©Nuno Gonçalves

Especial | O Cinema às Voltas Com o Futuro (3) | Nuno Gonçalves

Face às incertezas, quanto ao futuro do cinema e os modos de o ver, a MHD pediu e colocou praticamente as mesmas questões, a alguns agentes do sector sobre situação do momento. A primeira reportagem é com  Nuno Gonçalves, um experiente profissional da área de distribuição de cinema, que é actualmente actualmente partner da distribuidora Cinemundo.

Nuno Gonçalves é licenciado em Ciências Históricas pela Universidade Lusíada de Lisboa. Iniciou o percurso profissional numa empresa multinacional, da área do grande consumo em Madrid, Amesterdão, Colónia, e mais tarde em Portugal. Foi Diretor de Marketing da Edivideo (representante dos catálogos da Paramount, Universal, Dreamworks e 20th Century Fox). Posteriormente foi Director Comercial de Distribuição e Exibição da Filmes Castello Lopes, representante à época dos catálogos da 20th Century Fox e Miramax na distribuição para cinema. A partir de 1999 integrou os quadros da Lusomundo, inicialmente como Director de Marketing e posteriormente como Director Comercial, tendo mais tarde sido nomeado Director Geral. Com a compra da Lusomundo pela PT Portugal e com o posterior split para a ZON, é nomeado Administrador Executivo da ZON Lusomundo Audiovisuais. Desde janeiro de 2015 é partner da Cinemundo.

©Nuno Gonçalves

O cinema face ao coronavirus: Estou convencido que os espectadores voltarão às salas de cinema, por etapas, consoante o tipo de filmes em estreia. A experiência de ver um filme em sala partilhando emoções não é replicável em casa.

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Blockbusters, super-heróis e cinema de arte & ensaio: Existem exemplos de êxitos de bilheteira de histórias originais. Facilmente encontramos no último ano uma série de argumentos originais que foram bem-sucedidos. Claro que a máquina de marketing por detrás de um filme de estúdio é enorme, mas o profit não vem só da exploração em sala (merchandisind, cross promotions, toys, licenciamentos, etc.).

Cinema ‘infantilizado’ vs. séries de televisão: Quanto mais diversificada for a oferta de conteúdos melhor. O objetivo primordial de cada um dos intervenientes no mercado continua a ser o combate à pirataria e não o suporte onde se vê. As séries desenvolvem o gosto do espectador. São um veículo cultural importante para o cinema.

O cinema de arte & ensaio e o streaming: A oferta em cinema não pode ser e não é — ilimitada. Até que ponto também o streaming pode ajudar o cinema independente ou os filmes de arte&ensaio? Ajuda bastante com certeza. E tanto mais quanto o espaço em cinema for cada vez mais limitado.

O futuro do cinema
A imagem e o logo da Cinemundo, que é também um canal de cinema por cabo. | ©Cinemundo

Os agentes do sector andam desanimados: Não. Parece-me que pode ser uma excelente época para se repensarem muitas das más opções que se têm tomado nos últimos anos. Como muitos outros espectadores, estou desejoso de ir a uma sala ver um bom filme.

O fim de uma era no cinema: Não creio. É tão só uma etapa.

A pandemia acelerou uma transição: Claro que sim. Mas mais do que as plataformas vai acelerar a disseminação do digital em toda a nossa vida.

Lotações limitadas vs. receitas: Rapidamente ter-se-á de abrir a possibilidade de ocupação total. Mas pode ser que os players do mercado aprendam a planificar melhor os cinemas criando horários para diferentes audiências e preços diferenciados entre o prime time e as sessões da tarde durante a semana. Muita coisa existe ainda para fazer na área do cinema.

Receio de voltar às salas de cinema: Acredito que as pessoas regressarão às salas sem receios.

O futuro do cinema
A Cinemundo assinou recentemente um acordo de distribuição com a Universal. | ©Universal Pictures

O futuro da distribuição de cinema: É tudo uma questão de rentabilização dos conteúdos. Com os cinemas fechados é normal que um distribuidor passe diretamente à plataforma, como os cinemas abertos, não me parece que esse seja o objetivo dos produtores e dos distribuidores.

Cineclubes, salas especializadas e drive-in: São excelentes soluções. Tudo o que seja ver cinema, mesmo não sendo dentro de uma sala de cinema, é bem vindo. Mas sabemos que as condições técnicas duma boa sala de cinema não são replicáveis por exemplo num drive-in.

Operadores de serviços de plataformas: Na minha opinião e no futuro, algumas das plataformas terão de ‘vender’ o conteúdo à peça e não em pacote.

JVM

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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