”

 

Fleet Foxes, Crack-Up

2. Fleet Foxes, Crack-Up (Nonesuch, 16 Junho 2017)

Este disco mostra o quão benéfico pode ser às vezes um hiato e uma volta pela universidade. Sentindo-se esgotado nas últimas digressões, triste com as tensões na banda, desanimado pela falta de criatividade, Robin Pecknold deu por suspensa a sua vida musical e mudou de ares. E não há dúvida de que voltou curado, porque este é um álbum que conquista muitos à primeira e a todos no tempo. A forma livre das canções impede-as de emergir imediatamente com toda a sua identidade, mas a repetida audição desvela o carácter único de cada uma delas, forte na (tantas vezes agreste) suavidade. Vamo-nos sempre apaixonando por mais pormenores, numa história que parece não ter fim.

Incontornáveis: “I Am All That I Need/Arroyo Seco/Thumbprint Scar”, “Third of May/Odaigahara”, “If You Need Me, Keep Time On Me” e “Fool’s Errand”

 

Slowdive, Slowdive

1. Slowdive, Slowdive (Dead Oceans, 12 Janeiro 2017)

Vamos lá ser sinceros e admitir que todos gostamos de um final feliz, particularmente nos tempos que correm. Chega daqueles (ó tão) grandes filmes em que o herói morre no fim. O truque tornou-se fácil, uma avenida para os Óscares, e começamos a estar fartos de que para ser bom não possa acabar bem. Os Slowdive foram expulsos da música por uma esfregona (vá lá, por um mundo que gostava de esfregonas, daquelas à frente da testa ou lambidas ao ladinho das orelhas), mas queremos crer (e a banda assim o julga) que foi tudo pelo melhor e era hora de ir fazer outras coisas. Se foi tempo perdido ou não, nunca o saberemos, mas de que estamos muito felizes por os ter de volta ninguém duvida. Se não, ouçam e cada um julgue por si mesmo. Para nós, é o melhor disco do ano.

Incontornáveis: “Star Roving”, “Sugar for the Pill”, “No Longer Making Time” e “Go Get It”

 


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Sobre Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam “Justin Bieber” escrito num texto meu (ok, para além deste).