Já estreou na Netflix a 2.ª temporada de “Berlim” (2023-, Álex Pina e Esther Martínez Lobato), também conhecida como “Berlim e a Dama com Arminho”. Spin-off do universo “La Casa de Papel” (2017-21, Álex Pina) centrado em Andrés de Fonollosa – também conhecido como Berlim – (interpretado por Pedro Alonso), esta obra recua uns anos face à série-mãe e introduz-nos a outro bando de assaltantes.
Ao contrário de “La Casa de Papel” que prolongou assaltos por diferentes temporadas, em “Berlim” cada temporada é um assalto diferente. Desta vez, o grupo fica por Sevilha com os Duques de Málaga como objetivo.
Qual a narrativa de Berlim?

A ação da série da Netflix “Berlim” decorre vários anos antes dos acontecimentos de “La Casa de Papel”. Recorde-se, inclusive, que a personagem titular morreu no final da segunda temporada da série-mãe. Assim, neste série estamos perante um outro grupo de assaltantes: Damián (Tristán Ulloa), Keila (Michelle Jenner), Roi (Julio Peña), Cameron (Begoña Vargas) e Bruce (Joel Sánchez).
Na primeira temporada, agora também conhecida como “Berlim e as Joias de Paris”, o grupo de Berlim assalta a maior joalheira de Paris num golpe de 44 milhões de euros. Depois desse bem sucedido assalto, Berlim decide ficar por Espanha e o objetivo vai ser assaltar os Duques de Málaga.
Um primeiro episódio empolgante
Se há coisa que o universo de “La Casa de Papel” nos ensinou é que o suspense é o ingrediente número 1 da intriga. Podemos afirmar que sim, “La Casa de Papel” esticou-se um pouco na sua duração, ao prolongar assaltos por diferentes temporadas. Nesse aspeto, a série “Berlim” é bem diferente… Em todo o caso, uma coisa é certa, dramatismo e suspense não lhe falta. E isso também já estava presente em “La Casa de Papel”, bem como na primeira temporada de “Berlim”.
Este primeiro episódio de “Berlim e a Dama com Arminho” não defrauda, assim, as expectativas de qualquer fã da série. E, claro, como é apanágio da personagem, não é apenas os assaltos que estão à volta de Berlim, mas também o romance. E, desta vez, parece que Andrés arranjou uma companheira bem à altura e com muito mais presença que Camille (Samantha Siqueiros)…
Ação em crescendo em Berlim e a Dama com Arminho

Se o início da nova temporada de “Berlim” se mostra algo monótono ao centrar-se apenas em Andrés e Damián, os criadores fizeram-no – e bem – para que a narrativa fosse num crescendo e que não fosse logo muita ação e suspense de um fôlego.
De ‘férias’ em San Sebastián, a dupla está, na verdade, à procura de um novo golpe. Se Damián está seguro de que o próximo assalto deva ser às caixas de segurança do Banco de Marbella, Andrés já não tem tanta certeza.
Precisamente por isso acha que San Sebastián vai ser a inspiração perfeita para o próximo golpe porque todos os ricos ali estão. Assim, a dupla entra num bar à beira-mar. Aí, Andrés conhece a Duquesa de Málaga (Marta Nieto) e tem como objetivo assaltá-la. Aquilo que Berlim não esperava é que, na verdade, aquilo não foi acidental. Ao rever a cena, está lá tudo logo – e isso é uma construção perfeita do argumento, da montagem e até da atriz. Propositadamente, a Duquesa deixa cair o seu colar para que Berlim lhe ajude. Conseguiu, assim, fisgá-lo. Há todo um jogo de sedução nesta cena que, na verdade, traz água no bico.
A dupla chega, entretanto, a Sevilha e Andrés vai até à casa da Duquesa. Contudo, a grande surpresa é que o seu marido (José Luis García-Pérez) já conhece a ‘arte’ dos assaltos de Berlim e pede-lhe para roubar “A Dama com Arminho”, quadro de Leonardo da Vinci. Dá-se uma grande reviravolta. Mas Berlim não desiste e chama, assim, o resto do grupo. Começa aqui, verdadeiramente, a ação de “Berlim e a Dama com Arminho”…
O novo amor de Andrés?

Antes de reencontrarmos o grupo, contudo, os criadores introduziram-nos um grande interesse amoroso para Andrés: Candela (Inma Cuesta). Candela atira as coisas do seu ex-namorado pela janela fora e deixa Berlim cheio de ‘fogo’.
A atração de Berlim pelas mulheres fulgurosas não é novidade e a introdução de Candela na história vai contrastar em absoluto com Camille, algo que pode parecer ‘cliché’ mas vai trazer-nos (aparentemente) muitas camadas interessantes. E, claro, tal como Camille, Candela pode vir a ser uma distração para Andrés no objetivo do golpe, conforme comentará mais tarde Damián. Mas será que Candela também não vai ser um auxílio? Esperemos para ver no resto dos episódios… Para lá do espalhafato, logo nesta cena, Candela conseguiu roubar a carteira de Andrés, portanto…
Como está o grupo de Berlim?

Voltando ao grupo de “Berlim e a Dama com Arminho”: os criadores optaram por nos pôr a par do paradeiro deles bastante mais à frente na narrativa. Se foi uma opção arriscada, foi. Contudo, tornou-se uma opção deveras importante para que o desenvolvimento do novo golpe fosse sendo conhecidos aos poucos. Assim, revemos o nosso grupo aos 19 minutos de episódio. Esteticamente, os autores optaram por apresentar-nos os acontecimentos entre temporadas num formato mais ‘scope’ para identificar a diferença de tempos. Não seria necessário mas também não é um problema.
O mais surpreendente no desenvolvimento destas personagens é que Bruce e Keila continuam juntos e até se casaram, enquanto Roi e Cameron acabaram por se separar. Enquanto espectador da temporada anterior, esperava mais o contrário. No entanto, a verdade, é que os opostos se atraem… Ficamos, contudo, sem saber o que acabou com a relação de Roi e Cameron. Devemos sabê-lo nos episódios seguintes. Só espero que isso não seja apresentado de forma melodrámatica e corte logo com a qualidade narrativa da série…
Por fim, a narração de Andrés ainda nos conta o que sucedeu com ele e Damián e, assim, percebemos logo porque o episódio começa com os dois. Assim, depois do divórcio de Damián, ele procurou o ombro amigo de Andrés e lá se foi a Camille. Mas será que, de qualquer forma, Andrés ficaria alguma vez com Camille durante muito tempo? Diria que é pouco provável.
Um intenso desfecho em Berlim e a Dama com Arminho

Apresentado o golpe por Berlim e Damián, “Berlim e a Dama com Arminho” ‘relocaliza’ o seu ponto principal. Assim, Roi ajuda Andrés a entrar na casa de Candela. Se ele queria apenas recuperar a carteira? Não. Houve claramente algo mais. O disparar da pistola de Candela sobre Andrés tem tanto de perigoso como de sensual. Não há qualquer negação nisso. Seguem-se uns intensos 20 minutos e que, por fim, deixam a ação em suspenso até ao próximo episódio.
Candela leva Berlim até ao seu ex-namorado com o objetivo de se vingar (e, claramente, nunca com o objetivo principal de recuperar a carteira de Andrés que, por fim, reaparece na sua mala). O reencontro de Candela com o ex-namorado é perigoso porque ela o deixa em risco de morrer mas é também muito sensual para ela e para Berlim. É impossível negar a atração entre os dois (e a câmara lenta quando eles trocam de lugar no carro só intensifica a ideia). E, se Candela guia um carro roubado e sem carta, vive com tanto risco como Berlim! Queremos mais de Candela e Berlim!
Algumas conclusões de Berlim e a Dama com Arminho

O primeiro episódio de “Berlim e a Dama com Arminho” não tem grandes problemas a apontar. Os criadores mantiveram o estilo do universo “La Casa de Papel” e o ainda mais específico de “Berlim”.
Embora possa haver algum desequilíbrio com a presença das personagens e da narrativa desenvolvida, foi um início de segunda temporada muito equilibrado que espero que se mantenha como tal. A parte inicial do episódio podia ser um pouco mais ‘alimada’ na montagem, sobretudo com a presença de certos planos que parecem mostrar o ponto de vista de alguém mas, na verdade, não o são.
Contudo, em termos gerais, está um episódio bem conseguido e destaco ainda, como mais-valia, a presença da música com ritmos muito sedutores, especialmente de flamengo.
Berlim e a Dama com Arminho
Conclusão
- “Berlim e a Dama com Arminho” é a segunda temporada de “Berlim”, embora a Netflix também as considere como minisséries independentes. Em todo o caso, há uma sequência lógica de eventos.
- Neste primeiro episódio somos introduzidos ao novo golpe do grupo de Berlim e também a um interesse amoroso para o protagonista.
- A construção estética e narrativa não defrauda os espectadores do universo de “La Casa de Papel” e de “Berlim” em particular.
- O primeiro episódio não tem grandes problemas a apontar e parece dar-nos caminho para uma empolgante temporada.

