Emma Watson, Saoirse Ronan, Florence Pugh e Eliza Scanlen em "Mulherzinhas" (2019), de Greta Gerwig | ©Big Picture Films

Mulherzinhas | Todas as adaptações do pequeno e grande ecrã

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Mulherzinhas | As adaptações cinematográficas

Com o nascimento das imagens em movimento começou a existir interesse dos pioneiros produtores norte-americanos em encontrarem o mote para as suas histórias nos romances de época e, obviamente, “Mulherzinhas” de May Alcott não poderia ser esquecido, sendo mesmo uma das primeiras obras da literatura a chegar ao grande ecrã.

Curiosamente, a primeira versão cinematográfica foi feita no Reino Unido, que nos permite entender a dimensão internacional que o romance facilmente havia adquirido. Contudo, o filme que tinha a atriz Gaiety Ruby Miller no papel de Jo é considerada um filme perdido. O segundo filme de “Mulherzinhas”, que ainda pode ser visto, chegou em 1918, realizado por Harley Knoles, e rodando em Concord, a terra natal de Alcott, como fez também Greta Gerwig. O marketing em torno do filme destacava a capacidade da sua trama reunir o público feminino nas salas de cinema, algo muito comum em Hollywood que ficaria conhecido como women’s cinema,  que posteriormente influenciaria o (sub)género do melodrama.

Mulherzinhas
Claire Danes como Beth em “Mulherzinhas” (1994) © Columbia Pictures

Seguir-se-ia depois a proposta sui generis de George Cukor, em 1933, que foi o eclodir de Katherine Hepburn como uma estrela de cinema, apesar de este ser já o seu quarto crédito cinematográfico. Tanto a atriz como a personagem tornaram-se ícones das mulheres independentes na sociedade americana e marcariam um romper de uma nova fase no campo das adaptações cinematográficas.

Além disso, esta foi a primeira adaptação no cinema sonoro, e um estrondoso sucesso de bilheteira e da crítica, arrecadando ainda o Óscar de Melhor Argumento Adaptado, como provavelmente acontecerá com Greta Gerwig na edição deste ano. O filme pode, no entanto, parecer um pouco desatualizado nos dias de hoje, sobretudo pela idade dos seus atores quando comparada às das personagens, algo que se tornou hábito nas produções hollywoodescas e, lamentavelmente, ao longo das próprias adaptações de “Little Women”. Amy, que supostamente deveria ter 12 anos, foi erroneamente interpretada por Joan Bennett, na altura com 23 anos e secretamente grávida.

Seguimos com “Mulherzinhas” de 1949 que estreava num momento bastante particular: os anos posteriores da Segunda Guerra Mundial, algo que permitiu os espectadores identificarem-se com a trama dos March desenrolada na Guerra Civil. A adaptação foi uma desculpa para reunir um dos maiores elencos num só projeto. Janet Leigh (a atriz do grito do chuveiro de “Psico”) interpreta Meg, Elizabeth Taylor é Amy e Margaret O’Brien é Beth (a atriz voltou a desempenhar a mesma personagem numa série televisiva de 1958). Aqui, Beth é a mais nova das irmãs March, ao contrário do que acontece nas outras adaptações.

June Allyson, habituada a desempenhar esposas leais é Jo, essa jovem rebelde e relutante em casar. Novamente foi escolhida uma atriz com uma idade bastante distinta das suas co-protagonistas. June Allyson tinha já 32 anos quando foi convidada para interpretar Jo, além de ter apenas 11 anos de diferença em relação à atriz que interpretava a sua mãe Marmee, Mary Astor. Além do mais, a obra não parte do livro de May Alcott, mas do guião do filme de 1933, da autoria de Sarah Y. Mason, além de que usa a mesma banda-sonora. A única novidade? “Mulherzinhas” de Mervyn LeRoy foi a primeira das adaptações a cores do romance, evidenciando a necessidade da obra adaptar-se aos tempos e às novas técnicas.

Por fim, mais de 45 anos sem uma adaptação ao cinema, chegamos àquela que é para muitos a mais memorável: “Mulherzinhas”, de Gillian Anderson, foi lançada em 1994 e assimila-se bastante à obra de Greta Gerwig, não só por serem obras realizadas por mulheres, mas também por serem tão fiéis ao romance, quão próximas ao nosso momento presente.

Ao contrário dos filmes essencialmente focados em homens lançados em 1994, como “Os Condenados de Shawshank”, “Mulherzinhas” de Anderson foi produzido por uma mulher, escrito por uma mulher e realizado por uma mulher. O filme foca-se mais nas lições da mãe Marmee (interpretada por Susan Sarandon) enquanto as suas filhas crescem. Winona Ryder parece ser a escolha perfeita como Jo, chegando a ser nomeada ao Óscar de Melhor Atriz, numa adaptação que mostra mais as mulheres a sair de casa e a ganharem espaço no espaço social. Claire Danes é Beth, Trini Alvarado é Meg e Samantha Manthis e Kirsten Dunst como Amy, no único filme em que a personagem tem duas atrizes a desempenhá-la, de forma a mostrar este amadurecimento da personagem mais odiada do livro de Louisa May Alcott.

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Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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One thought on “Mulherzinhas | Todas as adaptações do pequeno e grande ecrã

  • Parabéns, muito bom (como sempre)

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