Days Gone

Days Gone (PS4), em análise

“Days Gone” é o novo exclusivo da PS4 e a expectativa é enorme, até porque muitos sonham que possa ser tão bom como The Last of us. Mas será que vale a pena comprar?

ANÁLISE | Days Gone

A Blend Studios precisou de vários anos para criar “Days Gone” e a expectativa é enorme, até porque a Sony tem apostado em grande exclusivos nos últimos tempos e tanto “Spider-Man” como “God of War” foram jogos fantásticos. A questão é que aqui a qualidade está abaixo, mas vamos por partes.

A base inicial de “Days Gone” é simples. Somos um motoqueiro num mundo pós-apocalíptico infestado de zombies e onde por vezes os humanos são o maior inimigo, porque a sobrevivência acaba por potenciar o que de melhor e pior a humanidade consegue fazer. “Days Gone” desde cedo mostra o poder do seu open world, enorme, detalhado, brutalmente bonito e cheio de multidões de zombies. Muitos zombies!

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Como seria de esperar, “Days Gone” é violento e qualquer jogador enfrentará muitos inimigos durante as 40 ou 50 horas que estiver a jogar. Deacon, personagem principal, quase nem parece realista neste mundo, devido aos seus valores morais que tudo o resto parece ter abandonado. Num mundo violento, Deacon é o contraste, e durante o tempo em que tentar sobreviver e perceber o que aconteceu à sua mulher, Deacon é o nosso companheiro, juntamente com ao sua mota. Neste aspeto, a jogabilidade está muito boa. é um prazer conduzir a mota, fazer upgrade e viajar por este enorme mundo aberto. Em nenhum momento este open world está limitado e podemos ir a onde quisermos entre missões. Para isso será sempre importante meter gasolina na mota e depois é explorar e sobreviver.

No entanto, o foco é avançar nas missões, e aqui a história é o grande foco, para o bem e para o mal. Deacon é o personagem que nos agarra, e os flashbacks para o conhecermos melhor, e também à sua mulher, são um ponto importante, apesar de alguns diálogos serem algo forçados. A primeira parte da história demora a arrancar, mas é essencial para conhecermos as personagens e ganharmos uma ligação emocional. Na segunda metade o jogo acelera, mas a construção de algumas personagens deixa muito a desejar, o que leva a que o enredo não tenha tanto impacto em alguns momentos, perdendo-se momentos que poderiam ser de grande impacto.

Algumas personagens secundárias estão bastante boas, mas nota-se a falta de um bom vilão neste jogo. Alguém que nos acelere o coração.

Olhando para o mundo, os detalhes são interessantes, mas são poucos os que ajudam a contar a história. Em “The Last of Us” cada cenário parecia contar algo, parecia mostrar o seu passado, e aqui tal não acontece, o que é pena. Falta conteúdo em muitos locais, até porque um dos aspetos mais interessantes deste jogo é percebermos o que aconteceu a este mundo para ficar neste estado.

Olhando para a jogabildiade durante os combates, cada luta é um enorme prazer e apenas falta alguma tensão. Andar aos tiros é divertido e essencial, matar grupos de zombies com cocktails molotov é obrigatório para a nossa sobrevivência, tal como fugir, e por fim temos o combate corpo a corpo, que é claramente a melhor forma de matar os inimigos. é pena o stealth não ter momentos mais difíceis, pois os inimigos estão quase sempre demasiado espalhados, mas os momentos mais tensos do jogo são quando tentamos matar vários inimigos sem sermos detetados. Claro que quando os zombies aparecem o que temos de fazer é fugir e ir tentando matar alguns durante a corrida sabe-se lá até onde. Estudar os locais é importante, ganhar vantagem graças ao terreno ou a construções ou objetos é obrigatório, e tudo isso dá alguma estratégia ao jogo. A inteligência artificial está bem conseguida na maior parte do jogo, falhando apenas em alguns momentos.

Ainda na jogabilidade, a possibilidade de melhorarmos as armas de combate corpo a corpo é algo que vicia e que é importante, mas lamenta-se que as armas de fogo não possam ser melhoradas.

“Days Gone” brilha quando os zombies, ou freakers, invadem o nosso ecrã. A forma como se movimentam entre centenas, a forma como são diferentes e dão realismo e tensão ao momento é o grande trunfo do jogo, não só como experiência de jogo mas também em termos técnicos. É verdade que por vezes a PS4 Pro tem algumas quebras, mas processar o movimento de tantos personagens é um grande feito tecnológico.

Por outro lado o jogo apresenta alguns bugs gráficos ou sonoros, com problemas no carregamento do mapa quando conduzimos a alta velocidade ou em sincronização de sons. Nada que afete muito a experiência, mas para um jogo destes, tal não deveria acontecer e será certamente melhorado no futuro. Mas, o problema deste jogo está na repetição do que temos de fazer. As missões são muito parecidas, passamos muito tempo à procura das mesmas coisas em momentos diferentes e com isso, num jogo tão extenso, a experiência começa a ficar aborrecida, o que é pena, porque este jogo poderia ter um ritmo muito mais alto e intenso se as missões tivessem maior variedade.

“Days Gone” é um jogo interessante, com bons momentos e grande trunfos, mas outros momentos baixam a qualidade da experiência que é andar neste mundo. O problema está na sua repetitividade. Se o jogo fosse mais variado, seria um dos jogos do ano, mas assim fica a sensação que terão de existir mais missões secundárias a adicionar ao jogo para nos levar a fazer algo diferente. Visualmente é fantástico e tem um dos melhores open world alguma vez feitos, mas falta algo para ser um dos grandes exclusivos da PS4.

Luís Pinto

HARDWARE USADO PELA MHD PARA TESTES DE JOGOS

PS4:

  • PlayStation 4 Pro
  • Razer Raiju Controller
  • Razer Leviathan Sound System

PC:

  • Headphones Razer Carcharias
  • Keyboard Razer Epic Chroma
  • Mouse Razer Naga Epic Chroma
  • Monitor AOC U3277PWQU

Mobile:

  • LAIQ Glow

Days Gone
shadows die twice

Game title: Days Gone

Game description: Days gone é o novo exclusivo da PS4 e a expectativa é enorme, até porque muitos sonham que possa ser tão bom como The Last of us. Mas será que vale a pena comprar?

  • Jogabilidade - 75
  • Gráficos - 93
  • Som - 84
  • Enredo - 81
77

RESUMO

O MELHOR: Open world muito bom. Graficamente de topo.

O PIOR: Demasiado repetitivo. Alguns bugs.

EDITORA: Blend Studios

PLATAFORMA: PlayStation 4

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Comments Rating 1 (1 review)

Luis Pinto

Software developer - Autor do canal Tek Test - Apaixonado por jogos desde o tempo do Spectrum!

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