"Os Verdes Anos" (1963) |©Cinemateca Portuguesa

Cinemateca Portuguesa disponibiliza filmes online

Com o seu espaço físico fechado a Cinemateca Portuguesa (Museu do Cinema) vira-se para o digital e oferece ao público português a possibilidade de ver o melhor do cinema nacional a partir das suas casas. Duas longas-metragens de referência são disponibilizadas já esta semana. 

A Cinemateca Portuguesa é mais uma das instituições ligadas ao cinema que, no âmbito da pandemia de Covid-19, procura democratizar o acesso à cultura cinematográfica nesta época de isolamento social. Para o efeito, o Museu do Cinema anunciou, através de uma declaração oficial do seu director José Manuel Costa, um conjunto de novas iniciativas  que pretendem colmatar o atual encerramento de portas da Cinemateca Portuguesa. Recordamos que a afamada instituição, fechada desde 13 de março, continua sem data prevista para regressar à sua programação e funcionamento regulares.

Com o intuito de chegar a um público mais diversificado, “compensar” aqueles que costumam frequentar o espaço e dar a conhecer o trabalho da Cinemateca a quem vive longe da capital, surge então a “Cinemateca Digital”. Este mecanismo de estímulo ao cinema faz-se através de diversos programas distintos. A primeira iniciativa já arrancou   – “Filmes para Ver Esta Semana”. Serão disponibilizadas diversas longas-metragens nacionais em alta definição, começando na primeira semana com “Lisboa, Crónica Anedótica” e com “Os Verdes Anos“.

Cinemateca Portuguesa Verdes Anos
Um retrato da Lisboa dos anos 60 em “Os Verdes Anos” |©Cinemateca Portuguesa

Os dois filmes estarão disponíveis para ver aqui entre os dias 13 e 16 de abril. “Lisboa, Crónica Anedótica” (1930) é a primeira longa-metragem de Leitão de Barros. Este documentário ficcionado retrata de forma humorística o que foi “nascer, viver e morrer” na Lisboa do final dos anos 20. Já “Os Verdes Anos” (1963), de Paulo Rocha, é um filme munido de modernidade e que contribuiu para inaugurar um novo cinema português – uma espécie de Nova Vaga nacional à semelhança das que se multiplicavam por essa Europa fora.

A propósito das comemorações do 25 de abril, a Cinemateca Portuguesa disponibiliza também um conjunto de filmes temáticos como, por exemplo, a obra “As Armas e o Povo” – filme coletivo de 1975 realizado e produzido pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica. Contudo, o cinema disponibilizado nesta época de isolamento social não pensa apenas no público adulto. A Cinemateca Júnior amplia também a sua atividade para o online e são inclusive pensadas sessões escolares à distância e fichas de atividades lúdicas.

A terceira área de acção irá incidir no programa “O Museu Vai a Casa”, onde os objectos da História e Pré-História do Cinema detidos pela Cinemateca Portuguesa são divulgados em articulação com o próprio cinema. A primeira manifestação video desta nova rubrica pode ser encontrada aqui, e explora um conjunto de vidros para a Lanterna Mágica – antecessora da projecção cinematográfica moderna. Por último surge o programa “Textos & Imagens” explora o Centro de Documentação e Informação do Museu do Cinema e apresenta, como documento inaugural, uma análise do livro “I Was Interrupted” de Nicholas Ray. Será ainda posteriormente disponibilizada a série de conferências “Histórias do Cinema”.

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O director da Cinemateca lamentou o cancelamento da programação de abril e maio, de todos os festivais que não puderam ou não poderão lá receber parte da sua programação como a MONSTRA, a Festa do Cinema Italiano ou o Indie Lisboa. Na sua comunicação, dá conta da frágil situação da distribuição em sala no nosso país e deixa uma nota de esperança:

Que o apagamento da sala nos leve então a pensar ainda mais nas emoções que só nela podemos viver. E quando, mais tarde, em plena segurança, pudermos voltar a usufruir desses espaços, que os saibamos ainda mais valorizar e defender. No que está ao nosso alcance, a Cinemateca contribuirá para esse esforço mais alargado, e é, e será sempre, parte desse pensamento, dessas emoções e dessa defesa.

Por esse lado, anseiam pela reabertura das salas de cinema? 

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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