"O Lobo de Wall Street" ©Red Granite Pictures

Leonardo DiCaprio | O percurso até à consagração

Leonardo DiCaprio celebrou 45 anos na passada semana e, por isso, recordamos a sua relação com a Academia e os dissabores que dela resultaram.

Foram cinco as nomeações. Apenas uma lhe garantiu a vitória.

Leonardo DiCaprio foi durante inúmeros anos o eterno injustiçado de Hollywood que merecia sempre a nomeação ao Óscar mas que, infelizmente chegava sempre alguém que lho surripiava de fininho das mãos, sem que ele desse conta. Memes eram criados, diversas sátiras, vários comentários ao estilo de “ainda não foi desta”. Se acreditasse em feitiçaria admitia já aqui que DiCaprio pudesse ter sido vítima de alguma espécie de macumba para que a estatueta não lhe fosse parar à posse. Mas não… O jogo haveria de mudar…

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Decorreram 22 anos desde que Leonardo DiCaprio fez o primeiro filme digno de uma nomeação à tão desejada estatueta dourada – falamos de “Gilbert Grape” em 1993. Neste filme, com apenas dezanove anos o jovem Leonardo mostrou que estava no negócio para valer. Deu vida a Arnie Grape, um miúdo autista criado no seio de uma família cuja parentalidade está comprometida e o ambiente é deveras disfuncional. Todos nós temos gravada nas nossas memórias a imagem de Arnie Grape a falar com a mãe em gritos histéricos, sem perceber que ela na realidade está morta – “Mama wake up. Are you hiding huh?”.

Leonardo DiCaprio
“Gilbert Grape” ©Matalon Teper Ohlsson

No entanto, os deuses da atribuição dos Óscares estavam predestinados a ser injustos com este jovem tão promissor e logo, de cedo, neste primeiro ano da sua nomeação, em 1994, viu a estatueta de Melhor Actor Secundário ser entregue a Tommy Lee Jones. Muitos consideraram DiCaprio jovem demais para receber este tipo de prémio mas a verdade é que entre os nomeados talvez fosse mesmo o justo vencedor porque, independentemente da idade, trata-se de um papel complexo e bastante trabalhado que merecia o seu valor reconhecido com mais do que uma mera nomeação.

Dez anos depois, estava novamente nas bocas do mundo cinematográfico. Foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor pelo seu desempenho em “O Aviador” (2004), onde interpretou o famoso aviador e produtor de cinema, herdeiro de uma enorme fortuna, Howard Hughes. DiCaprio viveu Hughes com uma intensidade que só ele poderia dar ao papel, tornando memorável a cena em que o piloto está sem roupa (por causa da sua enorme fobia a germes) a assistir a um filme. No entanto ficou apenas pela nomeação enquanto assistiu a Jamie Foxx ficar com a estatueta dourada pela sua prestação em Ray (2004), também este um filme biográfico.

Leonardo DiCaprio
“O Aviador” ©Miramax Flms

Corria o ano de 2006 quando DiCaprio corria por entre a floresta na Serra Leoa no encalce de um precioso diamante. Era novamente nomeado ao Óscar de Melhor Actor pela sua excelente prestação. No entanto, os deuses da atribuição dos Óscares determinaram que este seria mais um ano de injustiça (talvez aquele em que DiCaprio foi menos injustiçado) e o actor viu “O Último Rei da Escócia” ficar-lhe com “a medalha de ouro” – era a vez de Forrest Whitaker.

2013 não tardou a chegar e com ele veio “O Lobo de Wall Street”. Este apareceu como uma lufada de ar fresco. Os fãs vibraram com o Jordan Belfort de DiCaprio, pensaram que “desta era de vez”, seria praticamente impossível não ganhar. Mas mais uma vez as parcas tecedeiras já tinham traçado o destino do actor e foi precisamente um colega de cena que lhe ficou com a estatueta desta vez. Matthew McConaughey que também entra n’”O Lobo de Wall Street” arrecadou o título de Melhor Actor com o seu magnífico papel n’”O Clube de Dallas”.

Leonardo DiCaprio
“O Lobo de Wall Street” ©Red Granite Pictures

Leonardo DiCaprio era aquele executivo que almejava uma promoção na empresa mas, sempre que concorria ao cargo aparecia um colega com mais aptidões e acabava por ficar mais uma vez no rol dos esquecidos.

As parcas tecedeiras provavelmente já haviam previsto o desfecho desta história repleta de injustiça e injúria contudo, teríamos que ver chegar o ano de 2015. “The Revenant: O Renascido” trouxe uma nova esperança. DiCaprio era novamente nomeado ao Óscar de Melhor Actor. Concorria contra Bryan Cranston (“Trumbo”), Matt Damon (“Perdido em Marte”), Michael Fassbender (“Steve Jobs”) e Eddie Redmayne (“A Rapariga Dinamarquesa”). A concorrência era forte. Muitos dos fãs já não acreditavam ser possível. Mas, tal como no filme, DiCaprio foi perseverante e o Óscar foi finalmente seu.

A internet endoideceu. A fonte de memes era agora outra. O público enlouqueceu. DiCaprio. O Óscar. Finalmente. Era a 88ª gala de atribuição deste galardão e um dos preteridos de eleição era finalmente escolhido. A Academia finalmente elegia DiCaprio como o Melhor Actor e esse momento havia de ser recordado durante bastante tempo.

Muitos consideraram que o actor já havia tido papéis mais dignos de receber a estatueta dourada e que o seu desempenho em “The Revenant: O Renascido” fica, por exemplo, aquém da prestação que teve n’”O Aviador”. Outros culpam a Academia que devia ter atribuído o Óscar a DiCaprio, bem cedo, logo no seu “Gilbert Grape” em 1993.

Muitos foram também os papéis que nem uma nomeação valeram a Leonardo DiCaprio, colocando-o na lista de “Oscar Material” ainda que nem a indicação lhe tenham valido. É o caso de “Titanic” que, aquando da estreia, em 1997, bateu recordes na corrida à tão desejada estatueta mas, enquanto todo o elenco foi nomeado, DiCaprio não foi considerado digno da indicação. Em 2002 estrearam dois filmes com o actor – “Gangs de Nova Iorque” e “Apanha-me Se Puderes” – ambos com prestações merecedoras do Óscar contudo, mais uma vez, DiCarprio ficou de fora. Corria, posteriormente, o ano de 2008 quando “Revolutionary Road” proporcionou uma reunião do par romântico de “Titanic” mas, embora tenha sido nomeado para três Óscares, nenhuma dessas nomeações dizia respeito a Leonardo DiCaprio. Em 2012, voltou a repetir-se esta história e “Django Libertado” ganhou dois Óscares mas nenhum destinado ao actor de “The Revenant: O Renascido”.

Com vinte e sete anos de Hollywood e seis nomeações, será esta uma história de injustiça e redenção? Ou apenas o retrato fiel do longo e tortuoso caminho até alcançar o bendito lugar ao sol?

Concordas com a vitória em “The Revenant: O Renascido”? Ou deveria DiCaprio ter ganho com outro papel?

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