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David Fincher (The Killer, House of Cards) acredita que o futuro do Cinema passa pela Netflix

David Fincher é um dos grandes nomes do cinema americano atual e tem uma forte opinião sobre a Netflix.

Conhecido por comandar filmes como “Sete Pecados Mortais” (1995), “Clube de Combate” (1999) ou “A Rede Social” (2010), David Fincher é considerado por muitos um dos maiores cineastas americanos vivos.

O seu filme mais recente, “O Assassino”, que estreou no festival de Veneza, é mais um fruto da sua colaboração com a Netflix. Fincher celebrou um acordo de exclusividade com a gigante do streaming, com a qual já conseguiu trabalhar em projetos como “House of Cards”, “Mindhunter”, “Love, Death & Robots” e ainda “Mank”.

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Fincher ter escolhido a Netflix como a sua casa é algo que não é consenso na indústria, mas o cineasta está convencido que a plataforma de streaming é o lugar ideal para fazer filmes e que o futuro do cinema também passa por ela.

Apesar da Netflix não privilegiar a tradicional e mais extensa janela de exibição nas salas de cinemas, Fincher defende que é uma empresa muito flexível às necessidades dos realizadores em comparação com os estúdios tradicionais.

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Em entrevista ao Le Monde, o realizador de “Zodiac” foi bastante sincero, “trabalhei para a maioria dos grandes estúdios de cinema. Quando lhes dizíamos: ‘Tenho que fazer estes efeitos especiais em 4K’, a primeira resposta deles é: ‘Ó Deus, porquê fazê-lo tão caro?’ Eles recusam a menor despesa. Não é o caso da Netflix […] Eles nunca questionaram esse tipo de escolha. Eles adotaram um padrão da indústria que faz sentido para os cineastas. A Netflix tem de longe o melhor controlo de qualidade de Hollywood”.




Para Fincher, o que difere a Netflix dos outros estúdios é então a liberdade que lhe oferece e o quão dispostos estão a atender às suas necessidades enquanto cineasta. No passado, vários projetos do realizador acabaram por nunca se concretizar por várias dessas questões.

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David Fincher acredita também que a salvação do cinema não está em restringir os sistemas de distribuição doméstica, ou seja, as plataformas de streaming, o cineasta expressa também algum dissabor com as condições dos espaços físicos:

Não salvaremos o cinema como cultura restringindo os sistemas de distribuição doméstica. Para que isso acontecesse, o cinema teria de se tornar um lugar de vanguarda, e não este lugar húmido, fedorento e gorduroso […] Eu adorava alguns cinemas, como o Grauman’s Chinese Theatre ou o Cinerama Dome em Los Angeles, mas as condições técnicas eram deploráveis. Devemos superar toda esta nostalgia para finalmente fazermos a pergunta certa: ‘quem oferece hoje a representação ideal?’

A perspectiva de Fincher ainda não é muito bem-vista pela indústria, com nomes como Christopher Nolan ou Steven Spielberg a resistirem a esse novo paradigma. Numa entrevista ao canal Kombini, Thierry Frémaux, o diretor do Festival de Cannes, já havia expressado em 2020 que para a indústria, “Fincher tinha deixado o cinema”.

Para Frémaux, “Fincher agora trabalha para streamers onde faz coisas incríveis. Tentei explicar-lhe isso, modestamente, obviamente, que ele já não existe mais. Pelo menos para nós. Por motivos que ficam a seu critério, ele quer a sua liberdade criativa, não quer discutir com os chefes dos estúdios, os seus filmes costumam ser muito caros, mas adoraria que ele voltasse ao cinema. Ele é um dos grandes”.

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Esta perspectiva de Thierry Frémaux alinha-se com aquilo que temos visto no Festival de Cannes que não tem permitido a entrada da Netflix na competição oficial. Ao contrário de Veneza, onde “Maestro” foi um dos grandes destaques, este ano.

“The Killer”, de David Fincher, já está na plataforma e traz Michael Fassbender na pele de um assassino profissional que depois de um erro com consequências desastrosas, tem de enfrentar quem o contratou e a si mesmo numa caçada internacional. Mas, para ele, nada é pessoal.

TRAILER | FASSBENDER É O ASSASSINO PERFEITO DE DAVID FINCHER

E tu, acreditas que David Fincher tem razão? És fã dos trabalhos do realizador?



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