© Lisbon Film Orchestra

Disney in Concert | Entrevista ao Maestro Nuno de Sá

A Lisbon Film Orchestra regressa com dois espectáculos Disney in Concert em maio. Falámos com o Maestro Nuno de Sá sobre os projetos. 

O Campo Pequeno em Lisboa e o Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota no Porto vão receber os temas mais conhecidos dos filmes da Disney que prometem resgatar do nosso imaginário sonhos, emoções e fantasias.

O espetáculo musical da Lisbon Film Orchestra é dirigido pelo Maestro Nuno de Sá, com quem falámos em exclusivo para nos contar um pouco mais de como têm sido estes últimos dias de preparação. Segundo o Maestro estes concertos serão “dos mais bonitos que existem” uma vez que nos aproximará a todos do universo mágico da Walt Disney. As salas prometem encher o coração dos espectadores com aquilo que os levará numa viagem à infância.

Lisbon Film Orchestra
Lisbon Film Orchestra © João Vasco via LFO

Poderemos esperar por ouvir as bandas sonoras de “O Rei Leão”, “A Pequena Sereia“, “Frozen“, “Mary Poppins“, entre outros filmes que não só tiveram grande repercussão junto do público como foram das mais celebrados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Para este Disney in Concert estarão presentes 56 músicos e 4 estrelas convidadas que o Maestro revelou na nossa entrevista. É um espectáculo que promete e não há como não ficar emocionado com a possibilidade de nos juntarmos de novo em família para sentir a boa energia das imagens de animação.

Os espectáculos da Disney in Concert são feitos pela Lisbon Film Orchestra em parceria com a UAU, uma conceituada empresa portuguesa empenhada no entretenimento e especializada. Lê a nossa entrevista com o Maestro Nuno de Sá a seguir.

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MHD: Como nasceu a ideia da Lisbon Film Orchestra realizar dois espectáculos em maio sobre o mundo encantado da Disney?

Maestro Nuno de Sá: O Disney in Concert é um concerto que a Lisbon Film Orchestra já organizou em 2015 e 2016, sendo esta a nossa primeira produção depois das paragens que a pandemia nos obrigou a fazer. É também a primeira produção em nome próprio. Estamos muito entusiasmados e com muita vontade em voltar a estar com o público. É um trazer estar de volta aos grandes palcos!

Lisbon Film Orchestra
Maestro Nuno de Sá por João Vasco © Lisbon Film Orchestra

Eu costumo chamo-lo “o melhor concerto do mundo” com as melhores canções da Disney que inevitavelmente irá tocar em emoções e em memórias da nossa infância, porque são canções muito especiais. O Disney in Concert vai transportar o público numa viagem aos filmes mais emblemáticos da Disney como “A Bela e o Monstro”, “O Corcunda de Notre-Dame”, “A Pequena Sereia”, “O Rei Leão” ou “Frozen: O Reino do Gelo”. Estes são filmes que chegam a todos os membros da família.

Por um lado, temos ainda músicas do “Mary Poppins”, um filme de 1965 que continua a ser muito apreciado por pessoas que são agora avós. Por outro lado, teremos “Frozen” que está mais direcionado aos netos. É um concerto muito abrangente, do qual guardamos boas memórias de 2015 e 2016 e com certeza que voltará a ser tão marcante como nesses anos.

MHD: Quais têm sido os maiores desafios na preparação para os espectáculo do dia 7 de maio e do dia 17 de maio, em Lisboa e no Porto?

Maestro Nuno de Sá: Sendo um concerto licenciado com a Disney, a maior dificuldade em preparar o “Disney in Concert” é quando temos de comunicar com os Estados Unidos. Temos que fazer de tudo para que as coisas cheguem a tempo, ou que exista uma resposta, porque eles estão lá do outro lado do Atlântico. Esses desafios que encontramos são normais, tendo em conta o impacto da Disney por todo o mundo. Certamente existem muitos países a querer fazer o mesmo concerto do que nós. Os constrangimentos que encontramos são normais, mesmo que nem sempre sejam tão fáceis de gerir.

Disney In Concert
Disney In Concert © João Vasco via LFO

Existem inclusive outras dificuldades que são naturais. Queremos que o “Disney in Concert” chegue a toda a gente. Queremos que todos saibam que este concerto vai acontecer. Somos um país pequeno e nem sempre a informação chega da mesma maneira, sobretudo quando a oferta é muito eclética. Embora o estado nem sempre crie as melhores condições de apoio à cultura, Portugal é um país com muita oferta, com muita coisa a acontecer.

O nosso maior desafio é fazer com que o concerto “Disney in Concert” da Lisbon Film Orchestra, que não tem qualquer apoio estatal, possa chegar às pessoas. Queremos dinamizar ao máximo os eventos junto do público e fazê-lo nas nossas redes sociais, em programas de televisão e mesmo através da Magazine.HD, à qual agradeço. Não queremos que as pessoas digam que não sabiam do concerto. Os restantes desafios são todos eles inerentes ao espectáculo.

De resto temos uma orquestra extremamente preparada. Temos 56 músicos e quatro cantores convidados a Vânia Blubird, o David Ripado, a Patrícia Duarte e o Ricardo Ferreira. Temos uma super-equipa. A nossa equipa de músicos é sólida que faz com que o trabalho seja mais fácil, mas que exige uma enorme responsabilidade para as duas sessões no Campo Pequeno e no SuperBock Arena.

Catedral de Notre Dame
O Corcunda de Notre Dame (1996)

MHD: A última vez que falámos há dois anos. O que mudou desde 2020 e como é que a Lisbon Film Orchestra se reestruturou?

Maestro Nuno de Sá: Não foram anos nada simples. Não pudemos fazer aquilo que mais gostamos e tivemos que ser estratégicos nos projetos que criámos. Não queríamos estar longe do público, não queríamos deixar de continuar a dizer “estamos aqui”, mesmo na impossibilidade de fazermos coisas que estavam a já pensadas. Fizémos de tudo para que o projeto da Lisbon Film Orchestra se pudesse manter vivo, quer artisticamente como financeiramente.

Lisbon Film Orchestra
Lisbon Film Orchestra

Mesmo assim, sentimos que nos conseguimos manter à tona e conseguimos manter-nos estáveis. Desta forma conseguimos encarar o futuro com algum sorriso. Esperemos que o pior já tenha passado e seja agora o momento para recomeçar. Conseguimos fazer uma produção no Casino Estoril com os West End Musicals em formato banda, em maio faremos o Disney in Concert. Posso também relevar em primeira mão, à Magazine.HD que teremos datas marcadas para dezembro. Os concertos de Natal da Lisbon Film Orchestra vão finalmente regressar.

Além disso, temos inclusive a Academia LFO que continua a oferecer cursos artísticos e que, de certo modo, ajudou a manter a atividade na vertente pedagógica. Conseguimos colocar alunos novos, num nível praticamente profissional, a colaborarem connosco na Lisbon Film Band e na ComiCon Portugal onde estivemos presentes. Foram 2 anos a tentar adaptar-nos e reinventar-nos. Diria mesmo que foi incrível, pela maneira como o ser humano conseguiu rapidamente perceber qual era o caminho. Foi bom saber que não houve medo de agarrar as novas tecnologias para dar aulas online, ou até mesmo para dar espectáculos. Emocionalmente foram momentos árduos, mas tivemos que crescer e consigo olhar para a situação de uma maneira positiva, de amadurecimento.

Lisbon Film Orchestra
Lisbon Film Orchestra

MHD: O facto da Academia LFO não ter desistido terá certamente dado alguma motivação a muitos jovens que queriam formar-se convosco e que não ficaram desamparados mesmo em tempos de COVID.

Maestro Nuno de Sá: Foi o mais importante. Não é a mesma coisa estar a dar aulas de música online, porque a Academia LFO tem um ensino algo personalizado. Mesmo com as aulas em grupo queremos direcionar o ensino às necessidades de cada um. De repente o online não permite a conversa, nem o chamar à parte, mas foi aquilo que nos deu a possibilidade de seguirmos em frente. Não valia a pena parar perante a adversidade.

MHD: Será que nos poderia revelar algumas das surpresas que estão reservados para os próximos espectáculos?

Maestro Nuno de Sá: Uma vez que é um concerto feito pela própria Walt Disney, há um alinhamento prévio estabelecido e do qual não poderemos sair. De qualquer maneira, acho que as surpresas serão do lado do público. Os presentes ficarão ansiosos por saber qual a música que vem a seguir, como será a coreografia, a interação entre os cantores, ou até quais as imagens que serão projetadas. Teremos um ecrã gigante onde serão projetados alguns filmes, algumas sequências icónicas. As imagens vão mudar conforme as músicas que estaremos a tocar. O público não vai sentir que ainda não viu este ou aquele filme, porque pegámos nas obras que são clássicos ou recentes êxitos de bilheteira como o “Frozen”. Tomámos as canções que todos conhecem.

Lisbon Film Orchestra
Pequena Elsa | © Disney

Teremos as canções do “O Rei Leão”, “A Pequena Sereia”, “Piratas das Caraíbas”, “A Bela e o Monstro”, “Aladdin” e “Frozen” todas cantadas em português. A única excepção foi o “Mary Poppins” que decidimos manter no idioma original, o inglês.

MHD: A Disney é a primeira memória de muitas crianças que agora vão ao concerto com os pais e avós. Como se sente ao pensar que a Lisbon Film Orchestra possa também fazer parte desta jornada? Por exemplo, muitas crianças ainda não terão visto o primeiro filme da “Mary Poppins” e poderão conhecê-lo precisamente neste espectáculo…

Maestro Nuno de Sá: A Disney tem um papel super importante, porque aborda temáticas sérias de uma maneira leve. As coisas estão quase sempre embrulhadas e quando as pessoas estão atentas conseguem perceber qual é a mensagem. Lembro-me de ter feito a pergunta aos nossos cantores para saber se cantavam para as crianças ou se cantavam para os adultos. Será que tinham a noção de quando estão a dizer a letra, se conseguem perceber o que está por detrás? Quando se fala, por exemplo, numa flor numa canção a criança assume o seu significado literal, enquanto que o adulto poderá perceber que existe algo maior por detrás. Eu acho isso é o mais interessante.

The Little Mermaid
A Pequena Sereia | © 1989 – Walt Disney Studios. All rights Reserved.

De todas as formas, trata-se de um concerto, mas se quisermos dar uma intenção e perceber que essas músicas transmitem esperança, paz e transmitir valores relativos à conquista dos sonhos e de não desistir, acho que tudo isso vale muito. Não é apenas ver o filme para se entreter, a Disney fica connosco e marca-nos. Sentir que a Lisbon Film Orchestra pode fazer parte dessa jornada da Disney é sentirmos que estamos a contribuir para isso. Se, nestes tempos difíceis, conseguirmos passar a mensagem pretendida, conseguirmos dar esperança e fazer com que as pessoas se emocionem, acho isso fantástico.

Cada vez que ensaio as canções de “A Pequena Sereia” lembro-me de estar no quarto dos meus pais a ver uma cassete VHS do filme na versão brasileira. Os tempos mudaram completamente e hoje em dia já temos a Disney+ e podemos ver os filmes à distância de um clique. Acho que esta magia é relevante e quero muito que as pessoas sintam o mesmo prazer quando estiverem no espectáculo. Do nosso lado está a ser um enorme prazer em prepará-lo.

The Lion King
Simba e Nala, “O Rei Leão” | © Disney

MHD: Passa também pela maneira como a Disney é abraçada em Portugal, na América do Sul ou na Ucrânia e as suas temáticas conseguem quebrar barreiras e fazer com que, através das suas histórias e da sua música, seja possível chegarmos a um mundo melhor.

Maestro Nuno de Sá: A cultura é tudo isso. Queremos que as pessoas, durante o momento em que estejam a assistir ao Disney in Concert da Lisbon Film Orchestra, se possam libertar das suas preocupações. Essa é a função do artista. Deverá fazer as pessoas pensar e colocar temáticas em determinada perspetiva, mas a cultura também serve para o bem-estar, para encontrar alguma paz e calma. Vamos tentar viver o momento, desta vez com a Disney e com canções que nos façam acreditar mais na bondade, na solidariedade e num merecido final feliz. Isso é extremamente importante.

MHD: Muito obrigado caro Maestro por mais uma entrevista! Boa sorte para os espectáculos em maio.

Maestro Nuno de Sá: Obrigado a vocês e continuação de bom trabalho.

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Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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