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IndieLisboa ’20 | A Febre, em análise

“A Febre” é um dos filmes que compete no IndieLisboa na secção relatica à Competição de Longas Metragens Internacional. Esta coperação entre Brazil, França e Alemanha coloca em evidência as questões que afligem as populações indígenas no Brasil de forma perspicaz e subtil.

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Na Competição Internacional de Longas-Metragens do IndieLisboa encontramos esta obra de 2019 que concluiu já um bem sucedido trajeto de festival, que incluiu a passagem com sucesso por Festivais como Locarno, Chicago,Marrakech , entre outros.

Esta obra vencedora do prémio de Melhor Realizadora em Chicago e que arrebatou a crítica em Locarno estabelece-se como um drama acerca das pressões da vida urbana. É uma narrativa situada em intersecções: entre gerações, entre mundos e entre raças.

A realizadora brasileira Maya Da-Rin  apresenta aqui uma competente primeira longa-metragem. A narrativa acompanha Justino (Regis Myrupu), um homem viúvo dee 45 anos que desenvolve uma misteriosa febre depois de saber que a sua filha foi aceite no curso de medicina na cidade de Brasília. Justino, um trabalhador portuário na cidade de Manaus, tem origens indígenas e essa sua condição racial afeta transversalmente todas as suas experiências.

Mais do que um filme sobre mudança, esta enigmática peça que é “A Febre” afirma-se como uma narrativa acerca de identidade. Para os seus familiares Justino e a sua filha são demasiado “brancos”, trabalhando nos seus portos e hospitais. Para os restantes com que Justino interage este é imediatamente identificado como diferente, “o índio”.É nesta dualidade que vamos encontrar o nosso protagonista e em grande parte esta será a ferramenta que utilizaremos para justificar os seus atos.

TRAILER | COMPETIÇÃO INTERNACIONAL DE LONGAS METRAGENS – A FEBRE DE MAYA DA-RIN

 

A sensação febril que perturba Justino, a sua vontade de se fundir com o meio, são-nos também transmitidas enquanto espectadores que observamos e compreendemos os seus dilemas. A sua filha Vanessa, que trabalha como enfermeira, era a sua principal companhia, que se prepara para perder para a Capital. O meio rural e urbano parecem entrar em conflito nesta história pouco linear e aberta à interpretação.

“A Febre” é dominada por uma intencional palete de cores acentuadamente escura. É a cor da cidade, é também presságio do isolamento social de que o nosso protagonista é vítima. Este é um trabalho de ficção que se vê atravessado por muitos não atores, que acabam por contribuir para o realismo mágico que atravessa o filme e que destaca a sua natureza híbrida. Sim, esta é uma obra ficcional mas uma que recorda um local, um povo, uma raça, uma forma de viver identificável e localizável. É uma obra repleta de nostalgia e que ainda assim não tem medo da mudança necessária e inevitável.

A Febre, em análise
white riot critica indielisboa

Movie title: A Febre

Date published: 31 de August de 2020

Actor(s): Regis Myrupu, , Rosa Peixoto, , Kaisaro Jussara Brito

Genre: Drama, 2019, 90 min

  • Maggie Silva - 80
80

CONCLUSÃO:

“A Febre” é um exercício de realismo mágico hipnótico, aberto à interpretação e de elevada complexidade.

O MELHOR: O retrato de uma família e de uma cultura marginalizada.

O PIOR: A falta de um terceiro ato estruturado.

MS

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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