Jupiter's Legacy ©Netflix

Jupiter’s Legacy, primeira temporada em análise

“Jupiter’s Legacy” da Netflix tenta apresentar muito em pouco tempo, quando devia primeiro se estabelecer e impressionar para depois nos envolver. A série possuiu todos os componentes necessários, desde uma história original, um bom casting e cenas de ação impressionantes. No entanto, a mistura final é controversa, não satisfazendo por completo, para além de que fica bastante aquém do material de origem dos comics de Mark Millar.

Numa altura que começa a acusar alguma saturação do mundo dos super-heróis, as novas apostas precisam de oferecer narrativas sólidas e ideias ousadas e fora da caixa. Uma opção válida é a adaptação de material que já provou previamente o seu valor e procurar autores reconhecidos pelo seu sucesso no meio. E para a produção de “Jupiter’s Legacy” foi exatamente isso que a Netflix encontrou, ou seja, uma série de comics com 4 volumes publicados e um autor de banda desenhada premiado.

O primeiro capítulo dos comics de “Jupiter’s Legacy” foi publicado em 2013 na Image Comics, escrito por Mark Millar e desenhado por Frank Quitely. A série recebeu críticas geralmente positivas com o primeiro volume a receber uma avaliação de 8.2 (em 10) no Comic Book Roundup e o segundo volume com 8.6. Em 2015, a narrativa foi expandida com o spin-offJupiter’s Circle” que serviu de prequela a “Legacy”. Para o futuro breve espera-se o lançamento de “Jupiter’s Legacy: Requiem”, uma nova série de comics que continuará a história.

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Mark Millar é um nome que direta ou indiretamente é conhecido por quase todos os fãs de banda desenhada. Para além de ter recebido em 2013 a Excelentíssima Ordem do Império Britânico pelos seus contributos para o cinema e a literatura, Millar já foi nomeado 4 vezes para um Eisner Award. Em 2004, fundou a Millarworld, uma empresa que lhe garantia os direitos das suas próprias criações e onde as suas várias personagens podem existir numa espécie de universo. Dos seus trabalhos mais notáveis destacam-se: o evento da Marvel, “Civil War”, que serviu de base para o filme de sucesso da MCU com o mesmo nome; “Wolverine: Old Man Logan” uma das histórias mais vendidas da Marvel e que ajudou como inspiração para o filme “Logan“; a novela gráfica, “Kingsman”, que já conta com duas adaptações cinematográficas e segue para a terceira; “Kick-Ass”, que também deu origem a dois filmes; e “Wanted”, em cujo filme estrelaram Angelina Jolie, Morgan Freeman e James McAvoy.

Jupiter's Legacy
Jupiter’s Legacy ©Netflix

Na altura da publicação de “Jupiter’s Circle” foi também anunciada a parceria entre Millar e o produtor Lorenzo di Bonaventura de forma a adaptar “Jupiter’s Legacy” ao grande ecrã. Com uma pausa de silêncio durante uns anos, em 2018 chegou a notícia de que a Netflix, após em 2017 ter adquirido a Milarworld, tinha encomendado a produção em série para uma primeira temporada de oito episódios.

A série estreou assim em Maio de 2021 na Netflix e durante vários dias após a sua estreia esteve no top 10 da plataforma. O desenvolvimento da série esteve nas mãos de Steven DeKnight, que em 2019 foi substituído por Sang Kyu Kim como showrunner da série, devido a diferenças criativas durante a produção da primeira temporada. DeKnight é ainda creditado como produtor executivo ao lado de Lorenzo di Bonaventura e Dan McDermott.

Jupiter's Legacy
Jupiter’s Legacy ©Netflix

Foi reunido um vasto elenco para a série que conta com uma grande diversidade de personagens: Josh Duhamel protagoniza como Sheldon Sampson/ The Utopian, o símbolo dos valores dos super-heróis e o mais forte do grupo; Ben Daniels é Walter Sampson/Brainwave, irmão de Utopian; Leslie Bibb interpreta a esposa de Sheldon, Grace Kennedy-Sampson/ Lady Liberty; Andrew Horton e Elena Kampouris nos papéis dos filhos de Sheldon e Grace, Brandon e Chloe Sampson, respetivamente; Mike Wade como Fitz Small/The Flare um dos super-heróis do grupo original; e Matt Lanter como o anti-herói, George Hutchence/Skyfox.

Mark Millar revelou que a história foi influenciada por um misto de mitologia romana e histórias de origem da Idade de Ouro da banda desenhada, podendo ainda serem encontrados elementos de “Star Wars” e “King Kong”. Na narrativa seguimos duas linhas temporais que exploram diferentes temáticas. Em 1932 é explorada a Grande Recessão, a origem dos poderes dos super-heróis e a conexão dos heróis com o ideal americano. No presente, é-nos apresentado o grupo original de super-heróis já envelhecidos e existe um conflito geracional entre os heróis seniores e a nova geração, em particular os filhos de The Utopian cuja pressão de viverem segundo o legado dos seus pais é demasiado grande.

Jupiter's Legacy
Jupiter’s Legacy ©Netflix

É complicado perceber o porquê do sucesso de “Jupiter’s Legacy” não ter sido tão fenomenal. No papel e mesmo ao assistir a série, temos muitas vezes a sensação de estarmos perante um igual de “The Boys”, por exemplo. Porém, noutras ocasiões ficamos confusos com demasiada informação e com a sensação de que faltou algo.

São muitos os elementos fortes da série, como as cenas de ação cativantes, a abordagem do conflito geracional, a discussão sociopolítica e económica e a jornada misteriosa de como o grupo principal ganhou os poderes. No entanto, a ação podia ter sido mais irreverente e chocante (como o é nos comics), as atitudes da geração jovem deveriam ter sido mais extremistas, os pólos políticos deveriam ter sido melhor delineados e cada lado melhor suportado. A criação de Millar tem qualidade, mas esta não foi demonstrada da melhor maneira na série da Netflix.

Jupiter's Legacy
Jupiter’s Legacy ©Netflix

Um dos aspetos que se sobressaiu na adaptação comparativamente com a literatura foi a exploração da aventura de Sheldon e dos seus colegas até à descoberta da ilha onde ganhariam os seus poderes e formariam o grupo, The Union. É um ponto que nos comics ficou enevoado, tendo sido abordado apenas a superfície, mas que a série explora com muitos mais detalhes, tornando a época passada mais interessante. O outro lado da moeda é o, como já foi referido, excesso de informação. São demasiadas personagens, em linhas temporais diferentes, com conflitos diferentes e complexos que foi tudo condensado em apenas oito episódios de uma temporada inicial. O ritmo da narrativa em paralelo com a falta de audácia são os dois principais problemas da série e as razões por o seu impacto não ter sido maior.

Jupiter's Legacy
Jupiter’s Legacy ©Netflix

Não obstante, “Jupiter’s Legacy” é/era sem dúvida uma série com pernas para andar e cujas dificuldades poderiam facilmente ter sido ultrapassadas numa 2ª temporada, até porque a adaptação completa dos 4 volumes dos comics daria bem para mais de 5 temporadas. Dessa forma é com tristeza e surpresa que foi recebida a notícia do cancelamento da série após uma só temporada. E mais incompreensível é o facto da série ter sido cancelada, mas estar em produção outra série do Millarworld. Mark Millar considera que há fortes possibilidades de a série regressar no futuro e nós por aqui torcemos para que isso aconteça.

És a favor de uma 2ª temporada?

Jupiter’s Legacy, primeira temporada em análise
Jupiter's Legacy

Name: Jupiter’s Legacy

Description: A primeira geração de super-heróis prepara-se para passar o testemunho aos filhos. No entanto, as velhas regras já não se aplicam, os valores mudaram e a tensão está a crescer.

  • Emanuel Candeias - 73
73

CONCLUSÃO

“Jupiter’s Legacy” da Netflix tenta apresentar muito em pouco tempo, quando devia primeiro se estabelecer e impressionar para depois nos envolver. A série possuiu todos os componentes necessários, desde uma história original, um bom casting e cenas de ação impressionantes. A mistura final é controversa, não satisfazendo por completo, para além de que fica bastante aquém do material de origem dos comics de Mark Millar. Não obstante, é sem dúvida uma série com pernas para andar e cujas dificuldades podem facilmente ser ultrapassadas numa 2ª temporada.

Pros

  • Narrativa cativante com muitos plots por explorar
  • A temporada termina com muitas perguntas e mistérios que queremos ver resolvidos
  • Ótima exploração da época dos anos 30 e da origem dos super-poderes
  • Cenas de ação impressionantes
  • Personagens bem desenvolvidas e interessantes

Cons

  • Excesso de informação
  • Ritmo acelerado
  • Falta de audácia para criar cenas mais marcantes
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Emanuel Candeias

Graduado em Hogwarts, foi head-boy de Ravenclaw. Aventurou-se durante uns tempos pela Middle-Earth e por Westeros, tendo feito grandes amizades na House Stark e com os elfos de Lothlórien. De forma a aprofundar os seus conhecimentos contactou grandes mentes como Doctor Banner, Doctor Strange e chegou mesmo a viajar com Doctor Who. Dedicou-se durante uma temporada a fortalecer a sua espiritualidade em Konoha, onde aprendeu com os mestres Goku e Naruto. Neste momento encontra-se perdido no Matrix. O seu sonho é vir a ingressar na Starfleet.

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