Monster Hunter | © Constantin Film

Monster Hunter | Milla Jovovich e Paul W.S. Anderson em entrevista exclusiva

Milla Jovovich e Paul W.S. Anderson estiveram em conversa exclusiva com a MHD no âmbito da promoção do filme Monster Hunter. 

A Magazine.HD teve o grande privilégio de falar com uma das atrizes do cinema de ação mais reconhecidas pelo mundo fora: Milla Jovovich. Mesmo assim, a atriz não esteve sozinha na conversa, a quem se juntou Paul W. S. Anderson, com quem é casada desde 2009 e tem três filhas. Ambos lideram “Monster Hunter“, um novo filme de ação da Sony Pictures que está prestes a chegar às salas de cinema portuguesas (a estreia está marcada para o próximo dia 13 de maio).

Sim! Milla Jovovich poderá ser novamente vista no grande ecrã, a saltar de um lado para o outro, e a derrubar provavelmente os monstros mais peculiares de sempre do cinema. Num ano em que a sétima arte parece ter passado para as salas de estar e quartos lá de casa, estamos ansiosos por um filme liderado por uma mulher destemida chegar às salas comerciais. Hoje mais do que nunca precisamos de um filme de monstros de Hollywood nos mais heterogéneos espaços culturais do país.

Monster Hunter” poderá ser um dos primeiros blockbuster de 2021 em Portugal. O público português é fã da toda-poderosa Milla Jovovich e muitos espectadores admiram o seu currículo, composto por filmes de ação, ficção científica, terror e dramas. Em “Monster Hunter” surge com grandes nomes do cinema mundial como Ron Perlman, Diego Boneta, Meagan Good, a brasileira Nanda Costa e o artista de artes marciais Tony Jaa para travar uma luta pela sobrevivência da humanidade. Os monstros colossais de “Monster Hunter”, que nada têm que ver com os zombies de “Resident Evil“, mas não prometem tarefa fácil…

Monster Hunter
Milla Jovovich e Tony Jaa são os protagonistas de “Monster Hunter” © Constantin Film

A entrevista da MHD com Milla Jovovich e Paul W. S. Anderson foi bastante divertida, se tivermos em conta os tempos negros que a sétima arte ultrapassa. Foi uma espécie de conversa nostálgica com duas pessoas experientes no cinema de ação e que querem levar o público de regresso às salas. Nesta conversa, a atriz e o seu habitual realizador revelaram o entusiasmo constante quando colaboram, e a razão de continuarem a fazer filmes para os seus fãs espalhados pelo mundo. A cumplicidade entre ambos fez-se sentir na série “Resident Evil” (Paul W.S. Anderson dirigiu 4 filmes entre 2002 e 2017) e também na aventura familiar “Os Três Mosqueteiros (2011). “Monster Hunter” foi mais exigente dos pontos de vista técnico e tecnológico, mas a cumplicidade manteve-se.

Para esta história de ação, aventura e fantasia, Paul W. S. Anderson inspirou-se na série de videojogos “Monster Hunter”, sobre a experiência viciante de um grupo de avatares que têm de caçar monstros gigantescos, lançada pela Capcom em 2004. Na entrevista, o cineasta confirmou a sua ambição em criar um filme realmente próximo ao jogo, através de uma série de detalhes, mas sem prescindir da ambição por um projeto mais realista.

Para Anderson “Monster Hunter” foi o filme mais arriscado da sua carreira, sobretudo porque rodou nos locais mais remotos e adversos do planeta. As elevadas temperaturas que se fizeram sentir não ajudaram Milla Jovovich, nem o restante elenco. A atriz começou por falar-nos dos principais desafios da sua carreira, e revelou o quanto gosta deste género de cinema, respeitando o legado da pioneira Sigourney Weaver.

Descobri uma paixão e descobri como poderia utilizá-la para conquistar o público. Gosto de fazer filmes com o icónico ecrã verde e, a partir daí, gosto de utilizar a minha imaginação. As sequências de ação e aqueles momentos em que tenho que aprender a coreografia de luta alimentam-me. Milla Jovovich, em entrevista exclusiva à MHD.

Monster Hunter World Iceborne
Monster Hunter World: Iceborne © Capcom

Abaixo poderás ler a entrevista da MHD a Milla Jovovich e a Paul W. S. Anderson.

MHD: A Milla é provavelmente uma das atrizes de Hollywood com uma maior presença no grande ecrã. Como descreveria a sua devoção à representação de quase 30 anos? Acha que obteve o reconhecimento suficiente em todo o mundo?

Milla: Sabe, eu não sou o tipo de pessoa que gosta de viver a minha vida a pensar que não recebi os elogios suficientes. Quero dizer, eu faço filmes divertidos e as pessoas adoram ver-me a dar tudo. Eu fiz muitos filmes independentes ao longo da minha carreira, como “Juventude Inconsciente” do Richard Linklater. Mas acredito que, no final de contas, foram os grandes filmes de ação que realmente me ofereceram a legião de fãs que tenho hoje. Posso dizer que tenho tido imensa sorte.

MHD: Sentiu-se alguma vez perdida em Hollywood quando fez “Regresso à Lagoa Azul” com apenas 16 anos? Se pudesse voltar atrás no tempo voltaria a participar nesse filme?

Milla: Eu cresci sob os olhos do público e por vezes até eu mesma me pergunto “deveria ter participado nesses filmes”? Olhando para trás tenho a certeza que esses filmes teriam sido bem melhores sem mim (risos). Mas foi assim que a minha carreira começou. Cometi alguns erros em Hollywood e paguei muito caro por eles. O meu instinto, a minha confiança nem sempre resultaram e acabei por ser destruída pela imprensa, pelos críticos. Esses foram bons tempos (risos).

As coisas são como são. Essa é a vida dos jovens atores, que acabam por cometer prematuramente todos os erros no ecrã. Caso sejas um excelente ator bastante cedo, 9 em cada 10 vezes garanto-te que as pessoas vão querer manter-se como criança. Neste negócio, tudo é complicado. Também é comovente, incrível e super-interessante. Por vezes consegue ser até super-desprezível.

Paul:Eu acho que é um bocadinho de tudo isso, mas com o prefixo “super”.

Milla: Ótimo.

Milla Jovovich
Milla Jovovich em “Juventude Inconsciente” (1993), de Richard Linklater © Alphaville Films

MHD: Atualmente são muitas as mulheres protagonistas de filmes de ação. Sente alguma diferença dos dias de hoje em relação à sua infância nos anos 80? 

Milla: As séries de animação “She-Ra” ou “Thundercats” foram essenciais para o desenvolvimento desta minha paixão, porque tinham algumas mulheres de ação incríveis. Assim como algumas séries de TV, como a “Mulher Maravilha” ou “The Bionic Woman”. Em relação ao cinema, sempre senti que havia pouca representação feminina no ecrã. Não haviam propostas, de certo modo realistas, com as quais me pudesse identificar.

Enquanto eu crescia nos anos 80 exista apenas a Sigourney Weaver. Era praticamente ela quem dava corpo e alma às grandes heroínas de ação. Lembro-me de assistir aos filmes da série “Alien” quando era miúda e que passavam na televisão lá de casa através da HBO. Não existiam as plataformas de streaming, como a Apple TV ou a Netflix, e sempre que o voltavam a exibir, eu parava completamente tudo o que estava a fazer para ficar em frente da televisão. Adorava passar o tempo dessa forma, por muito assustadores que fossem os filmes. Deveria ter mais ou menos 10 anos e ainda hoje continuo a vê-los.

Depois da Sigourney Weaver veio a Linda Hamilton, que arrasou completamente! Estas mulheres criaram personagens que não estavam apenas a utilizar o seu sex-appeal para se demarcarem. Eu sei que elas eram sexies, mas não pelas razões mais óbvias. Agora que falamos sobre este assunto eu posso dizer que definitivamente sempre me perguntei por que não haviam mais mulheres no grande ecrã. Ainda bem que hoje faço filmes deste género, assim como a Charlize Theron.

MHD: Há algo dentro de si que a motiva a participar em filmes desse género? 

Milla: Quando entrei em “O Quinto Elemento” tive o meu momento “aha!”, no qual percebi que gostava de trabalhar nestes ambientes. Adoro fantasia, adoro ficção científica e adoro treinar. Sempre digo que se não fosse atriz, faria parte do exército porque realmente trabalho bem nesse tipo de situações de alto stress. Além disso, dou-me bastante bem com militares. Eu gosto de armas e do trabalho de equipa e aceito bem as orientações que me são dadas. Cada vez que faço um filme de ação tenho oportunidade de vivenciar tudo isso.

Descobri uma paixão e descobri como poderia utilizá-la para conquistar o público. Gosto de fazer filmes com o icónico ecrã verde e, a partir daí, gosto de utilizar a minha imaginação. As sequências de ação e aqueles momentos em que tenho que aprender a coreografia de luta alimentam-me. Há algo dentro de mim que me diz que eu posso vender essa ideia de uma heroína de ação para uma audiência de uma maneira bastante realista.

Milla Jovovich em “O Regresso à Lagoa Azul” (1991), de William A. Graham © Columbia Pictures

MHD: Como atriz de ação o seu corpo não se ressente? Afinal faz isto há 20 anos consecutivos… 

Milla: Posso-lhe garantir que é mais difícil estar grávida e dar à luz do que fazer filmes de ação. Falo por experiência própria, porque já tive três filhas.

Paul: Não é difícil para mim (risos).

Milla: És inacreditável (risos). Eu sinto que poderia fazer filmes de ação o dia todo. A única coisa que eu não voltarei a fazer, fisicamente é ter outro bebé. Estou cansada de estar grávida. Isso é uma coisa assustadora, porque é difícil. Já os filmes de ação são divertidos. Começas a te exercitar, podes mergulhar neste outro mundo incrível e subir os edifícios mais altos do mundo, até podes voar… Enfim é possível fazer tudo. O que posso dizer mais… adoro fazer filmes assim.

MHD: Quais foram os maiores desafios durante a produção de “Monster Hunter”?  

Paul: Eu tento fazer cada filme mais e mais desafiante para Milla, mas elevei indiscutivelmente a fasquia em “Monster Hunter” (risos). A certo ponto, ela virou-se para mim e disse “esta é absolutamente a pior coisa pela qual me fizeste passar”, porque foi o projeto com o qual sentiu-se mais desconfortável durante a rodagem. Acredito que este filme tenha sido diferente para nós e para a nossa parceria, porque não filmámos em estúdio. Em vez disso, decidimos rodar totalmente em locais reais, alguns dos quais, no meio do nada, na África do Sul e na Namíbia. O videojogo tem paisagens fenomenais e eu quis recriá-las da maneira mais verosímil possível. Foi então que viajámos para alguns dos lugares mais inóspitos do mundo, onde ficávamos entre 200 a 250 quilómetros afastados da povoação mais próxima. Foi fácil perceber porque razão ninguém vive nesses locais… Nuns dias podem existir temperaturas abaixo dos zero graus, noutros dias temperaturas demasiado quentes, ventos fortes e até furacões… E nós estávamos todos albergados em tendas. A Milla ficou até com queimaduras oculares, assim como o Tony Jaa, porque as personagens não poderiam utilizar óculos de sol. Fisicamente foi exigente não só para a Milla, como para todos os atores. Certamente foi uma novidade para mim. Nunca realizei um filme física e logisticamente tão desafiante, embora acredite que para alguns atores e membros da equipa técnica foi algo que os ajudou a emergir na narrativa. Isto porque as criaturas são realmente os únicos efeitos visuais do filme. Tudo o resto é real. Afastamo-nos do característico visual do blockbuster moderno onde tudo é filmado contra um ecrã verde.

Milla: Enquanto isso tu observavas-nos com o teu chapéu e com os teus preciosos óculos de sol à conversa com o T.I. (risos) 

Paul: Falava no teu lugar (risos).

Milla Jovovich em “Monster Hunter” © Constantin Film / Sony Pictures

MHD: Como é que os filmes de ação mudaram desde que começaram a trabalhar juntos no primeiro filme de “Resident Evil”, estreado em 2002? 

Milla: Mudaram muito. Hoje existem mais mulheres nos filmes de ação, ao contrário do momento em que comecei e existem muitos espectadores para esse tipo de cinema. Para o Paul, acredito que a mudança foi essencialmente ao nível da tecnologia. Eu lembro-me das primeiras câmaras que usávamos e que são diferentes às de hoje.

Paul: Nós tentamos estar na vanguarda da tecnologia, por isso tentamos usar o que de mais moderno existe em termos de câmaras. Para estes filmes são necessárias câmaras de grandes formatos, o que foi útil para rodar as paisagens épicas de “Monster Hunter”, pois queria que fossem capturadas na maior amplitude possível. Tivemos que colocar uma câmara por cima da outra, a fim de alcançar o dobro do espaço em termos de enquadramento. Portanto, quando forem ao cinema ver este filme, a experiência será realmente impactante. Para uma cena específica, precisávamos filmar um acidente de viação, provocado por um dos monstros, mas teríamos que destruir as câmaras colocadas no interior do veículo. Precisávamos de algo que fosse barato o suficiente, mas que a imagem fosse excelente. Então o estúdio comprou as antigas câmaras utilizadas no último filme de Resident Evil. Na época, eram as melhores câmaras do mundo, mas pouco tempo depois durante a rodagem de “Monster Hunter” já estavam em desuso, por isso não havia problema em destruí-las. Isto só prova o quanto a tecnologia é efémera.

Milla: Eu lembro-me perfeitamente quando utilizámos as câmaras da Phantom em “Resident Evil: Ressurreição” e tive que reaprender a fazer uma sequência de ação desde o zero. Quando filmámos em câmara lenta o meu rosto estava horrível. Sabes aqueles momentos em que te tiram uma fotografia e os teus olhos piscam? Foi o que aconteceu comigo… Tive que manter o meu rosto o mais imóvel possível e tive que aprender a trabalhar em específico para aquela câmara. O mesmo aconteceu em “Os Três Mosqueteiros”, enquanto corria e saltava com um vestido de época. Queria que a minha expressão fosse normal, como uma super-heroína e, em vez disso, a minha cara ficou praticamente como a da Ursula da Pequena Sereia. Na vida real parece ridículo, mas no ecrã parece elegante e bonito.

Paul: Ainda em termos de tecnologia, embora muitas coisas na produção dos filmes tenham mudado, é surpreendente como outras permanecem exatamente idênticas. No início da minha carreira, tive a oportunidade de trabalhar com o supervisor de efeitos visuais Richard Yuricich, com quem trabalhei pela primeira vez em “O Enigma do Horizonte”. O Richard trabalhou em filmes como “2001: Odisseia no Espaço” e “Blade Runner” e o seu tipo de efeitos visuais passava, desde logo, pela inexistência dos mesmos. Ensinou-me assim uma lição muito importante que consistia simplesmente em colocar a pergunta “será que posso fazer isto de verdade?” O seu trabalho era fazer efeitos visuais, mas havia que transpor alguma verdade. Foi a minha obsessão em “Monster Hunter“. Pode ser mais fácil hoje utilizar a tecnologia e criar um cenário CGI, mas não deixa de parecer sintético. No nosso novo filme temos paisagens reais, poeira real, ambiente reais. Os monstros são melhores porque estão presos na nossa realidade e não ao contrário.

Milla: Realmente a areia atingiu-nos com toda a sua força, e entrou-nos pelos olhos e pela roupa dentro. O facto de ser real torna a sequência mais emocionante, do que quando tens que fingir na totalidade.

Monster Hunter
Paul W.S. Anderson e Milla Jovovich na rodagem de “Resident Evil: Retaliação” (2012) © Davis Films/Impact Pictures

MHD: Percebemos realmente que a vossa relação de trabalho é genuína e que não têm medo de dar um feedback um ou outro. Como descreveriam a dinâmica no novo filme?

Milla: Em termos de feedback, acho que vale a pena contar como tudo isto começou. Depois de 10 anos a escrever diferentes versões de “Monster Hunter”, o Paul veio ter comigo e disse-me: “Sabes, eu terminei um argumento e gostaria muito que o lesses e partilhasses a tua opinião”. Eu respondi “Ok”. Obviamente ele contestou “só para te avisar que escrevi isto para ti”. Então pensei “estás a brincar? Acabámos de filmar Resident Evil e queres que passe de matar zombies a matar monstros? As pessoas não serão enganadas assim tão facilmente”. Ele diz, “eu acredito que tu sejas a melhor pessoa para fazer isto, lê o argumento e depois decides”.

Paul: Eu convenci-te.

Milla: Ok, passar de matar zombies para matar monstros deixou-me um pouco assustada, e até convenci o Paul a tentar falar com outras atrizes como a Kate Beckinsale ou a Charlize Theron. Mas eu queria interpretar um soldado. Não resisti porque adoro mulheres poderosas… Algo tão próximo daquilo que mais admiro poderia ser importante para fazer justiça à personagem. Sinto-me grata e estou feliz que o tenhamos feito. A nossa relação sempre foi muito honesta e lembro-me do quinto filme de Resident Evil, “Retaliação” em que usei um vestido negro bastante justo e lá de vez em quando o Paul vinha ter comigo para que eu apertassem bem a barriga (inspira e ri). Foi ótimo, embora por vezes sejam constrangedoras as maneiras que ele encontra para eu ser uma super-heroína.

Paul: Temos uma fantástica relação. A Milla consegue ser bastante sincera no quando lê os meus argumentos e até coloca algumas notas…

Milla (interrompendo): Por isso é que dizes que se fosse eu a produzir o “Titanic”, nunca passaria de um rascunho, porque já sabes como sou com os meus “Espera um segundo!”.

MHD: O que tem de diferente o argumento de “Monster Hunter”? 

Paul: Quando assistimos a um filme existem momentos em que somos demasiado escrupulosos. Interrogamo-nos sobre algo e qual o seu significado para a trama. É por isso que alguns filmes são bastante longos, porque tentam explicar absolutamente tudo. Para mim isso não faz sentido algum, porque a grande maioria dos espectadores quer deixar-se levar pela trama, gostam de seguir a maré. Nem tudo no cinema precisa de ser explicado, porque o cinema é um medium fortemente visual. Foi assim que começou e assim que deveria ser. No enredo de “Monster Hunter” tentei aproveitar essa matriz e por isso é que existem longos momentos de silêncio, sem qualquer tipo de diálogo. A maioria das sequências entre as personagens da Milla e do Tony são de comunicação não-verbal. Acho que no cinema poderemos aprender muito mais através da ação, em vez de diálogos.

[…] as criaturas são realmente os únicos efeitos visuais do filme. Tudo o resto é real. Afastamo-nos do característico visual do blockbuster moderno onde tudo é filmado contra um ecrã verde. Paul W. S. Anderson em entrevista exclusiva à MHD.

Monster Hunter
Milla Jovovich na batalha contra um monstro em “Monster Hunter” © Constantin Film / Sony Pictures

MHD: Porque razão adaptar agora os videojogos “Monster Hunter” para o grande ecrã? 

Paul: Eu sou um grande admirador do videojogo. Tive oportunidade de descobri-lo há 11 anos, numa viagem ao Japão, numa altura em que internacionalmente poucos conheciam “Monster Hunter”. Como grande fenómeno que era no seu país de origem senti-me bastante atraído pelo mundo criado por Fujioka-san e Kenzo Tsujimoto. Fiquei fascinado pelas paisagens, pelas criaturas e pelo facto de ser um mundo equilibrado e onde é necessária a cooperação de uns com os outros. Pareceu-me um mundo melhor. Não consegui dormir, pois estava bastante obcecado em adaptá-lo ao ecrã. Pensei que se poderia tornar num magnífico evento cinematográfico. A personagem da Milla exemplifica o quanto fazia falta a reação de alguém que contempla estas maravilhas pela primeira vez.

MHD: Será que nos podem prometer uma comédia romântica ou algo completamente distinto àquilo que estão habituados a fazer. 

Milla: Meus Deus! O Paul é um rapaz tão vulgar e um pouco misógino. Não é que seja misógino na vida real (risos). Mas é-lo em termos cinematográficos. Ele não assiste um filme que tenha as palavras “bonito” ou “amor” no título e apenas assiste a filmes de acção. Ele não gosta de filmes com mulherzinhas.

Paul: Mas eu gosto de comédia. Vimos o filme “Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga”, que se tornou um êxito na nossa casa durante a quarentena. As miúdas só cantavam as músicas da Eurovisão. Até alguns dos filmes que fiz têm humor. Diria que “Monster Hunter” tem bastante humor, sobretudo na relação entre a Milla e o Tony, que é fantástica. Atingiu-se a química certa, apesar de não ser romance acho que está lá perto. O Tony é um ator de ação, mas as suas habilidades para a comédia são incríveis.

MHD: Portanto se não tivermos uma comédia, conseguem-nos prometer neste preciso momento a continuação de Monster Hunter?

Paul: Isso vai depender dos resultados de “Monster Hunter”….

Milla: Eu espero bem que sim. Seria engraçado voltar a esse mundo e eu adoro trabalhar com o Paul. O Paul está mortinho para rodar a sequela. Eu até sei que ele está a tirar algumas notas. Ainda não começou nada, porque daria azar, mas quem sabe…

Paul: Não posso deixar de reforçar que mesmo com mais de 25 anos de carreira, “Monster Hunter” foi o meu filme preferido enquanto realizador. É o filme do qual estou mais orgulhoso. Independentemente dos desafios físicos, tive um elenco excepcional. A Milla, o Diego Boneta, a Meagan Good, o T.I, o Ron Perlman, o Tony Jaa, entregaram-se ao projeto de uma forma tão apaixonante que seria um prazer voltar a trabalhar com eles. A decisão não me cabe a mim.

Milla: Adoras trabalhar comigo… (risos).

Monster Hunter
Rathalos, uma das criaturas de Monster Hunter © Constantin Film / Sony Pictures

MHD: Nos últimos meses, a pandemia afetou a distribuição de vários filmes. Numa altura em que quase todos os estúdios estão a adiar os seus filmes para 2021, porquê correr o risco e lançar o filme ainda em dezembro? 

Paul: Na verdade, a data original de lançamento seria em setembro.

Milla: Sim, no fim de semana do Dia do Trabalhador nos EUA.

Paul: A mudança para 2021 foi uma espécie de jogada pelo seguro, porque não sabíamos exatamente o que iria acontecer nos próximos meses. Lançar “Monster Hunter” em dezembro é o momento certo. É o filme que precisamos neste momento, por ser bastante escapista. Os espectadores vão ser transportados para uma nova dimensão, um novo mundo durante alguns minutos. É um filme pipoca que tem uma mensagem, ironicamente a própria moral do videojogo, do quanto é importante às pessoas provenientes de diferentes culturas aprenderem a colaborarem. Mundialmente, estamos cada mais isolados, somos cada vez mais insulares, e esquecemos como a amizade e o trabalho de equipa são as coisas mais importantes.

MHD: Será que nos podem garantir que“Monster Hunter” será mesmo visto nas salas de cinema?

Milla: O único lugar onde ainda não existiu uma propagação em massa da pandemia foi numa sala de cinema. Alguns cinemas melhoraram o sistema de ar condicionado, o sistema de purificação do ar e as pessoas estão sentadas sempre com máscara e com vários assentos de distância. É provavelmente um dos locais mais seguros para se estar neste momento.

Paul: As pessoas querem sair de casa, as pessoas querem ir ao cinema. É uma das poucas atividades que ainda podem fazer em total segurança.

MHD: Muito obrigado pela vossa disponibilidade. 

Milla e Paul: Obrigado nós!

Monster Hunter | Trailer legendado

Fica atento às novidades sobre Monster Hunter que a Magazine.HD tem preparado para ti! Em breve publicaremos a entrevista ao co-protagonista Tony Jaa. 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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