"Joker" | © NOS Audiovisuais

Joker | Os filmes que inspiraram Todd Phillips

Joker” inspira-se em muitos clássicos cinematográficos, além da sua clara ligação ao legado da DC Comics. Os próprios cineastas têm vindo a mencionar várias referências a outros filmes.

Quer sejam fãs de “Joker” ou parte dos muitos que detestam o filme de Todd Phillips, há que admitir que, esteticamente, a obra é preciosa. Parte desse triunfo devém de uma pesquisa dos cineastas no cinema da Nova Hollywood, assim como algumas outras inspirações provenientes da História do cinema. Desde o terror mudo até à Nova Iorque imortalizada por Martin Scorsese, muitas são as fontes deste pesadelo sobre um comediante incompetente virado terrorista icónico.

Para aqueles que adoram o filme e gostariam de conhecer as origens da sua imagética, aqui temos uma lista de recomendações. No entanto, se desgostaste de “Joker”, aqui ficam umas boas maneiras de provar que o filme é reacionário e dependente de uma série de cópias e falta de originalidade. Como se tem vindo a denotar, este é um projeto que causa reações polarizadas, pelo que este mesmo artigo está aberto a diferentes interpretações.

Lê Também:
Midsommar | Os filmes que influenciaram Ari Aster

Independentemente de tais problemáticas, convém especificar os critérios de seleção para esta coleção de títulos. Aqui tentámos reunir obras que são referenciadas diretamente pelo filme, sua narrativa e estética ou que tenham sido apontados pelos cineastas como fontes de inspiração. Também incluímos um ou dois títulos cujas ligações a “Joker” são mais ténues, mas provam que este tipo de conto vilanesco já tem vindo a ser contado há muito tempo pela sétima arte.

Em nome da variedade e em fuga da repetição e redundância, decidimos excluir qualquer filme de super-heróis, mesmo os do Batman. Afinal, seria um pouco pateta estar a dizer que o “Joker” de Joaquin Phoenix toma inspiração dos Jokers anteriores, considerando que tal afirmação é tão óbvia que se torna absurda. Por isso, se esperam encontrar aqui uma dissertação sobre a evolução da personagem titular, é melhor irem procurar noutro sítio.

Sem mais demoras, aqui ficam 10 obras que inspiraram, foram referidas ou denotam semelhanças tonais a “Joker”. Avisamos, contudo, que haverá aqui muitos spoilers para os filmes discutidos. Começamos pelo mais antigo desta dezena...

2 de 10

TEMPOS MODERNOS (1936) de Charles Chaplin

joker tempos modernos
© Columbia Pictures

De todos os filmes nesta lista, este é aquele que mais claramente aparece referenciado em “Joker”. Mais especificamente, “Tempos Modernos” é o filme que está a ser exibido quando Arthur confronta Thomas Wayne num cinema ostentoso. A obra-prima de Charles Chaplin é também a origem da canção “Smile”, cujas palavra serviram de acompanhamento irónico ao primeiro trailer desta sinistra história de origem vilanesca.

As conexões entre os dois filmes não são somente cosméticas ou musicais, contudo. Em ambos os casos, temos uma sátira social, mesmo que na obra mais antiga as intenções e discurso político seja mais claro que na aventura recente. Nesse caso, tratava-se de uma visão absurdista sobre a sociedade capitalista e industrializada dos anos 30, quando o operário se tornava cada vez mais numa engrenagem anónima e desumanizada aos olhos dos patrões e detentores do grande capital. Tal como aconteceu em “O Homem Que Ri”, a grande diferença entre os dois projetos refere-se à sua atitude perante estes males sociais. Enquanto Chaplin preferiu otimismo humanista, Phillips e companhia viraram-se para o niilismo juvenil e sem estribeiras.

Não querendo cometer nenhum ato de heresia cinematográfica, há também que apontar como a fisicalidade expressiva de Phoenix recorda o tipo de gesticulação de Chaplin, cuja postura era tão importante para o seu humor como a expressão facial. Quando Arthur Fleck se contorce em danças ridículas ao longo da sua metamorfose diabólico há algo de Charlot na sua figura. É como se o mestre da comédia do passado tivesse renascido como uma grotesca distorção, sem piada nenhuma, e que espalha sangue ao invés de gargalhadas.

2 de 10

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

Cláudio Alves has 1626 posts and counting. See all posts by Cláudio Alves

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.