Conor Oberst lança “No One Changes/ The Rockaways”

Conor Oberst regressa de surpresa, lançando “No One Changes” e “The Rockaways” no Bandcamp. A edição em vinil dos dois singles sai para o ano.

Sem aviso prévio, saíram hoje duas canções muito pessoais de Conor Oberst, cujas melodias e performance laceradas trazem-nos à memória o tempo em que o cantautor liderava os Bright Eyes. Ambas as canções podem, desde já, ser ouvidas e adquiridas digitalmente no Bandcamp. No dia 1 de Fevereiro de 2019, serão também editadas num vinil de 7 polegadas, com um duplo lado A.

Conor Oberst - No One Changes
Capa de “No One Changes”

Já eram conhecidas versões ao vivo de “No One Changes”, tocadas o ano passado em vários concertos da digressão de Salutations. A canção recebe agora a sua versão oficial de estúdio, numa gravação produzida por Bryce Gonzales e o próprio Conor Oberst. O também membro dos Bright Eyes e compositor de música para filmes Nathaniel Walcott contribuiu com alguns ornamentos de teclados para o segundo lado A do disco, “The Rockaways”. Ambas as capas são pinturas de Jerry Kinney.

Lê Também:
Iceage à MHD | "Que é isto no papel?"

Este lançamento inesperado segue-se a outros trabalhos recentes. Tendo lançado Ruminations e Salutations, em 2016 e 2017, respectivamente, Conor Oberst compôs “LAX” para Ethan Hawke cantar no filme Juliet, Naked, tema que foi entretanto partilhado o mês passado como parte da série “Produced By” da Amazon Music. Uma nova versão de “LAX” foi gravada com Phoebe Bridgers, em cujo cover da canção “Powerful Man”, de (Sandy) Alex G, Oberst participou tocando harmónica.

Conor Oberst - The Rockaways
Capa de “The Rockaways”

Depois destas colaborações, voltamos a descobrir o mundo como visto pelo artista. De facto, estas músicas levam-nos por um mundo depressivo, atravessado por separações e a ausência de esperança num mundo melhor. Não faltam tiradas cáusticas, onde tanto se satiriza a música pop quanto se fustiga a si próprio: “They say you got to love yourself first, that’s a trip / I’ve been hating myself since I was little kid.” O imediatamente contagioso refrão de “No One Changes”, “No one’s gonna change/ Nobody ever does/ No one’s gonna change”, lembra dolorosamente isto mesmo, que o nosso é um mundo que não muda nem deseja mudar. Sentimos esta asfixia quando, na última parte da música, nos comove a voz de Conor Oberst ao piano. E é esta comoção que o torna tão bom naquilo que escreve e canta. Ouve e comprova.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *