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Festival da Canção 2023 | À conversa com os concorrentes, parte 2

A Magazine.HD esteve à conversa com os concorrentes da segunda semifinal do Festival da Canção e conta-te tudo sobre o percurso de cada um.

Apesar de o Festival Eurovisão ter sido criado em 1956, Portugal apenas começou a participar nesta competição oito anos mais tarde, sendo um país membro há 57 anos. Ao longo das várias edições, o nosso país foi conquistando diferentes resultados na final da Eurovisão, mas somente em 2017 alcançou o pódio com a canção Amar Pelos Dois, interpretada por Salvador Sobral. Em 2023, as inscrições para o Festival da Canção bateram recordes, mas apenas uma pessoa poderá representar Portugal no dia 13 de maio, em Liverpool.

A Magazine.HD assistiu ao ensaio geral da segunda semifinal e esteve à conversa com os dez concorrentes mesmo antes de estes subirem em palco. Descobre aqui o impacto que a sua participação neste concurso tem tido nas vidas de cada um, bem como a preparação que tiveram e os amuletos que transportam consigo quando sobem a palco.

Festival da Canção 2023
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Que impacto é que a vossa canção está a ter nas vossas carreiras desde que foi lançada há um mês?

Edmundo Inácio: Este é meu primeiro single e vim estrear no Festival da Canção, mas tenho sentido muito amor do público. E tem sido muito caloroso, muito diferente do que era o The Voice, porque eram versões e agora quis-me afirmar como autor e tem corrido bem. O  feedback tem sido super positivo, as pessoas entendem um pouco da letra, da musicalidade também, por ser um pouco diferente. Tinha algum receio que não fosse tão bem recebido, mas, pelo contrário, tem sido muito bem recebido e fico feliz por esta caminhada ao lado dos meus colegas.

The Happy MessAcho que a nossa música, sendo uma música ao nosso estilo dos The Happy Mess, também já nos permite chegar a um público assim mais vasto. Portanto, aqui no Festival da Canção tem um alcance muito grande e é uma coisa fantástica podermos participar. Mas acho que, em termos de alcance e nós sentimos isso também tendo logo as visualizações, as visitas aos perfis, as pessoas fazerem perguntas e interessarem-se, sentimos assim uma renovada atenção em direção a nós. E isso é muito positivo, sobretudo em públicos que habitualmente não alcançamos, porque a nossa música tem uma sonoridade própria, vive num território próprio, e aqui é um palco que permite chegar a muita gente que tem gostos mais genéricos e que está disponível para ouvir coisas diferentes. E este Festival tem essa grande virtude, e nos últimos anos tem tido essa capacidade de diversificar públicos, diversificar sonoridades, territórios, e isso é muito interessante. Estamos entusiasmados com essa ideia de ir mais longe. 

Teresinha Landeiro: Tem sido muito bem recebida pelas pessoas. É um fado, ou tem cara de fado, portanto, tem chegado também ao público que já me seguia, enquanto fadista. E o facto de ter uma sonoridade ligeiramente diferente, também consegue chegar a outro tipo de pessoas e é muito curioso. E a mensagem, especialmente da letra tem tem tocado muita gente. E isso deixa-me muito contente.

BanduaNo nosso caso, Bandeiras é uma música que fala muito sobre quando as ideias são a meias e quando paramos de julgar facilmente as ideias que vêm do outro lado. E acho que a coisa mais bonita que está a acontecer, tanto eu como o Dário vimos assim de um percurso muito independente, tipo ‘Do It Youserlf’, e acho que estamos a abrir um espaço com uma equipa maravilhosa. E hoje já nos estamos a entregar, em ser também aquilo que às vezes os outros imaginam que nós possamos ser. E às vezes transformamo-nos em coisas que são um bocado maior do que a ideia que nós temos de nós próprios. E essa experiência está a ser incrível. Acho que é o melhor que eu trago daqui, a forma como Bandeiras está a transformar a nossa própria vida. 

Bárbara Tinoco: Eu fico muito contente só de poder lançar esta canção. Se calhar, se não fosse o Festival da Canção, nuca a teria lançado e ia ficar na gaveta para sempre, porque eu não canto em inglês. E eu gosto mesmo muito desta canção, portanto, obrigado pela oportunidade de a poder trazer! 

Inês Apenas: O Fim do Mundo tem mudado um bocado a minha vida. Mudou a minha vida radicalmente, porque eu também sou uma artista independente e comecei há mesmo muito pouco tempo. Então, para mim tem sido uma experiência absolutamente inacreditável e tem sido isto, um ‘Fim do Mundo’ das emoções mais altas, um mix feelings total. Mas está a ser muito fixe e acho que as pessoas estão a receber a canção de uma maneira que eu não estava à espera.

Ivandro: Até agora, com a minha música, o que eu tenho gostado mais de ver é que há muita gente que se identificou com a mensagem que eu trouxe – O Povo. Eu acho que agora com a performance as pessoas vão conseguir entender ainda mais a mensagem.

DapunksportifEm termos de números, assim nas plataformas de divulgação, passámos de 300 e tal views mensais para perto de 8.000. Para nós, dado o tipo de música que fazemos, não estávamos habituados a isto e ainda bem que aconteceu. Em termos virtuais, foi isso que aconteceu, nas páginas de Facebook e Instagram temos muito mais pessoas. A nível real, que é onde a gente gosta muito de estar também, foi mais local, as pessoas a darem os parabéns e a reconhecerem a banda. Às vezes é um bocado complicado as bandas estabelecerem-se e mostrarem o seu trabalho com tanta coisa que há a acontecer, portanto isto é uma boa oportunidade para conseguirmos pôr um pionés ali no mapa [risos].

André Henriques: Em relação às redes sociais, eu confesso que não tenho uma grande perceção. Não faço muito ideia e não acompanho, apesar de ter redes sociais. A Lara não tem de todo, não está presente nas redes, não tem Instagram nem Facebook. Agora, em termos de reconhecimento e as pessoas nos abordaram na rua, acho que tanto eu como a Lara já passámos nos últimos tempos por momentos semelhantes. E é a clara noção, no meu caso, que estou a comunicar. No caso da Lara obviamente que não porque já é a terceira vez que vem ao festival, mas no meu caso, estou comunicar com um público muito mais amplos e muito mais vasto do que aquele a que normalmente a minha música, tanto a solo como na banda, chega. Isso é notório pelas mensagens que se enviam. Eventualmente terá crescido alguma coisa também em termos dos números do Spotify, mas não tenho presente qual é que terá sido, mas seguramente que sim.

Vodoo Marmalade: Da nossa parte, eu creio que a nível de Spotify, eu creio que nós tivemos neste mês que passou um aumento de 200% de plays, mas eu acho que, maioritariamente, o impacto foi mais interno. E nós estamos todos ainda a absorver um bocadinho isto que se está a passar, e quando isto passar é que vamos perceber finalmente qual foi o efeito residual desta participação aqui no Festival.

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Que mudanças fizeram desde o primeiro ensaio até hoje, o dia de apresentação da vossa canção ao vivo?

Edmundo Inácio: Eu vou ser sincero, do primeiro ensaio para o segundo, nós fomos pra casa, avaliámos e vimos várias alterações, especialmente visuais e também sonoras. Acho que isso é importante, o primeiro ensaio serve muito para isso, vir com expectativas ao nível do chão e depois dar um feedback com a equipa técnica da RTP e também perceber realmente o que é que nós podemos melhorar. Mas a nível visual, e também um pouco sonoro, foram essas as alterações.

The Happy Mess: Isto é um ‘work in progress’! Todos estes dias que antecedem o Festival são para, no fundo, em coordenação com a equipa da RTP chegarmos ao ponto que tínhamos imaginado para interpretar a nossa canção. E a RTP tem uma equipa de produção incrível que nos tem permitido ao longo destes dias afinar e chegar a este ensaio geral desta tarde já muito próximo daquilo que nós queremos fazer.  Acabamos por chegar desde o primeiro ensaio até aqui, com a nossa visão tornada realidade e com todo o desenvolvimento que nós queríamos. Acho que é principalmente isso. Pessoalmente, nós tendo uma coreografia ou alguns passos ensaiados e fazer isso no contexto assim da nossa privacidade, depois chegamos ao palco, e esse é que é o principal impacto. É a grandiosidade de estar num palco com as luzes e, de repente estamos ali a fazer a nossa visão tornar-se realidade e isso é que é a coisa mais fantástica do processo. 

Teresinha Landeiro: Quanto à minha atuação, é muito simples e como estou sozinha, acabo por não ter grandes marcações. Portanto, as alterações que existiram foram de planos de filmagem, um bocadinho a tentar reduzir o número de planos, em conversa com a RTP. Mas foi muito fácil chegar ao pretendido, porque o facto de não ter uma coreografia, e de não haver outros elementos, facilita bastante a concretização da atuação. Portanto, foi muito simples e acertámos quase no primeiro ensaio. Portanto, foi muito fácil.

Bandua: No nosso caso, eu diria que toda a jornada que fizemos de trazer a música, e todos os artistas devem partilhar isto, que é passar a barreira musical e a do ouvir para o corporal começas sempre com uma visão e ela vai-se alterando e metamorfoseando, digamos assim. até que chegas ao ‘dia D’, ao final. Para nós tem sido uma pesquisa interior, do nosso próprio corpo, de como interpretar a música em uma calibragem e como também interpretar a mensagem dessa mesma forma corporal. Então acho que para mim e para o Edgar, apesar de, se calhar, termos começado com uma visão do que poderia ser, acho que chegámos a um ponto em que estamos muito mais contentes, e também nos surpreendemos a nós próprios.

Bárbara Tinoco: Então, eu serrei uma mesa [risos]. Eu pensei na atuação já há algum tempo e não mexi muito na atuação. Mas eu é que dei as medidas para construir coisas para o cenário, e ninguém me devia deixar fazer isso, porque se eu não soubesse cantar, coitadinha, não tinha jeito para mais nada [risos]. E então, a mesa veio gigante e tivemos de a cortar.

Inês Apenas: Para mim, está a ser um desafio enorme, porque esta malta é toda da estrada, está mais do que habituada a estas coisas [risos] e para mim é um desafio maior. Eu estou muito bem ao meu pianinho a tocar, mas, de facto, custa fazer uma performance que envolve outras coisas, como irão ver. Mas acho que as principais mudanças têm a ver com luzes e cenas assim, mais aspetos de sincronização e de realização. E os meus nervos estão a mudar [risos].

Ivandro: Eu tenho estado a ver mais aspetos técnicos da minha performance. Quero entregar a música da melhor maneira possível para as pessoas em casa e isso tem que vir com uma performance igualmente forte. Por isso, tenho que estar preocupado com o olhar para as câmaras, com a colocação da voz e cada ensaio tem estado a correr melhor.

Dapunksportif: Nós não fizemos nenhuma. O plano que estava traçado, foi o que seguimos, apenas tivemos alguns cuidados em termos de posicionamentos e ver alguns focos de luz. Nós não temos muitas coreografias para treinar, por isso foi tranquilo, foi só repetir a fórmula [risos].

André Henriques: No nosso caso, foi sobretudo questões técnicas ligadas à iluminação. É verdade que a nossa atuação também não tem nenhum aparato cénico assim mais elaborado, portanto foram mais acertos de som, de mistura e de luz.

Vodoo Marmalade: Nós também não temos assim grandes coreografias combinadas, mas ver a realização pela primeira vez e ver aquilo com que podíamos trabalhar, fizemos alguns ajustes em termos de pedidos de luzes. Realmente, tudo isso, visualmente, está muito diferente desde o primeiro ensaio. Portanto, luzes e aproveitámos a realização para adaptarmos nós alguns pequenos detalhes, mas nada de mais.

Festival da Canção 2023
© Pedro Pina – RTP

Pensando já na vossa atuação desta noite,  quando subirem ao palco vão munidos de algum amuleto especial? Têm algum ritual que tenham feito desde o primeiro ensaio ou algum tipo de superstição?

Edmundo Inácio: Pronto, eu antes de entrar em palco não bebo [risos]. Mas eu também não me agarro muito a algo em específico, mas acompanho-me sempre de algo mais pessoal, mais familiar. Hoje vou estar com um amuleto que a minha irmã tinha quando era criança, uma espécie de uma fralda. E pronto, veio comigo, tem estado nos ensaios comigo e antes de subir ao palco. É essa a ligação que eu tenho muito forte com a minha família e eu acho que isso é a base de tudo para também fazer este trabalho profissional.  

The Happy Mess: Eu acho que nós vamos criar hoje a nossa superstição [risos]. Talvez maçãs ou pêras [risos]. Mas vamos criá-la hoje. Eu gosto de um copo de tinto, não sei se isso vai ser possível ou não [risos]. Mas, tinha pensado trazer um pin da Ucrânia e esqueci-me, mas fica o statement de qualquer maneira. 

Teresinha Landeiro: Eu não tenho superstições, e tento não me agarrar a nada, porque se um dia me esqueço de alguma coisa é um problema, e era bem possível, porque eu esqueço-me de tudo [risos]. Portanto é melhor não ter grandes amuletos ou superstições [risos]. A única coisa que eu gosto de fazer antes de qualquer concerto ou qualquer atuação é comer maçãs, portanto levo sempre as minhas maçãs [risos]. E é única coisa que eu tento manter sempre. De resto, tento não ter grandes coisas a que me possa prender.

Bandua: Olha, no nosso caso, nós temos uma ‘amuleta’ da sorte que é a Linda, a nossa road manager, que torceu o pé e anda com uma muleta [risos]. Mas também temos ume entidade que é Bandua, que está connosco sempre e que vai estar connosco em palco, ele/ela, e que nos traz sorte, também.

Bárbara Tinoco: Eu costumo sempre dizer que não, mas é assim meio mentira [risos]. Fazemos sempre assim uma espécie de grito de guerra silencioso, não dá para fazer muito barulho hoje. Concentramo-nos assim antes de entrar, e eu trouxe todos os meus amigos para poderem fazer esta atuação comigo. Eles são o meu amuleto da sorte. 

Inês Apenas: Eu tenho uma mola, que encontrei no sítio em que eu ensaiei, que é da cor do meu fato. Eu achei ‘ai que giro, encontrei isto aqui, vou levar’. E desde então está ali [risos].

Ivandro: Eu não tenho nenhum amuleto. Acho que na minha equipa temos um ritual sempre de dar um abraço bem forte, olhar para os olhos uns dos outros antes de eu entrar em palco, e é isso!

Dapunksportif: Não! Nós somos bastante espontâneos na abordagem. É claro que cada um se calhar tem os seus segredos e é segredo [risos]. Portanto, não é partilhado com o resto da banda, mas eu acho que a cena é ter bons pensamentos, acima de tudo, e boa energia.

Lara Li: Eu acho que não tenho nenhuma superstição, mas agora também não vou comprar [risos].

Vodoo Marmalade: Pode-se pensar que nós temos algumas superstições, mas essas acho que ficam em casa, só para nós ou para a família. Aqui, enquanto banda, a superstição é mesmo comunicarmos uns com os outros e isso é suficiente. Haver união e subirmos a palco como banda.

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Como é que seria para vocês representar Portugal na Eurovisão, em Liverpool?

Edmundo Inácio: Eu acho que o segredo é estar focado e divertir ao máximo, aproveitar este momento, porque para muitas pessoas só existe esta oportunidade, para outras se calhar nunca vai acontecer, infelizmente. Não vou negar que gostaria de representar Portugal e voltar ao Reino Unido, um lugar onde morei durante três anos no meu ensino académico, mas tudo pode acontecer e acho que só temos que aproveitar e tentar dar o melhor de nós. Se fizemos o melhor de nós, tudo pode acontecer.

The Happy Mess: Ainda não pensámos muito nisso. Obviamente, seria um privilégio, seria uma honra, mas não pensamos muito nisso. Nós estamos no Festival da Canção, sobretudo para aproveitarmos cada instante para memória futura, para fazer parte da nossa história pessoal, da nossa história enquanto banda, de usufruirmos de cada instante e, não pensar muito no que pode vir a acontecer logo à noite, do que pode vir a acontecer daqui a uma semana, daqui a um mês. Um passo de cada vez, é a nossa coreografia [risos]. 

Teresinha Landeiro: Representar Portugal seria fantástico e, aliás, a criação desta música, para mim, levou-me por um caminho diferente do que costumo fazer quando crio uma música, porque tinha exatamente esse ónus em cima. Nós quando vamos para o Festival temos que ter na cabeça que é uma canção para representar Portugal. Mas depois também me distraí um pouco disso e pensei ‘aquilo que eu faço quase todos os dias é cantar fado, e é representar Portugal de alguma maneira’, portanto, pensei ‘eu tenho que trazer aquilo que eu costumo fazer’. E depois, por outro lado, ver isto como um encontro entre artistas e não propriamente como um concurso, e depois o que acontecer daí é sempre uma mais valia, mas tentar trazer aqui o melhor que pudermos e bons contactos, bons laços, um bom espetáculo e um bom momento.

Bandua: Acho que o Bandua, representar Portugal, se calhar não só para nós, mas para qualquer artista que pisa aqui o Festival da Canção e que se expõe a este ambiente, a este público, é sempre um privilégio poder levar uma produção que tu fizeste com um propósito e que mostraste a uma pequena audiência neste pequenino país, e depois podes mostrar a um continente inteiro. E não só um privilégio, mas também, de certa forma o deslumbre de poder pisar um palco ainda maior. Acho que muitos de nós também fazemos estrada interior, aqui dentro do nosso país, e para podermos também, de certa forma, pisar algo ainda maior, com visão num horizonte ainda mais vasto. Isso aí tem sempre o seu charme, o seu quê de sonho, não é? Não deixa de ser uma panóplia de sentimentos!

E já agora, só para somar uma coisa muito importante, que está na base desde a criação desta música, porque a Bandeiras vem muito de um sítio que é imaginar uma final da Eurovisão sem bandeiras. Porque, ainda para mais, sendo em Liverpool e não em Kiev, por causa de uma guerra com bandeiras, deixamos aqui o apelo – Seja Bandua, seja quem for representar Portugal, estamos aqui a representar a música porque cada um de nós vem de uma linhagem genética que não tem bandeiras. E que seja uma celebração da música sem bandeiras!

Bárbara Tinoco: Eu acho que é uma experiência que nós nem conseguimos imaginar a dimensão. E depois acho que devemos aprender sempre com todas as experiências, mas acho que poder representar Portugal na Eurovisão seria, sem dúvida, uma experiência muito gratificante. E confesso que ia ficar em pânico [risos]. Imaginem que ficávamos em último comigo, eu não ia querer isso [risos].

Inês Apenas: Eu concordo com a Bárbara, eu ia ficar em pânico, mas, de facto é uma honra enorme representar o país que nos acolhe e que acolhe a música e a diversidade musical, principalmente no Festival. E seria muito importante para mim poder levar a minha música o mais longe possível, bem como o meu projeto todo. E depois, eu nunca fui a Liverpool e gostava imenso [risos].

Ivandro: Para mim, ganhar seria concretizar mais um sonho e espero conseguir abrir mais portas, porque muitas pessoas que eu admiro fizeram isto por mim, para poder estar aqui hoje a fazer o que eu faço.

Dapunksportif: Para nós, ganharmos e irmos representar Portugal, para já era um orgulho, era estrondoso, tendo em conta também o cariz da música que fazemos. Era ótimo, e íamos ver se conseguíamos convidar o Paul McCartney [risos].

Lara Li: Ai isso ia ser uma festa, claro [risos], mas nós também fazemos a festa cá e depois se calhar lá [risos]. Pois, era giro para todos!

André Henriques: Eu acho que falo por todos pelo pouco que vou conhecendo das pessoas que estão aqui nesta mesa, mas acho que a ideia do convite para o Festival da Canção torna-se interessante logo a partir do momento em que o nosso trabalho é fazer canções e a partir do momento em que o Festival nos convida, isso em si já é um pontapé de saída interessante. Vamos fazer uma coisa que nós gostamos e que é o nosso trabalho. Se fosse um festival de hotelaria eu não ia entrar [risos]. Mas o facto de ganharmos aqui ou de passarmos de uma semifinal para a final ou de ganhar – e não digo isto com nenhum tipo de falsa modéstia – é mesmo porque o prazer está em fazer a canção. O facto de, nesta circunstância da vida, estarmos aqui como concorrentes a pontuarmos uma canção acaba, obviamente, por ser algo estranho. Enfim, o que é uma boa canção para uma pessoa, ou uma canção favorita, não é para a pessoa do lado, portanto, estamos sempre a falar de gostos pessoais. Portanto, eu acho que qualquer um de nós entra aqui com o espírito aberto, de fazer uma coisa que é fora da nossa zona de conforto, e que é fora daquilo que é o resto do nosso ano de concertos, de trabalho, produção de discos, etc. e de fazer uma coisa pelo simples facto de a fazer por gosto. E o que acontece a partir daí é o que tem que acontecer. 

Vodoo Marmalade: À semelhança do que já foi dito, era claro uma honra da nossa parte. Mas nós ainda estamos a tentar assimilar o que se está a passar aqui. Portanto, deve ser uma realidade distante e, se eventualmente lá chegarmos, podes-me fazer a mesma pergunta [risos].

Festival da Canção 2023
© Pedro Pina – RTP

Para a Bárbara Tinoco, este é um regresso ao Festival. Como é que está a ser esta experiência?

Bárbara Tinoco: Igualmente intensa, é sempre intensa. Emoções sempre ao rubro [risos].

Bárbara, agora que apresentaste esta canção em inglês, tens planos para fazer mais música em inglês ou é uma vez sem exemplo?

Bárbara Tinoco: É uma vez sem exemplo [risos].

Lara, já alguma vez tinha pensado em regressar ao Festival?

Lara Li: Não, nem sequer estava já muito ligada à música. Isto agora é a história do carochinha [risos]. Convidaram-me para ir passar uns meses à Suécia. Estava eu na Suécia muito contente, ao fim de um mês e qualquer coisa, e telefona-me um rapaz que eu não conhecia. E depois começámos a falara para lá e para cá, e ficou combinado que quando eu viria mais cedo para cá. E assim fiz! E depois começámos a trabalhar, e eu gostei imenso dos outros dois intervenientes também, os músicos, eram formidáveis. E senti-me bem, que era uma coisa que não me acontecia há imenso tempo. E, portanto, gostei muito da música e peguei nela com muito carinho. 

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