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Jimi Hendrix foi “vetado” por Quincy Jones?

Quincy Jones, um dos maiores produtores musicais de todos os tempos, fez uns comentários depreciativos sobre Jimi Hendrix, o guitarrista considerado o melhor de sempre pela revista Rolling Stone.

Sumário:

  1. Quincy Jones é provavelmente um dos maiores produtores musicais ainda vivos, e trabalhou com muitas das estrelas do século XX, desde Frank Sinatra a Michael Jackson;
  2. O produtor americano fez um comentário sobre a qualidade musical de Hendrix com uma conotação negativa, comparando a sua destreza na guitarra à de outra pessoa;
  3. Tendo em conta que o Jimi Hendrix costuma ser visto como o melhor guitarrista de sempre, podemos considerar essa apreciação de Jones bastante polémica.
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Jimi Hendrix é, sem sombra de dúvida para qualquer amante de música (e ainda mais para qualquer amante da guitarra), um dos melhores (se não o melhor) guitarristas de todos os tempos. No ranking dos 100 melhores guitarristas de 2003 da revista Rolling Stone, o americano apareceu como primeiro, e já muitos guitarristas comentaram que, de facto, o papel de Hendrix no mundo das guitarras foi absolutamente revolucionário.

A própria da história de como Hendrix conheceu Eric Clapton mostra o impacto que o primeiro teve no cenário de rock’n’roll dos anos 60. O encontro entre os dois deu-se na altura em que Clapton era considerado um prodígio como nunca antes tinha havido nenhum, tendo surgido, nessa altura, o graffiti tão conhecido em Londres (e que dura até aos dias de hoje) a dizer “Clapton is God”. Ora, ao que parece, Jimi Hendrix, numa atuação dos Cream (a banda de Clapton da altura), pediu para se juntar em palco e “jammar” com Eric Clapton (o que deve ter causado muitos risos). Diz-se que assim que acederam a esse pedido de Hendrix e este pôde mostrar os seus dotes na guitarra, Eric Clapton fugiu, embaraçado, e foi encontrado nos bastidores a tentar acender um cigarro enquanto as mãos lhe tremiam, acabando por dizer: “ele é mesmo assim tão bom?”.




Mas ao que parece, Quincy Jones, uma das maiores lendas de produção e composição musical, não nutria essa admiração por Hendrix. O produtor americano chegou a comentar, numa conversa com a revista Vulture em 2018, que Hendrix devia ter tocado num dos discos de Quincy mas que se “cortou” e desistiu da participação. Quincy disse que Hendrix se deve ter assustado por causa da quantidade de músicos brilhantes que iam participar nesse projeto.

Quincy acrescentou, na conversa, que havia um guitarrista que se comparava a Hendrix: Paul Allen. Ora, Paul Allen é um dos cofundadores da Microsoft, e de facto toca guitarra (melhor do que se esperava), mas não é guitarrista. De facto, a técnica de Jimi Hendrix nunca foi especialmente cuidada, e assim, com esta comparação a um guitarrista que só o era na desportiva, só podemos retirar um sentido insultuoso deste comentário de Quincy Jones.

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No entanto, discordamos deste comentário. Havia qualquer coisa de especial e único na quantidade energia que Jimi Hendrix colocava na sua forma de tocar. Para além de o músico americano ter descoberto autênticas novas formas de olhar para o “fretboard” da guitarra enquanto executante, o artista tocava com mais do que os dedos. Tocava com o corpo, com a alma, com tudo. Quer falhasse notas, quer pusesse a guitarra atrás das costas só para impressionar o público, quer fizesse um solo “sloppy”, ninguém pode ficar indiferente à sua forma de tocar: ele tornava-se num só com a guitarra. E achamos que é por isso que é considerado o melhor do mundo. Não por ser tecnicamente muito avançado ou ter uma destreza nos dedos que mais ninguém teve, mas por ter havido uma espécie de uma simbiose entre ele e o seu instrumento muito, muito difícil de explicar.

Paul Allen Playing Guitar

Fica aqui um vídeo de Paul Allen a tocar guitarra. O cofundador da Microsoft não tocava mal para quem toca, como já dissemos, “na desportiva”. Mas compará-lo a Jimi Hendrix…



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