"Black Panther: Wakanda para Sempre" (2022) ©NOS Audiovisuais

Black Panther: Wakanda para Sempre, em análise

Dois mundos colidem em “Black Panther: Wakanda para Sempre”, ao mesmo tempo que nós assistimos fascinados à riqueza de duas grandes culturas.

Em 2018, “Black Panther” conseguiu o feito inacreditável de ser nomeado à categoria de Melhor Filme nos Óscares, arrecadando a vitória em três outras categorias. O filme é considerado uma das melhores introduções de sempre, de um super-herói e leva às costas uma respeitável carga cultural. Seria assim dizer pouco, que as expectativas para uma sequela estavam altíssimas.

Para complicar mais as coisas, a morte de Chadwick Boseman tirou o protagonista à história, sendo que muitos recearam que a alma de Wakanda se tivesse perdido. A Marvel decidiu não escolher um novo ator para o papel de T’Challa. No fim, toda esta turbulência levou a que “Black Panther: Wakanda para Sempre” fosse um dos filmes mais esperados de 2022.

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Ryan Coogler volta a assumir a realização, com o argumento a ter sido co-escrito por ele e por Joe Robert Cole. “Wakanda para Sempre”, o 30º filme do Universo Cinematográfico Marvel (MCU) foi produzido pelos Marvel Studios e distribuído pela Walt Disney Studios Motion Pictures.

Os três vencedores de Óscar regressam para a sequela. Ruth E. Carter volta como designer de figurinos. Para o novo filme Kevin Feige, Boseman e Coogler tinham discutido a possibilidade de uma adaptação de elementos da performance mais “Gung ho” de T’Challa no segundo episódio de “What If …?”. Hannah Beachler, responsável pelo design de produção, revelou que fez um verdadeiro “mergulho profundo” para retratar esta versão da Atlântida no filme. Beachler foi buscar inspiração aos filmes “Jaws” (1975) e “Close Encounters of the Third Kind” (1977), e também ao estilo de imagens de banda desenhada de Jack Kirby.

Black Panther Wakanda Para Sempre
© 2022 MARVEL.

Quanto à composição musical, ficou ao encargo das mãos e ouvidos de Ludwig Göransson. A banda sonora inclui o cover de Tems de “No Woman, No Cry” de Bob Marley, que foi usado no teaser trailer do filme, “A Body, a Coffin” de Amaarae e “Soy” de Santa Fe Klan. De notar, que o filme marca a primeira produção musical a solo de Rihanna desde 2016, com o tema “Lift Me Up“, que serviu como uma homenagem a Boseman.

No filme brilham as estrelas Letitia Wright, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Winston Duke, Florence Kasumba, Dominique Thorne, Michaela Coel, Tenoch Huerta, Martin Freeman, Julia Louis-Dreyfus e Angela Bassett.

Black Panther Wakanda Forever
© NOS Audiovisuais

Black Panther: Wakanda para Sempre” estreou no último dia 10 de Novembro em Portugal, revelando-se a 2ª melhor abertura do ano no nosso país, ficando atrás apenas de outro filme também do Marvel Studios, “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”. A longa-metragem já arrecadou mais de $407 milhões em todo o mundo, tornando-se o nono filme de maior bilheteria de 2022. As discussões para um terceiro filme já estão em andamento.

Tem havido uma receção positiva do filme, apresentando este uma aprovação de 84% no Rotten Tomatoes e uma classificação de 67/100 no Metacritic. O consenso atribui elogios à realização de Coogler, às sequências de ação, à produção e aos figurinos, às atuações do elenco (principalmente as de Wright, Gurira, Huerta e Bassett), o peso emocional, a trilha sonora e as homenagens a Boseman.

Black Panther Wakanda Para Sempre
© 2022 MARVEL.

Longe de sequer alcançar o seu predecessor, o novo “Black Panther” tem mais sucesso na sua apresentação de Talokan do que na expansão de Wakanda. É verdade que as prestações dos protagonistas wakandianos estão sólidas: Shuri é uma nova Black Panther, com o seu próprio mérito e claramente diferente de T’Challa – a escolha da figura que Shuri encontra no plano ancestral é brilhante e um ponto fulcral na passagem de testemunho do manto do protetor de Wakanda; a rainha Ramonda apresenta uma incrível presença, com todo um rico desenvolvimento desde a prequela, apresentando um peso emocional, real e marcante; também os arcos de Okoye e Nakia acrescentam cativantes sub-linhas na narrativa – os fatos de Midnight Angels estão iguais aos comics e a Nakia é uma verdadeira 007. E apesar de tudo isto ficou a faltar algo em Wakanda, principalmente quando comparamos com Talokan – talvez tenha sido só o fator novidade?

Tudo à volta de Talokan é um espanto: os cenários, a cultura, a história de fundo e a prestação de Huerta. “Wakanda para Sempre” ganha em muito com a introdução de Namor. É uma personagem complexa, que cai numa categoria própria de heroísmo, e sobre a qual queremos muito mais desenvolvimento no futuro. Também no holofote, mas mais secundário, fica a introdução de Riri Williams. O fato criado é horrível, mas a personagem tem muito potencial e faz jus à sua personalidade nos comics. Em Novembro de 2022, foi confirmado que a série “Ironheart” servirá como uma sequência direta de “Wakanda para Sempre”, com Thorne a regressar ao seu papel como Riri. A série tem estreia programada para 2023 na Disney+.

Black Panther Wakanda Para Sempre
© 2022 MARVEL.

Num dos seus pontos mais altos, somos hipnotizados pelo canto da sereia que é a magnífica banda sonora. Aliás, toda a construção dos mundos é espetacular e envolvente. Mais uma vez a composição musical, a produção de designs e os figuros merecem todos os louvores por nos emergirem em fantásticos mundos que se integram na perfeição com a nossa noção do mundo real.

Em contraste, “Wakanda para Sempreluta com a tentativa de encaixar demasiadas peças num só filme, perdendo-se o rumo nalgumas delas. Às cenas de ação, apesar de bem realizadas, falta novidade e impacto. Estamos perante um nível de exigência cada vez maior, que não é cumprido, principalmente na batalha final. Para além disso, feitas as contas finais, Shuri permanece na sombra de T’Challa.

Black Panther Wakanda Forever Namor
© 2022 MARVEL.

Black Panther: Wakanda para Sempre” impressiona com a introdução de novos elementos, com o desenvolvimento de arcos particulares e com a construção do mundo e a sua integração cultural, porém tropeça no enredo principal não conseguindo atingir o clímax esperado.

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Que reino te impressionou mais neste novo “Black Panther”: Wakanda ou Talokan?

Black Panther: Wakanda para Sempre, em análise
Black Panther: Wakanda para Sempre

Movie title: Black Panther: Wakanda para Sempre

Movie description: O rei T'Challa está morto. Em Wakanda, a Rainha Ramonda, Shuri, M'Baku, Okoye e as Dora Milaje lutam para proteger a sua nação de potências mundiais.

Date published: 10 de November de 2022

Country: EUA

Duration: 161 minutos

Director(s): Ryan Coogler

Actor(s): Letitia Wright, Angela Bassett, Lupita Nyong'o, Danai Gurira, Tenoch Huerta, Martin Freeman, Dominique Thorne

Genre: Ação, Aventura, Drama

  • Emanuel Candeias - 78
78

CONCLUSÃO

“Black Panther: Wakanda para Sempre” é um adeus a T’Challa (Chadwick Boseman), um olá a Namor e Riri Williams e principalmente um brilhar de Shuri (Letitia Wright).

Pros

  • Realização de Ryan Coogler;
  • Composição musical de Ludwig Göransson;
  • Design de produção e de figurinos;
  • Talokan;
  • Prestações de Wright, Gurira, Huerta e Bassett.

Cons

  • Enredo principal demasiado ambicioso, não atingindo aquilo que pretendia;
  • Falta de impacto nas cenas de ação, em especial na batalha final;
  • Não satisfaz por completo as expectativas.
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Emanuel Candeias

Graduado em Hogwarts, foi head-boy de Ravenclaw. Aventurou-se durante uns tempos pela Middle-Earth e por Westeros, tendo feito grandes amizades na House Stark e com os elfos de Lothlórien. De forma a aprofundar os seus conhecimentos contactou grandes mentes como Doctor Banner, Doctor Strange e chegou mesmo a viajar com Doctor Who. Dedicou-se durante uma temporada a fortalecer a sua espiritualidade em Konoha, onde aprendeu com os mestres Goku e Naruto. Neste momento encontra-se perdido no Matrix. O seu sonho é vir a ingressar na Starfleet.

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