15 Filmes mais sobrevalorizados do século XXI | The Revenant (2015)

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Em The Revenant, acompanhamos uma expedição pelo desconhecido território americano quando o lendário explorador Hugh Glass é brutalmente atacado por um urso e deixado como morto pelos seus companheiros de caça.

Na luta pela sobrevivência, Glass resiste a um sofrimento inimaginável, bem como à traição de John Fitzgerald, um dos seus companheiros de expedição.

Revisitando o mito americano com a crueza que mais com ele condiz – venal, bruta, vingativa – o filme de Alejandro Iñárritu que levou Leonardo DiCaprio ao muito ansiado Óscar é um poema frenético cravado a ferros e sangue frio na pele nua de um homem que o sofrimento manipula com deleite. Surgindo como uma espécie de “Gravidade dos westerns”, visceral e de tal forma eletrizante que transcende a própria narrativa, O Renascido trata um vértice fascinante da ainda breve história americana. É quase um cenário Bíblico, num mundo aparentemente sem lei onde a justiça se faz “olho por olho, dente por dente”.

O problema é que, com o passar dos (longos) minutos, O Renascido vai avançando a passos pesados e pretensiosos, sempre sem cumprir as suas proféticas pretensões.

Visceralmente diferenciado de Birdman (lançado no ano anterior), mas também dos enredos entreligados dos anteriores filmes de Iñárritu (onde se contam, por exemplo, os magníficos 21 Gramas e Babel). Desta feita a história é extraordinariamente simples, inclusive a um ponto prejudicialmente detrimental. De facto, a ambição filosófica e moral é tão exacerbada que no momento em que chegamos à ansiada represália, depois de tanta dor, morte, planos da natureza e minutos inexplicavelmente queimados, é muito difícil não a sentir como uma relativa desilusão.

Na verdade, o que fez Birdman funcionar tão bem foi o harmonioso casamento entre o virtuoso estilo do realizador e o estado caótico da psique das suas personagens. Todo o pandemónio miraculosamente organizado trabalhava em prol da história de um homem que, procurando reencontrar-se consigo mesmo, se perdia ainda mais. Em O Renascido, o estilo e a história não só não parecem estar na mesma página – parecem arrancados de livros diferentes. E mesmo com o investimento feito em encantar os nossos olhos através de cenas que são manifestamente indeléveis (Emmanuel Lubezki destaca-se uma vez mais como um dos mais talentosos e disruptivos diretores de fotografia dos nossos tempos), o mais recente filme de Iñárritu não consegue deixar de se sentir frustrantemente frio, incapaz de nos assoberbar o coração como nos revira as entranhas.

Catarina D’Oliveira

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Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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