Filmes sobre o Espaço

15 Filmes sobre o Espaço para ver antes de O Primeiro Homem Na Lua

Quer seja na órbita da Terra ou num ponto distante da galáxia, o Espaço é, verdadeiramente, um autêntico personagem sem igual no Cinema. Quais são os Filmes sobre o Espaço que não hesitas rever?

O Espaço. A última fronteira ou a primeira porta para o incomensurável infinito?

A exploração espacial não é apenas uma das grandes ambições científicas da Humanidade, mas também a eterna caixa de Pandora a que a indústria cinematográfica regressa uma e outra vez, tentando espreitar através de uma nova fresta que permita um vislumbre fresco, original e temerário do oceano de desconhecido que nos rodeia.

O Primeiro Homem na Lua, o primeiro drama de Damien Chazelle depois do estrondoso sucesso dos musicais Whiplash e La La Land, examina, uma vez mais, a Nossa insaciável determinação de mergulhar no desconhecido para o tornar conhecido. No enredo, acompanhamos a história de vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong (aqui interpretado por Ryan Gosling), a sua incrível jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua, mas sobretudo, os sacrifícios e custos para toda uma nação de uma das mais perigosas e audaciosas missões na história da exploração espacial.

Quando nos aproximamos a passos largos da sua estreia nacional no próximo dia 18 de outubro, aproveitamos para fazer o trabalho de casa e explorar 15 Filmes sobre o Espaço para ver antes de O Primeiro Homem Na Lua.

Nota da autora: Todos os filmes da lista retratam uma luta ou dinâmica minimamente ancoradas na realidade, estando excluídos deste compêndio clássicos incontornáveis mas inequivocamente mais “ficcionais” como Guerra das Estrelas ou Star Trek.

2001: ODISSEIA NO ESPAÇO (1968)

Podíamos, sequer, começar de outra forma?

50 anos volvidos da sua estreia no Cinema e 2001: Odisseia no Espaço não é só o filme mais influente de toda esta lista, como, possivelmente, de todas as listas de Cinema onde poderá estar envolvido.

Em 2001, Stanley Kubrick oferece-nos um vislumbre de uma viagem desde o passado pré-histórico dos nossos antepassados, quando um grupo de macacos encontra um misterioso monólito e dele obtém conhecimentos que resultam na evolução do Homem, até ao espaço colonizado pelos humanos, no ano 2001. A descoberta de um outro monólito na Lua, proveniente de uma região junto a Júpiter, leva ao lançamento de uma expedição liderada pelo astronauta David Bowman para investigar a origem do objeto extraterrestre. Quando a missão é colocada em risco por HAL 9000, o supercomputador que controla a nave espacial, Bowman terá de vencer a máquina antes de viajar até ao local de origem do admirável objeto.

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Na derradeira exploração da imensidão do desconhecido, desbravando temas que vão desde o existencialismo à própria natureza da evolução, sem esquecer as anotações críticas sobre a consciência humana, o clássico de culto de Kubrick comenta sobre o Espaço como uma imensidão anónima – gloriosa, mas aterrorizadora.

Em 2018 permanecem as discussões acalentadas sobre o verdadeiro significado de 2001. Ao contrário do escrito de Arthur C. Clarke em que se inspira e que marca uma posição com alguma clareza, Kubrick sempre se absteve de explanações fáceis. E é também esta característica de esquiva impenetrabilidade que nos faz regressar vezes sem conta, sempre para descobrir algo novo – sobre o filme, e sobre nós.




2010 – O ANO DO CONTACTO (1984)

Podemos imaginar que fazer uma sequela para 2001: Odisseia no Espaço não seja tanto um tiro no pé como um estouro épico. Com uma bazuca. Na cabeça…

Ainda assim, é algo que existe, se há algo que não podemos negar sobre Peter Hyams é a sua coragem e ousadia. Numa continuação direta do clássico de Kubrick, 2010 acompanha a missão conjunta de americanos e soviéticos enviada ao espaço para descobrir o que aconteceu com o Discovery, o computador HAL e Dave Bowman.

Optando por uma abordagem mais direta e distinta do seu antecessor, 2010 não joga, evidentemente no mesmo campeonato de 2001, mas, alicercando-se num elenco forte e num enredo interessante, não deixa de se apresentar como um competente, relativamente realista e intelectualmente estimulante conto espacial que nunca desrespeita o original.




APOLLO 13 (1995)

“Houston, we have a classic!”.

Em 1970, a NASA envia à Lua um novo grupo de astronautas na missão Apollo 13. Porém, já no espaço, um tanque de oxigénio explode. Com o acidente, os astronautas Jim Lovell, Jack Swigert e Fred Haise não conseguem seguir a sua rota. Com grande risco de ficar sem oxigénio no trajeto de regresso à Terra, a equipa de astronautas e a equipa em Terra correm contra o tempo para tentar reparar a nave.

A história é bem conhecida e os seus contornos dramáticos tomam traços aterrorizadores quando nos lembramos que foi bem real. Sabemos como acaba… mas não é por isso que o realizador Ron Howard tornou esta jornada de sobrevivência menos tensa.

Protagonizado por Tom Hanks, Kevin Bacon, Bill Paxton, Gary Sinise e Ed Harris, Apollo 13 é uma dramatização da mediática missão titular e uma adaptação do livro “Lost Moon: The Perilous Voyage of Apollo 13”, dos astronautas Jim Lovell e Jeffrey Kluger.

Recriando a tensão claustrofóbica do fatalismo iminente, Apollo 13 é, ainda assim, uma das entradas menos existencialistas desta lista, e talvez por isso se sinta de uma forma tão diferente. Tudo aqui é prático – as soluções encontradas pelos protagonistas para as dificuldades que encontram não dão espaço a ideias ou conceitos complexos e incompreensíveis aos leigos – e isso dá-lhe a abertura e acessibilidade a um público vastíssimo que muitas outras obras do género não permitem.

Alicerçado num realismo acentuado – louvado por muitos especialistas da NASA – o já clássico de Ron Howard é uma carta de amor à ingenuidade americana e um ensaio sobre o poder do blockbuster humano.

Fazem-nos falta mais destes.




EUROPA REPORT (2013)

Um filme sobre o Espaço com um cameo de Neil Degrasse-Tyson tem de ter pontos extra, certo?

Todavia, não é só por essa razão que Europa Report simplesmente não podia estar ausente da nossa lista.

Realizado por Sebastian Cordero, este é um glorioso (e raro) mistério de ficção científica ao estilo found footage que acompanha a viagem de seis astronautas que tentam descobrir se é possível viver nas luas de Júpiter… mas que descobrem algo que aterroriza e transforma a sua equipa para sempre.

Com um orçamento modesto, Europa Report discorre largamente sobre o entusiasmo pela descoberta e a sede pelo conhecimento, que ultrapassam largamente o medo das consequências nefastas, tornando-o um dos filmes de ficção científica mais envolventes da memória recente.

As crises atravessadas pela tripulação são tratadas de forma extremamente realista, e Europa Report avança num crescendo para um terceiro ato cheio de suspense. A abordagem clínica e muito próxima do documentário dá-lhe uma urgência única e que só vem enfatizar a sua credibilidade artística, tecnológica e humana.

Se ainda não viste, não percas tempo!




INTERSTELLAR (2014)

A cada novo filme, a cada nova incursão, a cada novo puzzle, a questão que se coloca: será que Christopher Nolan se superou?

A resposta, em todos os seus componentes, é subjetiva, mas há pelo menos espaço para uma verdade universal – Interstellar, um épico de ficção-científica que presta igual reverência às duas metades de denominação do género, é o seu filme mais ambicioso e corajoso, tanto como as ideias e aventura que toma como o destino da terra.

O enredo, lido por quem ainda não assistiu, deve ser sobre simplificado e conjurado sobre a forma de uma espécie de feitiço místico que nada pode revelar além da marca da primeira hora de filme, momento em que deixamos para trás a Via Láctea e partimos à descoberta de uma nova galáxia para chamar de casa. A razão para tal exploração radical é que o nosso tempo no planeta Terra se aproxima assustadoramente do fim.

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Denso, intricado e com uma arquitetura confiante na sua estrutura complexa, Interstellar mina os jogos cerebrais de ideias que tocam algumas das questões mais primárias sobre a natureza humana e o seu futuro.

Interstellar é, evidentemente, um blockbuster de proporções colossais – em termos épicos, de alcance, de orçamento – mas não é isso que o torna singular. Numa era onde representações de super-heróis fictícios e invasões extraterrestres imaginadas custam mais a gerar do que o PIB de algumas pequenas nações, o filme de Chrispother Nolan faz diferente. O orçamento é igualmente estratosférico, mas as ideias, essas parecem dignas de um universo de outro dos seus filmes, onde os sonhos se assumem como uma realidade alternativa, palpável, capaz de influenciar o nosso dia-a-dia.

Como Cooper admite, parece que deixamos de olhar para cima e imaginar, e começamos a olhar para baixo. A beleza da fascinação perdeu-se entre o incómodo da preocupação. Isto também no Cinema. E é neste panorama de repetidos cenários apocalípticos, devastadores e descrentes que Interstellar se revela como uma grandiosa carta de amor à humanidade. Uma carta imperfeita, é verdade, mas não mais defeituosa do que Nós.

Aqui há esperança. No futuro e no Cinema.




MOON – DO OUTRO LADO DA LUA (2009)

Um dos grandes preços da exploração espacial é, inequivocamente, a solidão.

Moon – O Outro Lado da Lua, tal como muitos outros títulos nesta lista, lida na primeira pessoa com este bicho papão enquanto acompanhamos o Astronauta Sam Bell que é enviado numa missão de três anos para o outro lado da Lua com o objetivo de vigiar uma mina de Helium-3, um químico que se tornou a principal fonte de energia no planeta Terra. A sua base lunar perdeu a comunicação com a Terra, deixando-o completamente isolado. Felizmente, o seu contrato está quase a acabar e em breve regressará a casa para junto da sua amada mulher Tess e da pequena filha Eve… No entanto, Sam sofre um estranho acidente e descobre um segredo que coloca o futuro em questão.

A esmagadora maioria dos filmes de ficção científica descansam num leito de pesados efeitos visuais que nos arrancam para um glorioso mundo de fantasia e imaginação, mas Moon não é um desses filmes.

Criado e realizado por Duncan Jones, este inebriante mistério é incrivelmente silencioso na sua exploração do efeito psicológico e emocional de uma vida dedicada ao Espaço. Assumindo uma posição neutra, Moon não prega sermões sobre a identidade ou a humanidade, mas limita-se a observar a complexidade da intensa viagem emocional de Sam, subvertendo conceitos e ideias e refletindo um pessimismo cru.

Com ecos claros de 2001, Moon não perde a personalidade única, e é imensamente original e surpreendente, um puzzle com soluções elegantes mas selváticas que examina a dignidade de alguém que procura incessantemente a claridade num universo que poderá, ele mesmo, ter enlouquecido.




MISSÃO SOLAR (2007)

Ensanduichado algures entre um horripilante relato de contágio zombie (28 Dias Depois) e um festival de feel-good chegado (quase) diretamente de Bollywood (Quem Quer Ser Bilionário), eis que surge uma das verdadeiras pérolas da carreira de Danny Boyle.

Em 2057 o Sol está a morrer e a humanidade está a morrer com ele. A nossa última esperança: uma nave espacial e uma equipa de oito homens e mulheres. Eles levam um aparelho que vai dar nova vida à estrela. Mas a certa altura da viagem, sem contacto rádio com a Terra, a sua missão começa a desenrolar-se. Há um acidente. Um erro fatal. E um sinal de emergência de outra nave espacial que desapareceu sete anos antes. Em breve a equipa não só estará a lutar pelas suas vidas… mas também pela sua sanidade.

Missão Solar é um thriller psicológico, implacável e claustrofóbico que, na Era contemporânea, mais compreende a serena mas sinistra opressão do silêncio no Espaço.

O já célebre descalabro do terceiro ato quase coloca em causa a configuração requintada dos dois primeiros, num twist que transforma um articulado blockbuster de hard-sci-fi numa espécie de slasher desesperado. Ainda assim, não nos desencantamos.

Contrastando a frivolidade da natureza com a imperfeição humana, Missão Solar é a aventura cerebral a que não conseguimos resistir.




SPACE COWBOYS (2000)

A inclusão mais divertida e leve desta lista (ainda que não esqueça os momentos de tensão) é um filme de e com Clint Eastwood? Quem diria!

O espaço nunca mais será o mesmo quando receber uma tripulação de astronautas formada por… cowboys na reforma. Frank Corvin é um engenheiro eletrónico, antigo piloto da Força Aérea Americana na reforma, quando é contactado pela NASA para corrigir uma avaria num velho satélite que foi por ele desenhado e que só ele pode arranjar. Frank aceita a missão, mas impõe como condição a reunião da sua antiga equipa de trabalho para o acompanhar.

Filmado, em grande parte, em instalações da NASA, Space Cowboys retrata com bastante precisão o que seria colocar um grupo de especialistas old-school no exigente programa espacial mais moderno.

Autêntico e com assinalável atenção ao detalhe, Space Cowboys é a aventura cheia de charme e personalidade que apresenta uma excelente desculpa para ver Clint Eastwood, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland e James Garner a divertirem-se à grande. E quem fica a ganhar somos nós.




GRAVIDADE (2013)

A Dra. Ryan Stone é uma brilhante engenheira médica na sua primeira missão espacial, com o astronauta veterano Matt Kowalsky, no comando do seu último voo antes de se reformar. Mas numa caminhada espacial de rotina acontece um desastre. A nave é destruída, deixando Stone e Kowalsky completamente sozinhos – amarrados apenas um ao outro e caindo em espiral pela escuridão. O silêncio ensurdecedor diz-lhes que perderam qualquer ligação com a Terra…e qualquer hipótese de salvamento. O medo transforma-se em pânico e cada respiração rouba o pouco oxigénio que têm disponível.

Quando dizemos que simplesmente “assistimos” a Gravidade, não deixamos de estar a criar uma pequena mentira. Afinal, Gravidade não se vê. Gravidade sente-se, experiencia-se.

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De certa forma, Alfonso Cuarón mudou a forma como vemos cinema, exercitando-nos os sentidos, apresentando-nos uma calamidade depois da outra, sem tempo para respirar. Gravidade é tão implacável na tensão que nos injeta diretamente nas veias como na admiração que nos projeta na mente aberta.

E não obstante o sentimentalismo desproporcionado que gera um peso emocional intrusivo ou mesmo as imprecisões científicas apontadas em diversas ocasiões por cientistas da NASA, Gravidade é um dos definitivos filmes sobre a nossa relação com o Espaço por uma razão simples: porque nos faz sentir que nunca estamos no controlo e que somos verdadeiramente um grão de areia insignificante no remoinho desconhecido que é o Universo.




SOLARIS (1972/2002)

Adorado pela crítica, criminalmente pouco reconhecido pelo público: é este o panorama que envolve Solaris. Bom, pelo menos o original russo, de 1972, orquestrado pelo mestre Andrei Tarkovsky. Em 2002 surge o remake – menos disruptivo, mas sólido – de Steven Soderbergh.

Navegando entre os conceitos de identidade e descoberta, o enredo observa um psicólogo ainda perturbado com a morte da mulher é chamado a investigar estranhas ocorrências a bordo de uma estação espacial, que se encontra perto do planeta Solaris.

Se o remake de Soderbergh é bastante completo mas mais genérico, a verdadeira obra de arte está no original de Tarkovsky. Belo e verdadeiramente afetante, Solaris é uma esmagadora experiência contemplativa sobre a natureza da subsistência humana. É, a par de 2001: Odisseia no Espaço, a obra mais influente desta lista, mas também a brilhante antítese do clássico de Kubrick: se o primeiro explora as possibilidades ilimitadas do potencial humano, Solaris pisa-nos com os constrangimentos da experiência humana.

Um reminder denso e cerebral sobre o que significa ser humano que dá corpo a um dos filmes de ficção científica mais importantes da história do cinema.




CONTACTO (1997)

Contacto é a adaptação da obra de ficção homónima de Carl Sagan e acompanha a história de Eleanor Arroway, uma astrónoma que dedica a sua vida à procura de sinais de vida extraterrestre através de frequências de rádio. Certo dia, surge-lhe um sinal inequívoco de vida inteligente, proveniente de Vega, com indicações para a construção de uma máquina que permita estabelecer contacto. Depois de lutar por provas irrefutáveis da sua descoberta, Eleanor terá de travar uma nova luta ao tentar ser ela a astronauta escolhida para levar a cabo a missão no espaço.

Com uma abordagem realista para o cenário do primeiro contato da humanidade com seres extraterrestres e nossas primeiras tentativas de fazer uma viagem através das estrelas para encontrá-los, o drama de mistério de Robert Zemeckis interseta, com alguma ambição e grau de sucesso, os grandes temas da ciência e da religião, particularmente na troca de galhardetes dicotómica entre a cientista interpretada por Jodie Foster e um padre católico vivido por Matthew McCaunaghey.

Uma mistura de rara perfeição de ideias provocadoras e progressistas e verdadeiro espetáculo hollywoodesco. Imperdível.




OS ELEITOS (1983)

Há filmes que fazem tudo bem… mas depois a bilheteira não corresponde. Os Eleitos é um desses amaldiçoados.

Baseado no livro homónimo de Tom Wolfe mas adaptado para o grande ecrã por Philip Kaufman, Os Eleitos traz-nos a história épica dos sete astronautas do projecto espacial Mercury.

O Presidente John F. Kennedy tinha tomado posse e toda a América vibrava com o desafio da “Nova Fronteira”. Os problemas sociais, políticos e económicos pareciam de fácil resolução para muita gente. E o mesmo otimismo parecia aplicar-se à última fronteira: o Espaço. Num vibrante discurso, o Presidente revelou a intenção de avançar com o programa espacial e levar o homem à Lua numa década. A este desafio, a América respondeu com sete astronautas pioneiros…

Muscular e otimista, Os Eleitos é daqueles filmes que parecem maiores do que a vida, mas a verdade é que surge como o reflexo exato de uma Era da Humanidade em que esta se esforçava por ser, também ela, maior que a vida.

Aqui combina-se história, drama, comédia e sátira numa aventura emocionante que acompanha a imprevisível e, por vezes improvisada, evolução das viagens espaciais – desde que Chuck Yeager quebrou a barreira do som até à partida dos astronautas da Mercury 7.

Eletrizante!




PERDIDO EM MARTE (2015)

“Quatro milhões e meio de anos, e ninguém esteve aqui”, medita Mark Watney, o MacGyver espacial, enquanto observa a paisagem desértica e hostil de Marte. “E agora? Eu”.

Durante uma missão tripulada a Marte, o Astronauta Mark Watney é dado como morto após uma tempestade e deixado para trás pela sua tripulação. Mas Watney sobreviveu e encontra-se preso e só num planeta hostil. Com escassos mantimentos, ele terá que contar com a sua criatividade, inteligência e espírito de sobrevivência para encontrar uma maneira de enviar para a Terra um sinal de que está vivo. A milhões de quilómetros de distância, a NASA e uma equipa de cientistas internacionais trabalham incansavelmente para salvar o astronauta. O mundo une-se por uma causa – trazer Watney de volta.

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Baseado no romance de Andy Weir, Perdido em Marte é uma mistura ajuizada do técnico e do pessoal, das viagens exteriores e interiores, e do trabalho de equipa e a glória individual. À semelhança de Apollo 13, pode ser considerado como um crowd-pleaser sem que essa categorização seja pejorativa. Foi cuidadosamente desenhado para nos transportar para um local que temos dificuldade em imaginar, mas que ainda assim é próximo o suficiente para que nos consigamos relacionar com ele. É maior do que nós, mas não demasiado distante. Não é demasiado complexo, mas lida com temas intrincados com discernimento suficiente para reconhecer a inteligência devida da audiência, que deve, por si mesma, deduzir algumas das eventualidades. No final, reclamamos a recompensa.

Por mais parolo e utópico que possa soar, Perdido em Marte traz perspetiva: de considerar as possibilidades infinitas do espaço, e os alcances desconhecidos do desbravamento científico, e a necessidade de perseverança perante um cenário de aparente total negatividade e a força motriz de uma causa que nos mova coletivamente numa mesma direção. Por uma vez não ficamos à espera de sequelas, ou videojogos, ou merchandising barato, mas de possibilidades de evoluir, e prosperar, e ir mais além.




IN THE SHADOW OF THE MOON (2007)

Muitos documentários poderiam constar nesta lista, mas talvez nenhum outro tenha o brio ou a intimidade de In the Shadow of the Moon – afinal, é uma confessa oportunidade de apontar o holofote aos membros vivos das missões Apollo e permitir-lhes a partilha, na primeira pessoa, das suas histórias.

Realizado por David Sington e Christopher Riley, In the Shadow of the Moon foca-se nos loucos anos 60 e 70, quando os Estados Unidos colocaram o(s) primeiro(s) homem(ns) na Lua, explorando o sacrifício, treino rigoroso, os erros dramáticos, a tragédia e o triunfo que envolveram as várias missões Apollo.

Com entrevistas a 10 dos 12 astronautas que pisaram o solo lunar, o documentário examina os verdadeiros custos da missão da numa narrativa incrível e emocionante que navega entre a excitação infantil de quem explora o imenso desconhecido e a amargura imensurável de quem tem de dizer adeus a eternos companheiros de armas nas mais trágicas ocorrências.

Fascinante e humano, o documentário britânico dá um excecionalmente contexto real a todos os outros filmes desta lista.




ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO (1979)

Bem sabemos: dissemos alto e a bom som no início que tentaríamos, dentro dos possíveis, manter esta lista longe dos monstros e das fantasias ficcionais da ficção científica espacial – perdoem-nos o pleonasmo também. No entanto, foi-nos simplesmente impossível resistir uma vez mais à mestria de um dos monumentos do terror e ficção científica do século XX – a carne é fraca e nós também, caríssimos leitores.

E aqui estamos, uma vez mais, a regressar à ode eterna de Ridley Scott ao medo, ao instinto de sobrevivência e a tudo o que pode correr mal numa expedição espacial. No interior de uma nave espacial de carga, surge um estranho passageiro que se hospedou no corpo de um dos tripulantes durante a passagem por um planeta desconhecido. O intruso – que ao longo dos anos se tornou um autêntico ícone da cultura pop – revela-se uma máquina de matar que vai dizimando, a pouco e pouco, a tripulação…

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Se a maior parte dos títulos desta lista oferece uma visão otimista daquilo que a Humanidade consegue fazer para expandir os seus limites de conhecimento, Alien, O Oitavo Passageiro é o seu diabólico contraponto.

Inóspito e completamente indiferente à “grandeza” humana que outros títulos tentam veicular, Alien é a corporização da Lei de Murphy em ambiente espacial, e a extraordinária chacina do terror silencioso em estado de graça.

 

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