Cinema Drive-In em Newville, Pennsylvania, Estados Unidos da América | © Wikimedia Commons

Coronavírus aumenta popularidade dos Cinemas Drive-In nos EUA

A pandemia do Coronavírus tem vindo a provocar o encerramento de salas de cinema por todo o mundo. Nos Estados Unidos Unidos da América, os antigos cinemas “Drive-In” ganham nova inesperada vida como consequência do distanciamento social imposto. 

O primeiro Cinema “Drive-in”, ou Drive-in Theater, foi inventado por Richard Hollingshead e abriu em 1933 perto de Camden, Nova Jérsia. Tinha um ecrã de 12 por 15 metros e podia acomodar 400 carros. O bilhete custava 0.25 dólares por carro, ao qual acrescia mais 0.25 por cada espectador.

Nos anos seguintes foram construídos inúmeros destes grandes parques de estacionamento, onde se poderia ver filmes numa tela enquanto sentados no carro. Esta forma de ver cinema atingiu um pico de popularidade na áurea “época de ouro de Hollywood”, mas especialmente no final da década de 1950 e no início dos anos 60 e em zonas rurais, tendo chegado a existir milhares destes estabelecimentos. Recentemente, contudo, a prática tem sido descartada como anacrónica ou desnecessária.

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Em Portugal, apenas iniciativas esporádicas trazem até nós este modelo. No verão, é da praxe a organização de cinema ao ar livre e com menos frequência passamos também pelo Drive-in como forma de quebrar a rotina. Aliás, esta ideia tem vindo a ganhar mais adeptos nos últimos anos e quiçá 2020 seja um ano de consolidação.

Nos Estados Unidos da América, onde estes cinemas surgiram e apesar de caídos em desuso, o cenário é outro. Como reminiscência do passado, existem ainda 305 cinemas drive-in abertos neste país. Em tempos de isolamento social motivado pelo Coronavírus, estas estruturas ganham um vislumbre de nova vida. Assim o suporta uma reportagem do Los Angeles Times, que visitou proprietários de drive-ins em locais distintos como California, Kansas, Oklahoma ou Missouri.

Muitos destes cinemas continuam abertos, e diversos registaram uma quantidade superior de negócio nos últimos dias. Os operadores, conscientes em relação às restrições impostas, mantêm-se abertos e vigilantes. Talvez ainda tenham de vir a fechar, mas, de momento, diversos encontram-se numa zona cinzenta. No Drive-in da Paramount, em Hollywood, as vendas duplicaram na passada terça-feira de acordo com o proprietário Beau Bianchi – contando com a presença de 136 carros e com um total de 320 bilhetes vendidos. A presente ameaça à saúde pública mundial, a disseminação do Coronavírus, encontra assim no drive-in um modelo de resistência que permite ao cinema chegar ao espectador fora de casa e com risco mais reduzido.Pelo menos por agora.

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No nosso país, diversas medidas são tomadas para que a cultura – e o cinema – cheguem até nós de forma mais criativa. Exemplo disso é a iniciativa de Quarentena Cinéfila da Medeia Filmes, que se encontra a disponibilizar obras gratuitamente através do seu site às terças, quintas e sábados. Hoje, encontra-se disponível “Paris, Texas” – de Wim Wenders –  e amanhã poderão lá encontrar “Lisbon Story – Viagem a Lisboa”, também da autoria deste mestre alemão.

Lisbon Story
“Lisbon Story” de Wim Wenders | @LEFFEST

Desse lado, de que forma mantêm a cultura viva durante esta quarentena? 

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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